Há cerca de 66 milhões de anos, muito antes de os humanos observarem o céu, uma criatura do tamanho de um peru vagava pelo que hoje é o oeste dos Estados Unidos e preferia frutos à caça. Cientistas agora a apresentaram ao mundo como Infernogallus jamesi, a "galinha do inferno", e a reconstrução de seu crânio sugere uma maneira de mastigar que não se esperava de um dinossauro. A descoberta amplia a imagem de um fim de Cretáceo mais variado do que se supunha, em que plantas com flores e animais se moldavam mutuamente. Ainda assim, trata-se de uma hipótese à espera de novas provas, lembrando que
Fóssil revela dinossauro do Cretáceo que se alimentava de frutas e mastigava com movimentos laterais
Em vez de caçar outros animais, ele era especializado em comer frutas
Por que um dinossauro que come fruta chama tanta atenção?
Porque a imagem comum é a de caçadores como o T. rex. Aqui há um animal de 12 quilos com o crânio feito para triturar frutos, o que amplia o que sabemos sobre dietas no fim do Cretáceo.
Como eles chegaram a essa conclusão?
Reconstruíram o crânio com tomografias. Os ossos do céu da boca eram curvos e mudavam a direção dos músculos, permitindo mastigar para frente e para trás.
Mas isso mostra a mecânica da mastigação, não o cardápio. A dieta de frutas é inferida da anatomia e da comparação com aves como o papagaio-abutre.
É verdade, a conclusão vem da estrutura muscular, não de conteúdo estomacal preservado, pelo que o texto relata.
E a ideia de que ele espalhava sementes?
Os pesquisadores dizem que pode ter contribuído, acompanhando a expansão das plantas com flores.
Note o "pode". É uma hipótese, não um resultado medido. Nada no relato indica evidência direta de sementes dispersas por ele.
Então o que é firme?
Um crânio quase completo e articulado, a anatomia incomum e a publicação na Nature Communications. O resto é interpretação dos autores.
Le Pouls
- Um dinossauro de cerca de 12 quilos, que deveria estar caçando, surpreende a ciência ao preferir frutas.
- Tomografias revelam músculos de mastigação que se movem para frente e para trás, algo raro entre dinossauros.
- Os pesquisadores testam a hipótese de que o animal espalhava sementes, um papel hoje ocupado por aves e mamíferos.
- O fóssil quase completo da Formação Hell Creek abre uma nova frente de dúvidas sobre a dieta do fim do Cretáceo, ainda sem confirmação definitiva.
Há cerca de 66 milhões de anos, muito antes de os humanos observarem o céu, uma criatura do tamanho de um peru vagava pelo que hoje é o oeste dos Estados Unidos e preferia frutos à caça. Cientistas agora a apresentaram ao mundo como Infernogallus jamesi, a "galinha do inferno", e a reconstrução de seu crânio sugere uma maneira de mastigar que não se esperava de um dinossauro. A descoberta amplia a imagem de um fim de Cretáceo mais variado do que se supunha, em que plantas com flores e animais se moldavam mutuamente. Ainda assim, trata-se de uma hipótese à espera de novas provas, lembrando que o passado revela suas surpresas aos poucos.
Um dinossauro do tamanho de um peru, com cerca de 12 quilos, levava uma vida que contrariava o que se imaginava sobre seus parentes. Em vez de caçar, ele comia frutas. Agora descrito como nova espécie, o Infernogallus jamesi carrega um nome que significa "galinha do inferno", e foi estudado por cientistas das universidades de Stony Brook, do Museu Real de Ontário e do Serviço Geológico de Dakota do Norte. O trabalho foi publicado em 10 de outubro na revista Nature Communications.
