Na Baixada Santista, onde o mar encontra a periferia urbana, a CPFL concluiu uma operação que trouxe à superfície aquilo que a rede elétrica já sentia: 873 casos de furto de energia em Santos, São Vicente e Praia Grande, com 1,5 milhão de quilowatts-hora recuperados. Praia Grande concentrou mais de 70% das irregularidades, revelando não uma falha dispersa, mas um problema com raízes geográficas definidas. A operação chega num momento em que a lei também se endureceu — a pena máxima para furto de energia subiu de quatro para seis anos de reclusão em 2026 —, sinalizando que a sociedade começa a
Furto de energia: 873 casos identificados na Baixada Santista em operação da CPFL
1,5 milhão de kWh recuperados — energia para centenas de casas por um ano
Por que Praia Grande concentra mais de 70% dos casos? Há algo específico naquela cidade?
Os números mostram que sim, mas a CPFL não detalha as razões. Pode ser densidade populacional, padrão de ocupação, ou simplesmente que a fiscalização foi mais intensiva ali.
Exatamente — não sabemos se Praia Grande tem mais furtos ou se a CPFL encontrou mais furtos lá. São coisas diferentes.
E quanto aos "gatos"? Como alguém consegue fazer uma ligação clandestina sem ser descoberto?
É tecnicamente simples — você conecta um fio direto à rede antes do medidor. O problema é que deixa sinais: consumo que não bate com o padrão, oscilações na rede, risco de incêndio.
A CPFL diz que usou análises técnicas para identificar os casos. Mas não explica qual foi o gatilho — se foi uma denúncia, uma inspeção de rotina, ou um padrão anômalo detectado automaticamente.
Qual é o impacto real para quem paga a conta corretamente?
Quando há muitos "gatos" funcionando, a rede fica sobrecarregada. Você pode ter oscilações, quedas de energia. E essas perdas entram no cálculo tarifário — então, teoricamente, quem paga está subsidiando quem rouba.
Teoricamente. A CPFL menciona que as perdas são consideradas na revisão tarifária, mas não diz quanto isso representa em reais na conta do consumidor.
A pena aumentou. Isso vai mudar alguma coisa?
Aumentar de 4 para 6 anos é significativo. Mas a questão é se a lei vai ser aplicada. Quantas pessoas foram presas por furto de energia antes?
Boa pergunta. A reportagem não diz. Sabemos que 873 casos foram identificados, mas não sabemos quantas denúncias viraram processos, quantas viraram condenações.
Il Polso
- Praia Grande concentrou 624 dos 873 casos identificados, expondo uma vulnerabilidade territorial que vai muito além de episódios isolados.
- Ligações clandestinas e medidores adulterados sobrecarregam a rede e elevam o risco de curtos-circuitos, incêndios e choques elétricos para quem paga a conta corretamente.
- A CPFL combinou inspeções de rotina, análise de padrões de consumo, denúncias de moradores e operações policiais para mapear práticas que vinham passando despercebidas.
- As perdas por furto entram nos cálculos tarifários da ANEEL, o que significa que reduzir esses índices pode influenciar diretamente o valor pago por todos os consumidores.
- A Lei nº 15.397/2026 elevou a pena máxima para seis anos de reclusão, e a CPFL mantém canais de denúncia anônima abertos para sustentar a vigilância além da operação.
Na Baixada Santista, onde o mar encontra a periferia urbana, a CPFL concluiu uma operação que trouxe à superfície aquilo que a rede elétrica já sentia: 873 casos de furto de energia em Santos, São Vicente e Praia Grande, com 1,5 milhão de quilowatts-hora recuperados. Praia Grande concentrou mais de 70% das irregularidades, revelando não uma falha dispersa, mas um problema com raízes geográficas definidas. A operação chega num momento em que a lei também se endureceu — a pena máxima para furto de energia subiu de quatro para seis anos de reclusão em 2026 —, sinalizando que a sociedade começa a tratar a subtração invisível de eletricidade com a mesma seriedade que outros crimes contra o patrimônio coletivo.
A CPFL encerrou uma operação de fiscalização na Baixada Santista com um resultado que superou as estimativas iniciais: 873 casos de furto de energia identificados em três municípios — Santos, São Vicente e Praia Grande —, com 1,5 milhão de quilowatts-hora recuperados, volume suficiente para abastecer centenas de residências por um ano inteiro.
