Fim da escala 6x1 pode baratear operação ao reduzir custos com rotatividade, dizem especialistas

Os empresários são muito míopes ao olhar para a escala 6x1
Mariana Achutti, CEO da Newnew, sobre a ideia de que o fim da 6x1 encareceria a operação.
Mark

Por que esse argumento chama atenção? Normalmente se espera que menos horas trabalhadas custem mais.

Mimi

Porque desloca o foco. Mariana Achutti diz que o empresário olha só para o salário de uma pessoa extra e ignora o custo de trocar gente o tempo todo.

Mark

Que custos são esses?

Mimi

Aviso prévio, horas extras, FGTS, multa e férias, além da perda de continuidade e de conhecimento acumulado.

Luke

Mas é um argumento, não uma conta fechada. Ninguém na reportagem mostra que a economia com rotatividade supera o custo de contratar mais.

Mark

E os números dos estudos?

Mimi

SHRM e BGC Brasil estimam que substituir alguém custe de 50% a 200% do salário anual. No exemplo brasileiro, repor uma vaga de R$ 120 mil pode chegar a R$ 81 mil.

Luke

Repare que é uma faixa ampla, de estimativas de estudos. E não está dito que a rotatividade vai cair com o fim da 6x1.

Mark

E o comércio de São Paulo com a escala 4x3?

Luke

É um caso só. Rotatividade caiu muito e vieram 700 currículos em 12 horas, mas faltam o nome, o setor e os números de antes e depois. Serve de ilustração, não de prova.

Mimi

Ainda assim, mostra o tipo de efeito que os defensores esperam: vaga mais atraente e equipe que fica.

  • A escala 6x1 está no centro de uma disputa: o fim dela pode encarecer a operação, ou o contrário?
  • Cada demissão arrasta custos diretos como aviso prévio, FGTS, multa e férias, que podem superar o valor de uma contratação extra.
  • Empresas com alta rotatividade treinam menos, e a produtividade perde o acúmulo de experiência que só o tempo constrói.
  • Um comércio paulistano que adotou a escala 4x3 relatou queda drástica na rotatividade e 700 currículos em menos de 12 horas, mas o caso isolado ainda não prova o efeito geral.
  • O desfecho depende de uma conta que ninguém fechou por completo: quanto a retenção economiza frente ao custo de mais contratações.

Num país onde a jornada de trabalho sempre foi tema de disputa entre quem contrata e quem trabalha, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganha uma face menos esperada: a de que poupar o trabalhador pode também poupar o empregador. Empresários e pesquisadores ouvidos pelo UOL sustentam que a troca constante de pessoas custa mais do que parece, somando avisos, rescisões, férias e a perda de saber acumulado. A tese ainda se apoia mais em estimativas e em casos pontuais do que em uma medição ampla, e por isso segue aberta, à espera de mostrar se a economia com a rotatividade compensa a eventual necessidade de mais mão de obra.

Quando um comércio de São Paulo abriu uma vaga depois de adotar a escala 4x3, no ano passado, recebeu 700 currículos em menos de 12 horas. Segundo o relato, a rotatividade de funcionários caiu de forma drástica. O caso ilustra um argumento que ganha força no debate sobre o fim da escala 6x1: reduzir a jornada pode não encarecer as empresas e pode até baratear parte da operação.

Mariana Achutti, CEO da Newnew, afirma que os empresários são míopes ao concluir que o fim da 6x1 será mais caro. Para ela, o custo real está na troca frequente de pessoas, que envolve aviso prévio, horas extras, FGTS, multa e férias, além de um prejuízo menos visível na produtividade, já que a equipe perde continuidade e conhecimento acumulado.

Daniel Duque, pesquisador da FGV, acrescenta que quem fica pouco tempo no emprego perde a experiência específica daquela empresa e daquela atividade. Com rotatividade alta, as empresas também investem menos em treinamento, o que afeta os dois lados e limita o ganho de produtividade no longo prazo.

Estudos da SHRM e da BGC Brasil estimam que substituir um funcionário pode custar de 50% a 200% do salário anual de quem saiu. No Brasil, repor uma posição que paga R$ 120 mil por ano pode chegar a R$ 81 mil, segundo a reportagem.

O material, porém, apresenta um argumento sustentado por estimativas e por um caso isolado, não por uma medição do impacto em empresas brasileiras em geral. A discussão segue aberta, e o que deve pesar é se a economia com a rotatividade compensa a necessidade de mais mão de obra.

Quando um comércio de São Paulo abriu uma vaga depois de adotar a escala 4x3, no ano passado, recebeu 700 currículos em menos de 12 horas. A rotatividade de funcionários, segundo o relato, caiu de forma drástica. O caso aparece no centro de um argumento que ganha espaço no debate sobre o fim da escala 6x1: o de que reduzir a jornada pode não encarecer a operação das empresas, e até baratear parte dela.

A tese vem de empresários e especialistas ouvidos pelo UOL. Mariana Achutti, CEO da Newnew, diz que os empresários são míopes ao olhar para a escala 6x1 e concluir que o fim dela será mais caro. Na avaliação dela, o resultado tende a ser o inverso, porque há outros custos envolvidos além do salário ou da contratação de uma pessoa extra.

Esses outros custos estão na troca frequente de funcionários. A reportagem lista os diretos: aviso prévio, horas extras, FGTS, multa e férias. Há ainda um custo menos visível, o da produtividade, que sofre com a perda de continuidade no trabalho e do conhecimento acumulado pela equipe.

É nesse ponto que entra Daniel Duque, pesquisador da FGV. Para ele, o trabalhador que fica pouco tempo no emprego perde uma camada de experiência específica daquela empresa e daquela atividade. Vendo a rotatividade alta, as empresas investem pouco em treinamento. Duque descreve um fenômeno que afeta os dois lados e impede um aumento maior da produtividade do trabalhador no longo prazo.

Os números citados ajudam a dimensionar o que está em jogo. Estudos da Society for Human Resource Management (SHRM) e da BGC Brasil apontam que substituir um funcionário pode custar de 50% a 200% do salário anual de quem saiu. No Brasil, repor uma posição que paga R$ 120 mil por ano pode chegar a R$ 81 mil, segundo a reportagem.

O debate sobre a jornada também alcança faltas, atrasos e saúde mental no ambiente de trabalho. O exemplo do comércio paulistano com a escala 4x3 é usado para ilustrar o efeito sobre a retenção e a atratividade das vagas, embora o texto não detalhe o setor, o nome da empresa nem os índices exatos de rotatividade antes e depois.

O que o material apresenta, portanto, é um argumento sustentado por estimativas de estudos e por um caso isolado, não uma medição do impacto da mudança sobre as empresas brasileiras em geral. A discussão sobre o custo real do fim da escala 6x1 segue aberta, e o que vai pesar é se a economia com a rotatividade compensa a necessidade de mais mão de obra.

Os empresários são míopes ao achar que o fim da 6x1 será mais caro; acho que será mais barato, porque há outros custos além de um salário extra.
— Mariana Achutti, CEO da Newnew, ao UOL (paráfrase)
A rotatividade alta faz o trabalhador perder experiência específica e as empresas investirem pouco em treinamento, o que limita a produtividade no longo prazo.
— Daniel Duque, pesquisador da FGV, ao UOL (paráfrase)
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