O fóssil saiu da Formação Hell Creek, a mesma região que guarda restos do tiranossauro e do tricerátops. Ao reconstruir o crânio com tomografias, a equipe encontrou uma organização muscular incomum. Os ossos do céu da boca mudavam a direção de certos músculos, permitindo movimentos de mastigação para frente e para trás, e não apenas de cima para baixo. Essa configuração servia para triturar frutas macias e retirar a polpa ao redor das sementes, lembrando aves frugívoras atuais, como o papagaio-abutre.
O achado também sugere um papel ecológico. Ao comer frutos, o animal poderia ter espalhado sementes, função que hoje cabe a aves, répteis e mamíferos. Isso se conecta ao crescimento das plantas com flores durante o Cretáceo, quando as frutas se tornavam maiores e mais frequentes. Para os autores, a variedade alimentar do fim da era dos dinossauros pode ter sido maior do que se sabia, mas a hipótese da dispersão de sementes ainda precisa ser testada.
Um dinossauro do tamanho de um peru, com cerca de 12 quilos, tinha uma dieta pouco comum entre seus parentes: em vez de caçar outros animais, comia frutas. Ele foi descrito agora como uma nova espécie, o Infernogallus jamesi, nome que significa "galinha do inferno". O que o diferencia está no crânio, que apresenta adaptações para triturar frutos com movimentos de mastigação parecidos com os dos humanos.
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Stony Brook, do Museu Real de Ontário e do Serviço Geológico de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. O trabalho saiu em 10 de outubro na revista científica Nature Communications.
O fóssil veio da Formação Hell Creek, que se estende por partes de Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wyoming. O mesmo local preserva restos de animais famosos, como o tiranossauro (T. rex) e o tricerátops. O Infernogallus pertencia aos cenagnatídeos, grupo de dinossauros com penas e sem dentes. Mesmo adulto, tinha o porte de um peru.
Para entender como o animal se alimentava, os pesquisadores reconstruíram o crânio com tomografias computadorizadas. A análise mostrou uma organização incomum dos músculos da mastigação. Os ossos do céu da boca tinham uma curvatura que mudava a direção de alguns desses músculos. Em vez de atuar só de cima para baixo, como em dinossauros como o T. rex, eles permitiam movimentos para frente e para trás.
Segundo o estudo, essa configuração ajudava a triturar alimentos macios, como frutas com caroço, e a retirar a polpa ao redor da semente. Uma estrutura muscular semelhante existe em algumas aves atuais que comem frutas, como o papagaio-abutre. "Sabíamos que os dinossauros evoluíram para desempenhar diversas funções nos ecossistemas do Cretáceo, mas nunca imaginamos descobrir dinossauros frugívoros", afirmou Gregory Funston, professor de Stony Brook e um dos responsáveis pela pesquisa, em comunicado.
A descoberta levanta ainda uma hipótese sobre as plantas com flores. Ao comer frutas, o Infernogallus pode ter ajudado a espalhar sementes, função hoje exercida por aves, répteis e mamíferos. Durante o Cretáceo, essas plantas se tornaram mais comuns e passaram a ocupar espaço importante na vegetação. Os pesquisadores sugerem que a especialização alimentar dos cenagnatídeos pode ter acompanhado essa mudança, à medida que as frutas ficavam maiores e mais frequentes.
O achado só foi possível porque o fóssil preservou um crânio quase completo e articulado, além de parte do esqueleto, algo raro em pequenos dinossauros. Para a equipe, isso indica que a variedade de hábitos alimentares no fim do Cretáceo pode ter sido maior do que se sabia. O estudo entra na discussão sobre a diversidade desses animais antes da extinção em massa, ocorrida há cerca de 66 milhões de anos, e sugere que ainda há muito a descobrir sobre os ecossistemas daquele período. A hipótese da dispersão de sementes segue como sugestão dos autores, a ser testada.
Citations marquantes
Sabíamos que os dinossauros evoluíram para desempenhar diversas funções nos ecossistemas do Cretáceo, mas nunca imaginamos descobrir dinossauros frugívoros.— Gregory Funston, professor da Universidade de Stony Brook