Flávio promete buscar setor privado para concluir Angra 3

Um bilhão de reais por ano desaparece enquanto nada avança
A Eletronuclear desembolsa esse valor anualmente apenas para manter Angra 3 parada desde 2015.
Mark

Por que Flávio está falando sobre Angra 3 agora, em plena campanha presidencial?

Mimi

Porque é um símbolo de desperdício. Um bilhão de reais por ano desaparecendo em uma obra parada. Para um candidato que promete eficiência, é uma oportunidade de criticar a gestão anterior e propor uma solução.

Luke

Mas a solução dele — trazer o setor privado — é concreta ou é apenas retórica? Qual empresa privada entraria em um projeto que já custou 12 bilhões e ainda precisa de 23,9 bilhões?

Mimi

Boa pergunta. Ele não detalhou como isso funcionaria. Pode ser concessão, parceria público-privada, ou simplesmente uma promessa de facilitar o ambiente para que a iniciativa privada se interesse.

Mark

E quanto aos custos ambientais? Ele mencionou "destravamento de licenciamentos ambientais".

Mimi

Sim, ele vê as questões ambientais como um freio ao desenvolvimento. Quer simplificar os processos de licenciamento.

Luke

Mas aqui está o ponto: não sabemos se o setor privado realmente quer isso. Não há nenhuma empresa anunciada, nenhum interesse público manifestado. É uma promessa sem lastro.

Mark

Então o que muda se Flávio vencer?

Mimi

Potencialmente, uma priorização política de Angra 3 e uma tentativa de reformular os licenciamentos ambientais. Mas a viabilidade econômica do projeto permanece questionável.

Luke

E o custo de cancelamento — entre 22 e 25,9 bilhões — é tão alto que talvez terminar seja a única opção racional, independentemente de quem esteja no poder.

  • Angra 3 está parada desde 2015 e consome R$ 1 bilhão por ano
  • 66% da obra está concluída; 12 bilhões já foram investidos
  • Estimativa para finalizar: R$ 23,9 bilhões; para cancelar: R$ 22 a R$ 25,9 bilhões
  • Flávio Bolsonaro promete buscar setor privado para conclusão

Angra 3 consome R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos e está 66% concluída, com estimativa de R$ 23,9 bilhões para finalização. Flávio também defende expansão de petróleo, exploração na Foz do Amazonas e uso de gás natural como fontes energéticas nacionais.

Candidato do PL à Presidência defende conclusão de Angra 3 com apoio privado, criticando custos de R$ 1 bilhão anuais da obra paralisada desde 2015.

Em um sábado de agosto, o senador Flávio Bolsonaro pisou em Angra dos Reis, reduto bolsonarista na Costa Verde fluminense, e fez uma promessa sobre um problema que assombra o Brasil há mais de uma década. A Usina Termonuclear Angra 3, parada desde 2015, devora quase um bilhão de reais por ano dos cofres públicos — dinheiro que some enquanto a obra não avança. Flávio, candidato do PL à Presidência, disse que buscará a iniciativa privada para terminar o que o Estado não conseguiu.

A usina começou a ser construída nos anos 1980 e conheceu interrupções sucessivas. Quando os trabalhos foram suspensos em 2015, durante a Operação Lava Jato, o projeto já havia alcançado 65% de execução. Hoje, segundo dados governamentais mais recentes, 66% do empreendimento está concluído. O investimento acumulado chega a 12 bilhões de reais. Completar a obra custaria, conforme estimativa atualizada do BNDES, 23,9 bilhões de reais. Abandoná-la sairia ainda mais caro — entre 22 e 25,9 bilhões, considerando dívidas, rescisões contratuais, desmobilização e perda dos recursos já aplicados.

Mas enquanto nenhuma decisão é tomada, o dinheiro segue saindo. A Eletronuclear desembolsa aproximadamente um bilhão de reais anualmente apenas para manter o projeto parado. Desse total, cerca de 800 milhões vão para pagamento de dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Os 200 milhões restantes cobrem a conservação dos equipamentos e estruturas. Em julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética reconheceu como interesse público o pedido da Eletronuclear para negociar a suspensão temporária dessas dívidas com os dois bancos estatais. A resolução, porém, não suspendeu automaticamente os pagamentos nem alterou os contratos de financiamento.

Durante o evento em Angra, Flávio enquadrou a questão como uma falha de gestão energética. Energia é um desafio que o Brasil precisa enfrentar, argumentou, e a região possui três usinas nucleares — Angra 1, Angra 2 e Angra 3. A terceira, porém, permanece inacabada, consumindo recursos públicos sem gerar retorno. Junto com o setor privado, disse, é preciso concluir essa obra. O candidato também defendeu o fortalecimento da produção nacional de petróleo, a expansão de autorizações para exploração na Foz do Amazonas e o uso de gás natural como fonte de energia — temas que ganharam espaço relevante em seu plano de governo.

Flávio identificou um obstáculo adicional: questões ambientais têm freado projetos de infraestrutura no Brasil. Ele defendeu o que chamou de "destravamento de licenciamentos ambientais". Segundo seu argumento, muitas obras de infraestrutura poderiam ser trazidas para a região se as questões ambientais fossem destrancadas. Apontou que milhões de brasileiros gastam milhares de dólares para viajar a Cancún ou à Indonésia, quando a região de Angra, Mangaratiba e Paraty poderia oferecer oportunidades similares de desenvolvimento.

A definição sobre concluir ou abandonar Angra 3 continua pendente. Não há cronograma definido para a retomada ou conclusão das obras. O que existe é um projeto que consome recursos sem produzir energia, uma dívida crescente com bancos estatais, e agora uma proposta de buscar no setor privado a solução que o Estado não conseguiu entregar em quatro décadas.

Energia é uma questão a ser enfrentada no Brasil e aqui temos as usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, que está até hoje sem terminar. Consome quase R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos. Então, junto da iniciativa privada, temos que concluir essa obra.
— Flávio Bolsonaro, senador e candidato do PL à Presidência
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