14 das 16 principais vacinas do SUS estão abaixo da meta recomendada de cobertura, incluindo poliomielite e febre amarela. Campanhas de vacinação ocorreram simultaneamente em Rio Branco, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para conscientizar famílias.
Brasil tem 14 de 16 vacinas abaixo da meta de cobertura infantil
É uma luta diária para proteger ela
Por que exatamente 14 de 16 vacinas caíram abaixo da meta? Isso é um problema novo ou vinha crescendo?
O material não especifica se é uma queda recente ou uma tendência. O que sabemos é que no momento da reportagem, 14 das 16 principais vacinas infantis do SUS estavam abaixo da cobertura recomendada. A poliomielite em 88% quando deveria estar em 95% é o exemplo mais concreto.
Exatamente — e isso é importante notar. Temos um número específico para poliomielite e febre amarela, mas para as outras 12 vacinas, não há percentuais. Sabemos que estão abaixo da meta, mas não sabemos por quanto. Isso deixa uma lacuna real na compreensão da gravidade.
As campanhas do sábado — em Rio Branco, Curitiba, São Paulo, Rio e Belo Horizonte — conseguiram recuperar essas coberturas?
A reportagem mostra que as campanhas aconteceram, que havia voluntários, que famílias compareceram. Mas não há dados sobre quantas pessoas foram vacinadas ou qual foi o impacto nos números de cobertura. É um retrato do esforço, não do resultado.
Isso é crucial. Vemos a mobilização, ouvimos as histórias pessoais, mas não sabemos se funcionou. Pode ser que tenha sido um evento simbólico importante, mas sem números de adesão ou mudança nas taxas, é difícil avaliar o alcance real.
A pesquisadora da Fiocruz fala que as vacinas são eficazes e seguras. Há alguma indicação de por que as pessoas não estão vacinando?
A reportagem não explora as razões. Não há menção a hesitação vacinal, falta de acesso, problemas logísticos ou qualquer barreira específica. Apenas que a cobertura está baixa e que há necessidade de ampliar.
Isso é uma lacuna importante. Sem entender por que as coberturas caíram, é difícil saber se mais campanhas vão resolver o problema ou se há questões mais profundas — confiança, infraestrutura, informação — que precisam ser abordadas.
As crianças entrevistadas, Estela e Helena, parecem entender bem a importância. Isso é representativo?
Elas saíram da campanha com essa compreensão, mas a reportagem não nos diz se essa é a experiência típica das famílias ou se é um caso isolado de conscientização bem-sucedida.
E é importante lembrar que essas crianças estavam em um evento de vacinação, cercadas por mensagens sobre a importância das vacinas. Não sabemos como as famílias que não compareceram pensam sobre o assunto. A reportagem capta quem já está engajado, não necessariamente quem está fora.
O Pulso
- 14 das 16 principais vacinas infantis do SUS estão abaixo da meta de cobertura recomendada
- Poliomielite tem 88% de cobertura quando a meta é 95%
- Campanhas de vacinação ocorreram simultaneamente em Rio Branco, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte no sábado
- Cerca de 300 voluntários participaram da mobilização em Curitiba
14 das 16 principais vacinas do SUS estão abaixo da meta recomendada de cobertura, incluindo poliomielite e febre amarela. Campanhas de vacinação ocorreram simultaneamente em Rio Branco, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para conscientizar famílias.
O Brasil não atingiu a meta de vacinação em 14 de 16 principais imunizantes infantis, com poliomielite em 88% quando o alvo é 95%. Mobilização nacional ocorre para recuperar coberturas.
No sábado passado, enquanto cidades brasileiras se mobilizavam em campanhas de vacinação, uma realidade incômoda se tornava mais visível: o Brasil não conseguiu atingir as metas de proteção em 14 das 16 principais vacinas oferecidas pelo SUS para crianças até um ano de idade. A poliomielite, doença que o país havia eliminado há décadas, agora alcança apenas 88% de cobertura quando o objetivo é 95%. A febre amarela enfrenta situação semelhante, distante da meta estabelecida.
Em Rio Branco, Ana Clara aproveitou o sábado para reforçar a imunização de sua filha Aurora. "É uma luta diária para proteger ela. E agora com a vacina é como se a gente desse uma respirada", disse. Seu gesto refletia o que acontecia simultaneamente em outras capitais. Em Curitiba, cerca de 300 voluntários se dedicaram a atualizar calendários de vacinação e esclarecer dúvidas da população. Cintia Ligia Olichevi, dentista, estava entre eles. "Porque eu acho importante ter o contato com a ciência e também pra fazer uma coisa diferente no sábado de manhã", explicou sobre sua participação.
A mobilização se estendeu por várias cidades. São Paulo concentrou esforços nas pessoas com mais de 60 anos. No Rio de Janeiro, o Zé Gotinha — mascote tradicional das campanhas de vacinação — marcou presença no campus da fundação em Manguinhos, transformando o espaço em festa para as crianças. Muitas famílias compareceram para se vacinar. Em Belo Horizonte, Rafael da Silva Peixoto, designer, renovou sua dose contra o tétano. "A gente sabe do benefício da vacina.. não é uma coisa que dá para negligenciar não...", comentou.
Andréia Teixeira Carvalho, pesquisadora da Fiocruz em Minas Gerais, explicou o propósito das campanhas: "Nós estamos hoje aqui no evento com o slogan Vacina é vida. A importância das vacinas mencionar para a população que as vacinas são eficazes e seguras e que nos protegem contra doenças infecciosas graves". Sua fala resumia a urgência por trás da mobilização nacional — não se tratava apenas de números, mas de proteção concreta contra doenças que podem ser fatais.
Os dados do Ministério da Saúde revelam a dimensão do desafio. Das 16 principais vacinas para bebês de até um ano, 14 não alcançaram a cobertura recomendada. A poliomielite, com seus 88%, exemplifica a lacuna entre o que se consegue e o que se precisa. Quando a meta é 95%, cada ponto percentual representa milhares de crianças sem proteção adequada contra um vírus que pode causar paralisia permanente.
Em Belo Horizonte, duas irmãs, Estela e Helena, saíram da campanha com uma lição aprendida. "A vacina é para derrotar os virus", disse Estela. Quando perguntada se havia derrotado o vírus, respondeu com convicção: "Sim. Eu quero todo mundo tomando sua vacina". Sua resposta, simples e direta, capturava o que os especialistas tentavam comunicar — que a vacinação é um ato coletivo, uma proteção que funciona quando a maioria está protegida.
O Brasil enfrenta agora a tarefa de recuperar essas coberturas. As vacinas estão disponíveis nos postos de saúde do SUS, mas a cobertura inadequada sugere barreiras que vão além da disponibilidade — questões de acesso, confiança, informação ou simplesmente oportunidade. A campanha do sábado foi um passo, mas o desafio permanece: transformar mobilização em rotina, e números em proteção real para as crianças brasileiras.
Citações Notáveis
As vacinas são eficazes e seguras e nos protegem contra doenças infecciosas graves— Andréia Teixeira Carvalho, pesquisadora da Fiocruz/MG
Eu quero todo mundo tomando sua vacina— Estela, criança em Belo Horizonte