Gerdau agrada no 3T26 com EUA e caixa robusto, mas ação GGBR4 cai 2,75%

O forte da Gerdau está nos EUA; a fraqueza, em casa
Bancos elogiam a América do Norte, mas apontam demanda fraca no Brasil e margens menores no 4T26.
Mark

O balanço foi bom e a ação caiu. Por que essa diferença?

Mimi

A matéria não explica a queda. Mostra um lucro de R$ 1,52 bilhão, margem recorde na América do Norte e caixa forte, mas também sinais de cautela para o quarto trimestre.

Luke

Convém separar: a queda de 2,75% é fato; qualquer causa seria suposição. O texto só diz que a ação abriu em alta e fechou em baixa.

Mark

Qual foi o destaque do trimestre?

Mimi

A América do Norte. A margem Ebitda de 27,7%, segundo o Goldman Sachs, foi a maior em 15 trimestres, com preços 5% maiores em dólares.

Luke

Esse número vem do Goldman, não de uma checagem independente. Os demais bancos concordam na direção, mas não repetem o dado.

Mark

E o Brasil?

Mimi

Surpreendeu positivamente pelo mix mais rentável, mas aços longos caíram 12% no ano e os juros pesam na construção.

Luke

Ou seja, o bom resultado brasileiro veio de composição de vendas, não de demanda mais forte. E a América do Sul decepcionou, com Ebitda 10,6% abaixo da estimativa do JPMorgan.

Mark

Os bancos recomendam comprar?

Mimi

Divergem. JPMorgan recomenda compra, com alvo de R$ 35; Goldman e BBI são neutros, e o Goldman fixa alvo de R$ 29.

Luke

Vale notar que o alvo do Goldman está acima do fechamento de R$ 24,75, mesmo com recomendação neutra. E ninguém prevê ainda o tamanho da pressão das margens no quarto trimestre.

  • A ação GGBR4 abriu em alta, mas virou e fechou cotada a R$ 24,75, em queda de 2,75%, num dia em que o balanço recebeu elogios.
  • A margem EBITDA da operação norte-americana atingiu 27,7%, a maior em 15 trimestres, puxada por preços 5% mais altos e vigas e perfis 3% maiores.
  • As vendas de aços longos no Brasil caíram 12% na comparação anual, enquanto os juros elevados travam a construção civil e importações indiretas pressionam os aços planos.
  • A América do Sul virou ponto fraco, com EBITDA de R$ 160 milhões, queda de 21,9% sobre o trimestre anterior e 10,6% abaixo do esperado.
  • Para o 4T26, analistas se dividem: a parada em Midlothian e a queda do preço do aço apertam as margens, enquanto a geração de caixa e a recompra seguram a tese.

Numa terça-feira de outubro, a Gerdau viu sua ação preferencial recuar 2,75% mesmo após apresentar um terceiro trimestre de 2026 que os analistas consideraram sólido. O lucro de R$ 1,52 bilhão, com alta anual de quase 40%, veio sustentado sobretudo pela América do Norte, onde a siderúrgica encontrou uma combinação rara de preços firmes, custos controlados e carteira de pedidos robusta. Mas o mercado olha para além do retrovisor: no Brasil, a demanda por aço enfraquece sob juros altos, e a memória de um ciclo de preços em retração já projeta sombras sobre o próximo trimestre.

Na terça-feira (27), a Gerdau viveu um dia de contrastes na bolsa. A ação preferencial GGBR4 chegou a abrir em alta, mas terminou em queda de 2,75%, cotada a R$ 24,75. O motivo não estava no balanço: o terceiro trimestre de 2026 foi bem avaliado pelos bancos, com lucro de R$ 1,52 bilhão, alta anual de 39,7%.

O grande motor foi a América do Norte. Segundo o Goldman Sachs, a margem Ebitda da região chegou a 27,7%, a maior em 15 trimestres, com volumes resilientes de vigas e perfis, preços 5% mais altos em dólares e uma carteira de pedidos acima de 100 dias. A geração de caixa, de R$ 1,4 bilhão, também foi elogiada, e a empresa anunciou dividendos de R$ 0,34 por ação.

