Fóssil revela dinossauro do Cretáceo que se alimentava de frutas e mastigava com movimentos laterais

Em vez de caçar outros animais, ele era especializado em comer frutas
O Infernogallus jamesi, dinossauro de cerca de 12 kg, destoava dos parentes carnívoros do Cretáceo.
Mark

Por que um dinossauro que come fruta chama tanta atenção?

Mimi

Porque a imagem comum é a de caçadores como o T. rex. Aqui há um animal de 12 quilos com o crânio feito para triturar frutos, o que amplia o que sabemos sobre dietas no fim do Cretáceo.

Mark

Como eles chegaram a essa conclusão?

Mimi

Reconstruíram o crânio com tomografias. Os ossos do céu da boca eram curvos e mudavam a direção dos músculos, permitindo mastigar para frente e para trás.

Luke

Mas isso mostra a mecânica da mastigação, não o cardápio. A dieta de frutas é inferida da anatomia e da comparação com aves como o papagaio-abutre.

Mimi

É verdade, a conclusão vem da estrutura muscular, não de conteúdo estomacal preservado, pelo que o texto relata.

Mark

E a ideia de que ele espalhava sementes?

Mimi

Os pesquisadores dizem que pode ter contribuído, acompanhando a expansão das plantas com flores.

Luke

Note o "pode". É uma hipótese, não um resultado medido. Nada no relato indica evidência direta de sementes dispersas por ele.

Mark

Então o que é firme?

Luke

Um crânio quase completo e articulado, a anatomia incomum e a publicação na Nature Communications. O resto é interpretação dos autores.

  • Um dinossauro de cerca de 12 quilos, que deveria estar caçando, surpreende a ciência ao preferir frutas.
  • Tomografias revelam músculos de mastigação que se movem para frente e para trás, algo raro entre dinossauros.
  • Os pesquisadores testam a hipótese de que o animal espalhava sementes, um papel hoje ocupado por aves e mamíferos.
  • O fóssil quase completo da Formação Hell Creek abre uma nova frente de dúvidas sobre a dieta do fim do Cretáceo, ainda sem confirmação definitiva.

Há cerca de 66 milhões de anos, muito antes de os humanos observarem o céu, uma criatura do tamanho de um peru vagava pelo que hoje é o oeste dos Estados Unidos e preferia frutos à caça. Cientistas agora a apresentaram ao mundo como Infernogallus jamesi, a "galinha do inferno", e a reconstrução de seu crânio sugere uma maneira de mastigar que não se esperava de um dinossauro. A descoberta amplia a imagem de um fim de Cretáceo mais variado do que se supunha, em que plantas com flores e animais se moldavam mutuamente. Ainda assim, trata-se de uma hipótese à espera de novas provas, lembrando que o passado revela suas surpresas aos poucos.

Um dinossauro do tamanho de um peru, com cerca de 12 quilos, levava uma vida que contrariava o que se imaginava sobre seus parentes. Em vez de caçar, ele comia frutas. Agora descrito como nova espécie, o Infernogallus jamesi carrega um nome que significa "galinha do inferno", e foi estudado por cientistas das universidades de Stony Brook, do Museu Real de Ontário e do Serviço Geológico de Dakota do Norte. O trabalho foi publicado em 10 de outubro na revista Nature Communications.

O fóssil saiu da Formação Hell Creek, a mesma região que guarda restos do tiranossauro e do tricerátops. Ao reconstruir o crânio com tomografias, a equipe encontrou uma organização muscular incomum. Os ossos do céu da boca mudavam a direção de certos músculos, permitindo movimentos de mastigação para frente e para trás, e não apenas de cima para baixo. Essa configuração servia para triturar frutas macias e retirar a polpa ao redor das sementes, lembrando aves frugívoras atuais, como o papagaio-abutre.

O achado também sugere um papel ecológico. Ao comer frutos, o animal poderia ter espalhado sementes, função que hoje cabe a aves, répteis e mamíferos. Isso se conecta ao crescimento das plantas com flores durante o Cretáceo, quando as frutas se tornavam maiores e mais frequentes. Para os autores, a variedade alimentar do fim da era dos dinossauros pode ter sido maior do que se sabia, mas a hipótese da dispersão de sementes ainda precisa ser testada.

Um dinossauro do tamanho de um peru, com cerca de 12 quilos, tinha uma dieta pouco comum entre seus parentes: em vez de caçar outros animais, comia frutas. Ele foi descrito agora como uma nova espécie, o Infernogallus jamesi, nome que significa "galinha do inferno". O que o diferencia está no crânio, que apresenta adaptações para triturar frutos com movimentos de mastigação parecidos com os dos humanos.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Stony Brook, do Museu Real de Ontário e do Serviço Geológico de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. O trabalho saiu em 10 de outubro na revista científica Nature Communications.

O fóssil veio da Formação Hell Creek, que se estende por partes de Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wyoming. O mesmo local preserva restos de animais famosos, como o tiranossauro (T. rex) e o tricerátops. O Infernogallus pertencia aos cenagnatídeos, grupo de dinossauros com penas e sem dentes. Mesmo adulto, tinha o porte de um peru.

Para entender como o animal se alimentava, os pesquisadores reconstruíram o crânio com tomografias computadorizadas. A análise mostrou uma organização incomum dos músculos da mastigação. Os ossos do céu da boca tinham uma curvatura que mudava a direção de alguns desses músculos. Em vez de atuar só de cima para baixo, como em dinossauros como o T. rex, eles permitiam movimentos para frente e para trás.

Segundo o estudo, essa configuração ajudava a triturar alimentos macios, como frutas com caroço, e a retirar a polpa ao redor da semente. Uma estrutura muscular semelhante existe em algumas aves atuais que comem frutas, como o papagaio-abutre. "Sabíamos que os dinossauros evoluíram para desempenhar diversas funções nos ecossistemas do Cretáceo, mas nunca imaginamos descobrir dinossauros frugívoros", afirmou Gregory Funston, professor de Stony Brook e um dos responsáveis pela pesquisa, em comunicado.

A descoberta levanta ainda uma hipótese sobre as plantas com flores. Ao comer frutas, o Infernogallus pode ter ajudado a espalhar sementes, função hoje exercida por aves, répteis e mamíferos. Durante o Cretáceo, essas plantas se tornaram mais comuns e passaram a ocupar espaço importante na vegetação. Os pesquisadores sugerem que a especialização alimentar dos cenagnatídeos pode ter acompanhado essa mudança, à medida que as frutas ficavam maiores e mais frequentes.

O achado só foi possível porque o fóssil preservou um crânio quase completo e articulado, além de parte do esqueleto, algo raro em pequenos dinossauros. Para a equipe, isso indica que a variedade de hábitos alimentares no fim do Cretáceo pode ter sido maior do que se sabia. O estudo entra na discussão sobre a diversidade desses animais antes da extinção em massa, ocorrida há cerca de 66 milhões de anos, e sugere que ainda há muito a descobrir sobre os ecossistemas daquele período. A hipótese da dispersão de sementes segue como sugestão dos autores, a ser testada.

Sabíamos que os dinossauros evoluíram para desempenhar diversas funções nos ecossistemas do Cretáceo, mas nunca imaginamos descobrir dinossauros frugívoros.
— Gregory Funston, professor da Universidade de Stony Brook
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