Governo lança Desenrola especial para MEI negociar dívidas no primeiro trimestre

Quem recebe R$ 7,5 mil e quem recebe R$ 300 pagam o mesmo
Ministro aponta desigualdade no sistema de contribuição do MEI e propõe alíquotas progressivas.

Em meio a um universo de 15 milhões de microempreendedores individuais no Brasil, cerca de sete milhões carregam o peso de dívidas com o governo — uma realidade que o novo ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, decidiram enfrentar com uma versão adaptada do Programa Desenrola. A iniciativa, encomendada pelo presidente Lula e prevista para o primeiro trimestre de 2024, reflete uma tensão antiga entre o impulso empreendedor popular e as estruturas tributárias que nem sempre acompanham a escala humana dos pequenos negócios. Mais do que um programa de renegociação, o que se desenha é uma tentativa de reequilibrar a relação entre o Estado e aqueles que constroem a economia a partir de suas próprias mãos.

  • Sete milhões de MEIs endividados com o governo representam uma pressão silenciosa sobre a base mais vulnerável da economia brasileira.
  • O ministro França saiu de reunião com Haddad otimista: a equipe econômica fará os cálculos para viabilizar o Desenrola para pessoas jurídicas ainda no primeiro trimestre de 2024.
  • O prazo de adesão ao Simples Nacional, que venceu em janeiro, pode ser prorrogado até abril ou maio — uma decisão que Haddad deveria confirmar até o fim da semana.
  • A implementação do Desenrola para MEIs pode ocorrer em etapas, seguindo o modelo já adotado na versão para pessoas físicas, que encerra em 31 de março.
  • França propõe substituir a contribuição fixa do MEI por uma alíquota progressiva, eliminando a injustiça de quem ganha sete mil e quinhentos reais pagar o mesmo que quem ganha trezentos.

Márcio França, recém-empossado à frente do Ministério do Empreendedorismo, saiu de uma reunião com Fernando Haddad com uma missão concreta: estruturar uma versão do Programa Desenrola voltada exclusivamente para microempreendedores individuais. O presidente Lula havia encomendado a iniciativa, e Haddad demonstrou receptividade, comprometendo sua equipe econômica a realizar os cálculos necessários para o lançamento ainda no primeiro trimestre de 2024.

O alcance do problema é expressivo: dos 15 milhões de MEIs no Brasil, cerca de sete milhões acumulam dívidas com o governo, muitas delas contraídas por meio do Pronampe. A ideia de um Desenrola para pessoas jurídicas não é nova — foi apresentada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin em novembro do ano anterior —, mas agora ganha cronograma e respaldo político mais firme. França não descartou uma implementação em etapas, à semelhança do que ocorreu com a versão destinada a pessoas físicas.

Paralelamente, o governo estuda prorrogar o prazo de adesão ao Simples Nacional, originalmente encerrado em 31 de janeiro, para abril ou maio. França sugeriu que a nova data pudesse coincidir com o Dia das Mães, oferecendo um fôlego adicional aos pequenos empresários. A medida, tecnicamente simples de executar por resolução, também serviria para preparar melhor o terreno para o Desenrola.

Nas conversas com Haddad, França levantou ainda uma proposta estrutural: substituir a contribuição fixa mensal do MEI — hoje de setenta e seis reais, independentemente do faturamento — por um sistema de alíquotas progressivas. O argumento é de equidade: quem ganha sete mil e quinhentos reais por mês não deveria pagar o mesmo que quem ganha trezentos. A reforma tributária em curso seria a janela ideal para corrigir essa distorção.

Márcio França, recém-empossado ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, saiu de uma reunião com o ministro da Fazenda Fernando Haddad com uma tarefa clara: criar uma versão do Programa Desenrola feita sob medida para microempreendedores individuais. O presidente Lula havia encomendado a missão, e França deixou o encontro otimista. Haddad, segundo ele, mostrou-se receptivo à ideia e prometeu que sua equipe econômica faria os cálculos necessários para viabilizar o programa ainda no primeiro trimestre do ano.

O alcance potencial é considerável. Cerca de sete milhões de microempreendedores individuais carregam dívidas com o governo — um contingente significativo dentro do universo de 15 milhões de MEIs espalhados pelo país. O novo Desenrola para pessoas jurídicas teria como foco inicial as dívidas contraídas através do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conhecido como Pronampe. A ideia não é nova: foi apresentada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em novembro do ano anterior. Agora, porém, ganha tração e cronograma definido.