No Brasil, o resultado superou as expectativas, mas a preocupação está no horizonte. As vendas de aços longos caíram 12% no ano e 11% no acumulado do ano, com os juros altos pesando sobre a construção civil. Já a América do Sul foi o ponto fraco, com Ebitda de R$ 160 milhões, abaixo do esperado pelo JPMorgan.

Para o quarto trimestre, o quadro é misto. Os preços defasados ainda devem ajudar, mas volumes menores e paradas, como a de Midlothian, pressionam. As recomendações divergem: a XP mantém a Gerdau como preferida no setor, o JPMorgan segue com compra, e o Goldman e o BBI permanecem neutros.

A pergunta que fica é se a força americana conseguirá compensar a fraqueza brasileira e a queda dos preços do aço.

Na terça-feira (27), a ação preferencial da Gerdau, a GGBR4, abriu o pregão em alta, mas terminou o dia em queda de 2,75%, cotada a R$ 24,75. O movimento contrasta com o tom do balanço do terceiro trimestre de 2026, que os bancos consultados avaliaram como positivo. A siderúrgica registrou lucro de R$ 1,52 bilhão no período, alta anual de 39,7%.

O principal motor foi a América do Norte. Segundo o Goldman Sachs, a operação teve margem Ebitda de 27,7%, a maior em 15 trimestres. O banco atribui o resultado a volumes resilientes de vigas e perfis, que cresceram 3% sobre o mesmo período do ano anterior, a preços realizados 5% mais altos em dólares na comparação trimestral, ao controle de custos e a uma carteira de pedidos superior a 100 dias. A XP Investimentos, por meio dos analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, também destacou a expansão das margens na região sobre o trimestre anterior, impulsionada pela alta dos preços do aço.

A geração de caixa foi outro ponto elogiado. De acordo com o Bradesco BBI, ela chegou a R$ 1,4 bilhão no trimestre, apoiada por bons resultados operacionais e por menor consumo de capital de giro. A Gerdau também anunciou dividendos de R$ 0,34 por ação, o que representa um dividend yield anualizado de 5,4%, e avançou no programa de recompra de ações.

No Brasil, o desempenho superou o esperado pelo Goldman Sachs, sobretudo por um mix de vendas mais rentável, com menor peso das exportações. A preocupação está adiante: a demanda doméstica enfraquece. As vendas de aços longos caíram 12% na comparação anual e 11% no acumulado dos nove primeiros meses de 2026, em parte pelo efeito dos juros elevados sobre a construção civil. No segmento de aços planos, o mercado começa a sentir o pico de importações indiretas.

O ponto mais fraco veio da América do Sul. O JPMorgan apontou a região como destaque negativo: o Ebitda foi de R$ 160 milhões, queda de 21,9% sobre o trimestre anterior e 10,6% abaixo da estimativa do banco, por causa de custos mais elevados.

Para o quarto trimestre, o quadro é misto. O Goldman Sachs afirma que o efeito defasado dos reajustes de preço deve continuar ajudando, enquanto volumes menores e custos de paradas operacionais pesam. A XP lembra que a Nucor espera lucros estáveis ou ligeiramente maiores, mas vê limites para novos ganhos de margem, por causa da sazonalidade dos volumes e da manutenção da unidade de Midlothian. O Itaú BBA mantém visão positiva para a operação, já que as margens na América do Norte seguiram sólidas mesmo com a parada programada em Midlothian. Já no Brasil, a XP espera margens menores, conforme preços mais baixos do aço entrem nos resultados.

As recomendações divergem. A XP mantém a Gerdau como nome preferido em Mineração e Siderurgia, apoiada na geração de caixa livre nos EUA em 2027 e na exposição comprada em dólares num ambiente doméstico desafiador. O Goldman Sachs reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 29, e o BBI também ficou neutro, ainda que reconheça que a resiliência norte-americana e o câmbio favorável devem sustentar os lucros. O JPMorgan manteve compra, com preço-alvo de R$ 35.

O que fica para os próximos meses é saber se a força dos Estados Unidos compensará a fraqueza da demanda no Brasil e o recuo dos preços do aço no quarto trimestre.

O JPMorgan manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35, enquanto Goldman Sachs e BBI seguem neutros.
— JPMorgan, Goldman Sachs e Bradesco BBI, conforme reportado
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