Praia Grande carregou o peso maior do problema. Dos 873 casos, 624 foram registrados ali, mais de 70% do total. São Vicente respondeu por 166 ocorrências e Santos por 83. A concentração geográfica indica que o fenômeno não é aleatório, mas enraizado em regiões específicas da região.
Para chegar a esses números, a concessionária combinou inspeções de rotina, análise técnica de padrões de consumo, denúncias de moradores e, quando necessário, operações conjuntas com a polícia. As irregularidades seguiam um padrão reconhecível: os chamados 'gatos' — conexões diretas que contornam o medidor — e aparelhos adulterados para registrar menos consumo do que o real.
As consequências vão além do prejuízo financeiro. Quando múltiplas ligações clandestinas operam simultaneamente, a rede sofre sobrecargas, oscilações e interrupções que penalizam quem paga regularmente. O risco de incêndio e choque elétrico também cresce. Há ainda um impacto regulatório: as perdas por furto são consideradas nos processos de revisão tarifária da ANEEL, e reduzi-las pode influenciar o que todos os consumidores pagam.
O contexto legal também mudou. A Lei nº 15.397/2026, sancionada em maio, elevou a pena máxima para furto de energia de quatro para seis anos de reclusão. A CPFL mantém abertos os canais de denúncia anônima — pelo aplicativo, pelo site e pelo atendimento telefônico — sinalizando que a operação estabelece um novo patamar de vigilância, não um ponto final.
A CPFL encerrou uma operação de fiscalização na Baixada Santista que revelou um problema mais amplo do que se suspeitava. Em três cidades — Santos, São Vicente e Praia Grande — a concessionária identificou 873 casos de furto de energia. O volume recuperado foi substancial: 1,5 milhão de quilowatts-hora, energia suficiente para abastecer centenas de casas durante um ano inteiro.
Praia Grande carregava o peso maior dessa irregularidade. Dos 873 casos, 624 ocorreram ali — mais de 70% do total. São Vicente registrou 166 ocorrências, enquanto Santos teve 83. Os números revelam uma concentração geográfica clara, sugerindo que o problema não é disperso, mas enraizado em determinadas regiões.
O trabalho de identificação não foi simples. A CPFL usou múltiplas frentes: inspeções de rotina, análises técnicas dos padrões de consumo, denúncias que chegavam de moradores e, quando necessário, operações conjuntas com a polícia. Essa abordagem multifacetada permitiu mapear práticas que vinham passando despercebidas.
As irregularidades encontradas seguem um padrão conhecido. Havia ligações clandestinas — os chamados "gatos", conexões diretas que pulam o medidor. Havia também adulterações nos próprios medidores, aparelhos que foram alterados para registrar menos consumo do que o real. Todas essas intervenções compartilhavam um objetivo comum: impedir que o consumo fosse contabilizado corretamente.
Essas práticas têm consequências que vão além do roubo em si. Quando muitas ligações clandestinas funcionam simultaneamente, a rede elétrica sofre. Há sobrecarga, oscilações no fornecimento e interrupções que afetam consumidores legítimos. O risco de curto-circuito aumenta, assim como o perigo de incêndio e choque elétrico. A segurança fica comprometida.
Para a CPFL, a operação também tem um significado regulatório. As perdas de energia — incluindo aquelas causadas por furtos — são consideradas nos processos de revisão tarifária conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Reduzir essas perdas pode impactar os cálculos que determinam quanto os consumidores pagam. É um incentivo institucional para combater o problema.
O marco legal também mudou recentemente. Até maio de 2026, o furto de energia era punido com pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa. A Lei nº 15.397/2026 aumentou essa pena para um a seis anos. O Código Penal equipara a energia elétrica a uma coisa móvel para fins de crime de furto, o que significa que a legislação criminal comum se aplica. A mudança na lei reflete uma decisão de aumentar a severidade das consequências.
A CPFL deixou abertos os canais para que moradores continuem denunciando irregularidades. Quem suspeita de ligações clandestinas ou medidores adulterados pode fazer denúncias anônimas pelo aplicativo CPFL Energia, pelo site da concessionária ou pelos canais de atendimento. A operação não termina; ela estabelece um novo patamar de vigilância.
Citazioni salienti
As irregularidades incluem ligações clandestinas, adulterações de medidores e outras intervenções feitas para reduzir ou impedir o registro correto do consumo de energia— CPFL
Essas práticas podem provocar sobrecarga na rede elétrica, oscilações e interrupções no fornecimento, além de aumentar o risco de curto-circuito, incêndio e choque elétrico— CPFL