França não descartou que a implementação ocorra em etapas, assim como aconteceu com a versão do Desenrola destinada a pessoas físicas, que começou em julho e está programada para encerrar em 31 de março. Essa flexibilidade sugere que o governo está preparado para ajustar o ritmo conforme as necessidades operacionais se revelarem.

Paralelamente, o ministério estuda outras medidas de alívio para o setor de pequenos negócios. Uma delas envolve a prorrogação do prazo para adesão ao Simples Nacional, o regime especial de tributação. O vencimento original era 31 de janeiro, mas há discussão sobre empurrar a data para abril ou maio — uma mudança que França sugeriu que pudesse coincidir com o Dia das Mães, oferecendo um respiro adicional aos pequenos empresários. Haddad deveria fornecer uma resposta sobre essa extensão até o fim daquela semana. A prorrogação, segundo França, é tecnicamente simples de executar através de uma resolução, e o período extra serviria para preparar melhor a implementação do Desenrola.

Além das questões imediatas de renegociação de dívidas, França e Haddad conversaram sobre os impactos da reforma tributária nas micro e pequenas empresas. O ministro do Empreendedorismo vê nessa janela de oportunidade o momento ideal para fazer ajustes estruturais. Uma de suas propostas é revisar os limites de faturamento para o microempreendedor individual, eliminando os cortes abruptos que hoje existem entre a categoria MEI e as microempresas. Ele exemplificou o problema: um MEI que recebe sete mil e quinhentos reais por mês e outro que recebe trezentos reais pagam a mesma contribuição mensal de setenta e seis reais. França propôs um sistema de rampa progressiva, similar ao usado no Imposto de Renda, onde cada contribuinte pagaria proporcionalmente ao seu faturamento. Essa abordagem buscaria maior equidade e justiça fiscal dentro do segmento.

O presidente Lula ontem me encomendou algumas tarefas, dentre as quais criar um Desenrola específico para pessoa jurídica
— Márcio França, ministro do Empreendedorismo
O Haddad está muito otimista com relação aos números, e a gente acha que neste primeiro trimestre já tem condição de fazer alguma coisa
— Márcio França
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o governo está lançando essa versão específica do Desenrola agora, e não antes?

Model

Porque há um reconhecimento de que os MEIs carregam um peso de dívidas que os impede de crescer. Sete milhões de pessoas presas a débitos com o governo — isso é um freio na economia. O Desenrola para pessoas físicas funcionou, então a lógica é replicar o modelo para quem tem CNPJ.

Inventor

E qual é a diferença entre essa versão e a que já existe?

Model

A versão anterior era para pessoas físicas — você como indivíduo. Essa nova é para quem tem negócio registrado, quem tem empresa. As dívidas são diferentes também: aqui estamos falando principalmente de empréstimos do Pronampe, que é um programa de crédito específico para pequenos negócios.

Inventor

Sete milhões é muito? Parece muito.

Model

De um universo de 15 milhões de MEIs no país, sete milhões com dívidas significa que quase metade está endividada. Isso dá a dimensão do problema. Não é um nicho — é uma crise silenciosa.

Inventor

O ministro parecia confiante que isso sairia no primeiro trimestre. Ele tinha razão em ser?

Model

Ele estava otimista, mas cauteloso. Disse que "tem condição de fazer alguma coisa", não que teria pronto. E deixou aberta a possibilidade de fases, como aconteceu com a versão anterior. Então havia esperança, mas também realismo sobre os prazos.

Inventor

E essa história do Simples Nacional, prorrogando o prazo — isso é relacionado?

Model

Sim e não. Tecnicamente são coisas diferentes, mas estrategicamente estão conectadas. Ao prorrogar o prazo do Simples, o governo ganha tempo para preparar melhor o Desenrola. É como dizer: "Vocês têm mais tempo para decidir sobre tributação enquanto a gente organiza a renegociação de dívidas".

Inventor

E essa proposta de rampa progressiva para o MEI — é viável?

Model

Teoricamente sim. O governo já usa rampa no Imposto de Renda, então o modelo existe. A questão é política e administrativa. Mas a ideia é clara: quem ganha mais deveria pagar mais, mesmo dentro da categoria MEI. Hoje é tudo ou nada, o que é injusto.

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