Procuradoria investiga big techs por possível descumprimento de regras eleitorais com IA

Cada usuário recebe respostas distintas, tornando a fiscalização um desafio inédito
O monitoramento de plataformas de IA é complicado porque as respostas variam conforme a pergunta de cada pessoa.
Mark

Por que a Procuradoria abriu essa investigação agora, em setembro, se as regras foram aprovadas no começo do ano?

Mimi

Porque os relatórios de organizações da sociedade civil começaram a documentar sistematicamente que as plataformas não estavam cumprindo. Em julho, essas organizações formalizaram a denúncia ao Ministério Público. A Procuradoria respondeu com uma investigação formal.

Luke

Mas vale notar que a Procuradoria ainda está na fase de coleta de informações. Pediu dados ao TSE e ofícios às empresas. Não há acusação formal ainda, nem ação judicial.

Mark

Qual é exatamente a regra que essas plataformas estão quebrando?

Mimi

Elas não podem ranquear candidatos ou sugerir partidos. Não podem emitir posições que favoreçam um lado da disputa. É bem direto.

Luke

Mas aqui está o problema: cada usuário recebe respostas diferentes. Como você prova que uma plataforma está violando a regra se a resposta depende de como você faz a pergunta? Os relatórios fazem simulações, mas não é a mesma coisa que monitoramento em tempo real.

Mark

Três das seis empresas não enviaram seus planos de conformidade. Isso é uma violação clara?

Mimi

Tecnicamente sim, segundo as regras do TSE. Qualquer empresa com mais de 5 milhões de usuários no Brasil era obrigada a enviar até 16 de agosto. DeepSeek, Anthropic e Perplexity não enviaram.

Luke

Verdade, mas não sabemos se elas têm realmente 5 milhões de usuários no Brasil ou se simplesmente não souberam da exigência. O TSE não divulgou números de usuários por país para essas plataformas.

Mark

E se as empresas forem condenadas? Qual é a punição?

Mimi

Aí está o vazio. O TSE só pode descredenciar Meta e Kwai do serviço de anúncios eleitorais. Para as outras, não tem poder de sanção direto. Precisa da Justiça.

Luke

Isso significa que a Procuradoria e os partidos são os guardiões reais. O TSE estabelece as regras, mas não consegue aplicá-las sozinho. É um sistema frágil.

  • Seis das maiores plataformas de IA do mundo — ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek, Claude e Perplexity — receberam ofícios da Procuradoria exigindo explicações sobre como estão cumprindo as regras eleitorais brasileiras.
  • Relatórios independentes e reportagens jornalísticas documentaram que várias dessas plataformas continuam ranqueando candidatos e emitindo posições políticas, em clara violação às resoluções do TSE aprovadas em 2026.
  • DeepSeek, Anthropic e Perplexity sequer apresentaram os planos de conformidade exigidos pelo TSE até o prazo de 16 de agosto, tornando sua situação ainda mais delicada perante a Justiça.
  • O TSE enfrenta um limite estrutural grave: sem equipe suficiente para monitorar todas as plataformas e sem poder de sanção direta sobre a maioria delas, a responsabilidade de acionar a Justiça recai sobre o Ministério Público e os partidos.
  • A investigação agora precisa distinguir entre violação deliberada e simples incapacidade de adaptação — uma distinção que definirá o tom da fiscalização das big techs nas eleições mais digitais da história brasileira.

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, a Procuradoria-Geral Eleitoral deu um passo inédito ao investigar formalmente se as grandes plataformas de inteligência artificial estão respeitando as normas eleitorais brasileiras — normas que proíbem chatbots de ranquear candidatos ou influenciar preferências políticas. O movimento nasce da confluência entre denúncias da sociedade civil, relatórios de pesquisa e reportagens jornalísticas que apontam, de forma convergente, para o descumprimento dessas regras. É um momento em que a democracia se vê diante de um espelho novo: ferramentas capazes de moldar opiniões em escala, ainda sem freios suficientes.

A Procuradoria-Geral Eleitoral abriu investigação formal para apurar se empresas de inteligência artificial estão violando as normas que regem as eleições brasileiras. O primeiro movimento foi solicitar ao TSE as informações colhidas em reuniões que a corte vem mantendo com essas plataformas. A iniciativa foi impulsionada por organizações da sociedade civil — entre elas Conectas Direitos Humanos, Artigo 19 e Sleeping Giants Brasil — que em julho pediram ao Ministério Público que agisse contra as plataformas.

Os ofícios foram enviados a seis empresas: OpenAI, Google, X, DeepSeek, Anthropic e Perplexity. A exigência é direta: que expliquem como estão cumprindo as regras do TSE, que proíbem chatbots de ranquear candidatos, sugerir partidos ou emitir posições favoráveis a qualquer lado da disputa. Relatórios do Observatório IA nas Eleições e do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, além de reportagens publicadas em agosto, documentaram que várias plataformas não estão respeitando essas limitações.

