Em Bogotá, a Fundação Gabo anunciou que a fotojornalista brasileira Gabriela Biló, da Folha de S.Paulo, venceu o prêmio Gabo de Jornalismo na categoria fotografia — um reconhecimento que chega pelo ensaio 'Como sobrevivem as democracias', construído nos corredores do STF durante o julgamento histórico de Bolsonaro em 2025. O prêmio, criado em honra a García Márquez, celebra a crença de que o jornalismo é uma forma de guardar a memória do que importa. Biló fez o que poucos conseguem: transformou uma ideia abstrata — a democracia — em imagem concreta, silenciosa e irretocável.
Fotojornalista da Folha ganha prêmio Gabo por cobertura do julgamento de Bolsonaro
A composição das fotos é irretocável
Por que uma série de fotografias sobre um julgamento consegue dizer algo que um texto não diz?
Porque há coisas que só existem quando você as vê. A expressão de um ministro no momento da votação, a forma como as pessoas se movem nos corredores, o peso do silêncio — isso não cabe bem em palavras.
Mas democracia é um conceito. Como você fotografa um conceito?
Você não fotografa a democracia. Você fotografa as pessoas que a sustentam, os momentos em que ela está sendo testada. O julgamento é o conceito em ação.
Os jurados disseram que a composição é "irretocável". O que isso significa na prática?
Significa que cada foto foi pensada. Não é acaso. É a escolha de onde ficar, quando apertar o botão, o que deixar dentro do quadro e o que deixar fora.
Você trabalha em Brasília há alguns anos. Como é documentar o poder de tão perto?
É estar sempre atento. O poder não anuncia quando vai fazer algo interessante. Você tem que estar lá, presente, esperando o momento que revela a verdade.
E quando você vê a foto pronta, sabe que funcionou?
Sim. Quando você consegue olhar para uma imagem e sentir que algo importante foi capturado, que ela vai fazer alguém entender melhor o que aconteceu — aí você sabe.
O Pulso
- Um julgamento que dividiu o Brasil encontrou na lente de Biló não o barulho do palanque, mas os gestos e silêncios que definem um momento histórico.
- A composição fotográfica foi tão precisa que os jurados do Gabo a descreveram como irretocável — rara distinção num campo onde estar presente não é suficiente.
- O ensaio premiado integra um projeto maior, com dois livros e um podcast, revelando um jornalismo que recusa o isolamento e busca o diálogo entre linguagens.
- O Brasil chegou à edição com força incomum: 16 trabalhos entre os 50 selecionados de 1.915 inscrições, sinalizando uma geração disposta ao jornalismo lento e cuidadoso.
- O reconhecimento internacional chega num momento em que documentar a democracia brasileira deixou de ser exercício retórico e passou a ser ato de resistência visual.
Em Bogotá, a Fundação Gabo anunciou que a fotojornalista brasileira Gabriela Biló, da Folha de S.Paulo, venceu o prêmio Gabo de Jornalismo na categoria fotografia — um reconhecimento que chega pelo ensaio 'Como sobrevivem as democracias', construído nos corredores do STF durante o julgamento histórico de Bolsonaro em 2025. O prêmio, criado em honra a García Márquez, celebra a crença de que o jornalismo é uma forma de guardar a memória do que importa. Biló fez o que poucos conseguem: transformou uma ideia abstrata — a democracia — em imagem concreta, silenciosa e irretocável.
Gabriela Biló estava em Brasília quando soube que havia vencido o prêmio Gabo de Jornalismo na categoria fotografia. O anúncio veio de Bogotá, na Colômbia, onde a Fundação Gabo reúne anualmente os melhores trabalhos jornalísticos das Américas.
O ensaio premiado, 'Como sobrevivem as democracias', acompanha os corredores do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento que, em 2025, condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Não há comícios nem discursos — há gestos, silêncios e rostos que compõem um dos momentos mais simbólicos da democracia brasileira recente. Os jurados elogiaram a capacidade do trabalho de tornar visível o que é abstrato: 'A composição das fotos é irretocável', escreveram.
Biló não chegou ao prêmio por acaso. Desde 2022 na Folha, dedicou-se a documentar os bastidores do poder em Brasília. O ensaio premiado se conecta a dois livros feitos em parceria com Pedro Inoue e a equipe do podcast 'Medo e Delírio em Brasília', ampliando o alcance do que pode ser dito sobre o que aconteceu no país.
O Brasil marcou presença forte nesta edição: 16 trabalhos entre os 50 selecionados de 1.915 inscrições. Mais do que um número, é um sinal de que há jornalistas dispostos a fazer o trabalho paciente de documentar o presente — na crença, compartilhada por García Márquez, de que o jornalismo importa.
Gabriela Biló estava em Brasília quando a notícia chegou. A fotojornalista da Folha, que desde 2022 documenta os bastidores do poder na capital federal, havia vencido o prêmio Gabo de Jornalismo na categoria fotografia. O anúncio saiu na sexta-feira, 24 de julho, direto de Bogotá, na Colômbia, onde a Fundação Gabo reúne anualmente os melhores trabalhos de jornalismo das Américas.
O reconhecimento veio pelo ensaio "Como sobrevivem as democracias", uma série de fotografias que acompanha os corredores do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento que, em 2025, condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Não é um trabalho sobre política no sentido convencional — não há discursos de palanque, não há comícios. É um retrato visual dos bastidores, das pessoas que circulam dentro e fora do plenário, dos gestos e dos silêncios que compõem um dos momentos mais simbólicos da democracia brasileira recente.
Os jurados da Fundação Gabo reconheceram algo que não é fácil de fazer: transformar uma ideia abstrata em imagem. "Ainda que a democracia seja uma ideia abstrata e difícil de representar", escreveram, "o trabalho torna isso possível. A composição das fotos é irretocável." Essa precisão na composição — cada elemento no lugar certo, cada luz capturando o que importa — é o que distingue fotojornalismo de simplesmente estar lá com uma câmera.
Biló não é nova nessa conversa. Desde que chegou à Folha, tem se dedicado a documentar os momentos que definem o país. Além do ensaio premiado, ela colaborou em dois livros: "Juízo Final: Tentativa e Fracasso do Golpe no Brasil", que reconstrói toda a trama golpista até o julgamento, e "A Verdade vos Libertará", ambos feitos em parceria com Pedro Inoue e a equipe do podcast "Medo e Delírio em Brasília". Seu trabalho não fica isolado em uma foto — ele dialoga com outras formas de narrativa, ampliando o que pode ser dito sobre o que aconteceu.
O prêmio Gabo existe porque Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, acreditava que o jornalismo importava. A Fundação que leva seu nome premia trabalhos que refletem essa crença. Nesta edição, o Brasil chegou forte: 16 trabalhos brasileiros entre os 50 selecionados de um total de 1.915 inscrições vindas de toda a região. Não é apenas um número — é um sinal de que há fotojornalistas, repórteres e editores no país dispostos a fazer o trabalho lento, cuidadoso, de documentar o que está acontecendo.
Citações Notáveis
Ainda que a democracia seja uma ideia abstrata e difícil de representar, o trabalho torna isso possível. A composição das fotos é irretocável.— Jurados do prêmio Gabo de Jornalismo