O desafio de fiscalização é estrutural: cada usuário recebe respostas diferentes conforme a forma como pergunta, dificultando a comprovação de padrões de violação. O TSE, por sua vez, não tem equipe suficiente para monitorar todas as empresas nem poder de sanção direta sobre a maioria delas — com exceção de Meta e Kwai, que operam anúncios eleitorais. Na prática, cabe ao Ministério Público e aos partidos acionar a Justiça.

O prazo imposto pelo TSE para apresentação de planos de conformidade era 16 de agosto. OpenAI, Google e X cumpriram. DeepSeek, Anthropic e Perplexity não o fizeram — uma omissão relevante, pois a obrigação valia para qualquer empresa com mais de 5 milhões de usuários no Brasil. A investigação em curso deverá determinar se essa ausência representa violação deliberada ou dificuldade de adaptação a um marco regulatório ainda muito novo.

A Procuradoria-Geral Eleitoral abriu uma investigação formal para apurar se grandes empresas de inteligência artificial estão violando as regras que governam as campanhas eleitorais brasileiras. O passo inicial foi solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral que compartilhasse informações colhidas em reuniões que a corte vem mantendo com essas plataformas, buscando entender melhor como os sistemas funcionam e se cumprem as normas em vigor.

A investigação foi desencadeada por denúncias de organizações da sociedade civil — entre elas Conectas Direitos Humanos, Artigo 19, Sleeping Giants Brasil e Justa — que em julho pediram ao Ministério Público que acionasse a Justiça contra plataformas específicas. Os ofícios foram enviados a seis empresas: OpenAI (responsável pelo ChatGPT), Google (Gemini), X (Grok), DeepSeek, Anthropic (Claude) e Perplexity. O pedido é simples: que expliquem como estão cumprindo as exigências eleitorais aprovadas pelo TSE neste ano.

A resolução do tribunal estabelece regras claras: chatbots de inteligência artificial não podem ranquear candidatos, não podem sugerir partidos ou nomes, e não podem emitir posições que favoreçam um lado ou outro da disputa eleitoral. Mas relatórios produzidos por organizações de pesquisa durante a pré-campanha indicam que várias dessas plataformas não estão respeitando essas limitações. O Observatório IA nas Eleições, formado pela Data Privacy Brasil e pela Aláfia Lab, documentou essas falhas em junho. O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio também conduziu análises entre março e julho através de seu projeto "Boca de IA", com apoio do Ministério Público Federal, chegando a conclusões semelhantes. Reportagens jornalísticas publicadas no fim de agosto — incluindo uma do jornal O Globo e outra do site Jota — confirmaram que as empresas estão descumprindo as normas.

O desafio de fiscalizar essas plataformas é considerável. Cada usuário recebe respostas diferentes dependendo de como faz a pergunta, o que torna difícil estabelecer um padrão de violação. Além disso, o TSE enfrenta limitações estruturais: a corte não tem equipe suficiente para monitorar todas as empresas, e não possui poder de sanção direto sobre a maioria delas. As únicas exceções são Meta e Kwai, que oferecem anúncios eleitorais e podem ser descredenciadas pelo tribunal. Isso significa que, na prática, cabe ao Ministério Público e aos partidos políticos acionarem a Justiça quando detectarem violações.

O cenário é novo e preocupante para as eleições de 2026. Diferentemente de 2022, os chatbots de inteligência artificial agora têm relevância significativa junto aos eleitores, alterando fundamentalmente o ambiente informacional da campanha. Um relatório assinado por 65 entidades identificou essas plataformas como uma das principais ameaças à integridade do processo eleitoral, apontando que elas ainda não possuem políticas abrangentes para proteger as eleições.

O TSE exigiu que as principais plataformas apresentassem planos detalhados de conformidade até 16 de agosto. OpenAI, Google e X cumpriram o prazo. DeepSeek, Anthropic e Perplexity não apresentaram seus planos — uma omissão particularmente relevante porque, segundo as regras do tribunal, qualquer empresa com mais de 5 milhões de usuários no Brasil era obrigada a fazê-lo. A investigação agora em curso pela Procuradoria-Geral Eleitoral deve determinar se essa falta de conformidade constitui violação deliberada das normas eleitorais ou se reflete simplesmente a dificuldade dessas empresas em se adaptarem rapidamente a um novo marco regulatório.

Mostra-se pertinente, para a instrução do feito, que a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral possa colaborar a partir do compartilhamento de suas impressões sobre os entendimentos e reuniões de trabalho que têm sido realizadas
— Vice-procurador geral eleitoral, em ofício ao presidente do TSE
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