Angra 3 consome R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos e está 66% concluída, com estimativa de R$ 23,9 bilhões para finalização. Flávio também defende expansão de petróleo, exploração na Foz do Amazonas e uso de gás natural como fontes energéticas nacionais.
Flávio promete buscar setor privado para concluir Angra 3
Um bilhão de reais por ano desaparece enquanto nada avança
Por que Flávio está falando sobre Angra 3 agora, em plena campanha presidencial?
Porque é um símbolo de desperdício. Um bilhão de reais por ano desaparecendo em uma obra parada. Para um candidato que promete eficiência, é uma oportunidade de criticar a gestão anterior e propor uma solução.
Mas a solução dele — trazer o setor privado — é concreta ou é apenas retórica? Qual empresa privada entraria em um projeto que já custou 12 bilhões e ainda precisa de 23,9 bilhões?
Boa pergunta. Ele não detalhou como isso funcionaria. Pode ser concessão, parceria público-privada, ou simplesmente uma promessa de facilitar o ambiente para que a iniciativa privada se interesse.
E quanto aos custos ambientais? Ele mencionou "destravamento de licenciamentos ambientais".
Sim, ele vê as questões ambientais como um freio ao desenvolvimento. Quer simplificar os processos de licenciamento.
Mas aqui está o ponto: não sabemos se o setor privado realmente quer isso. Não há nenhuma empresa anunciada, nenhum interesse público manifestado. É uma promessa sem lastro.
Então o que muda se Flávio vencer?
Potencialmente, uma priorização política de Angra 3 e uma tentativa de reformular os licenciamentos ambientais. Mas a viabilidade econômica do projeto permanece questionável.
E o custo de cancelamento — entre 22 e 25,9 bilhões — é tão alto que talvez terminar seja a única opção racional, independentemente de quem esteja no poder.
Il Polso
- Angra 3 está parada desde 2015 e consome R$ 1 bilhão por ano
- 66% da obra está concluída; 12 bilhões já foram investidos
- Estimativa para finalizar: R$ 23,9 bilhões; para cancelar: R$ 22 a R$ 25,9 bilhões
- Flávio Bolsonaro promete buscar setor privado para conclusão
Angra 3 consome R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos e está 66% concluída, com estimativa de R$ 23,9 bilhões para finalização. Flávio também defende expansão de petróleo, exploração na Foz do Amazonas e uso de gás natural como fontes energéticas nacionais.
Candidato do PL à Presidência defende conclusão de Angra 3 com apoio privado, criticando custos de R$ 1 bilhão anuais da obra paralisada desde 2015.
Em um sábado de agosto, o senador Flávio Bolsonaro pisou em Angra dos Reis, reduto bolsonarista na Costa Verde fluminense, e fez uma promessa sobre um problema que assombra o Brasil há mais de uma década. A Usina Termonuclear Angra 3, parada desde 2015, devora quase um bilhão de reais por ano dos cofres públicos — dinheiro que some enquanto a obra não avança. Flávio, candidato do PL à Presidência, disse que buscará a iniciativa privada para terminar o que o Estado não conseguiu.
A usina começou a ser construída nos anos 1980 e conheceu interrupções sucessivas. Quando os trabalhos foram suspensos em 2015, durante a Operação Lava Jato, o projeto já havia alcançado 65% de execução. Hoje, segundo dados governamentais mais recentes, 66% do empreendimento está concluído. O investimento acumulado chega a 12 bilhões de reais. Completar a obra custaria, conforme estimativa atualizada do BNDES, 23,9 bilhões de reais. Abandoná-la sairia ainda mais caro — entre 22 e 25,9 bilhões, considerando dívidas, rescisões contratuais, desmobilização e perda dos recursos já aplicados.
Mas enquanto nenhuma decisão é tomada, o dinheiro segue saindo. A Eletronuclear desembolsa aproximadamente um bilhão de reais anualmente apenas para manter o projeto parado. Desse total, cerca de 800 milhões vão para pagamento de dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Os 200 milhões restantes cobrem a conservação dos equipamentos e estruturas. Em julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética reconheceu como interesse público o pedido da Eletronuclear para negociar a suspensão temporária dessas dívidas com os dois bancos estatais. A resolução, porém, não suspendeu automaticamente os pagamentos nem alterou os contratos de financiamento.
Durante o evento em Angra, Flávio enquadrou a questão como uma falha de gestão energética. Energia é um desafio que o Brasil precisa enfrentar, argumentou, e a região possui três usinas nucleares — Angra 1, Angra 2 e Angra 3. A terceira, porém, permanece inacabada, consumindo recursos públicos sem gerar retorno. Junto com o setor privado, disse, é preciso concluir essa obra. O candidato também defendeu o fortalecimento da produção nacional de petróleo, a expansão de autorizações para exploração na Foz do Amazonas e o uso de gás natural como fonte de energia — temas que ganharam espaço relevante em seu plano de governo.
Flávio identificou um obstáculo adicional: questões ambientais têm freado projetos de infraestrutura no Brasil. Ele defendeu o que chamou de "destravamento de licenciamentos ambientais". Segundo seu argumento, muitas obras de infraestrutura poderiam ser trazidas para a região se as questões ambientais fossem destrancadas. Apontou que milhões de brasileiros gastam milhares de dólares para viajar a Cancún ou à Indonésia, quando a região de Angra, Mangaratiba e Paraty poderia oferecer oportunidades similares de desenvolvimento.
A definição sobre concluir ou abandonar Angra 3 continua pendente. Não há cronograma definido para a retomada ou conclusão das obras. O que existe é um projeto que consome recursos sem produzir energia, uma dívida crescente com bancos estatais, e agora uma proposta de buscar no setor privado a solução que o Estado não conseguiu entregar em quatro décadas.
Citazioni salienti
Energia é uma questão a ser enfrentada no Brasil e aqui temos as usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, que está até hoje sem terminar. Consome quase R$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos. Então, junto da iniciativa privada, temos que concluir essa obra.— Flávio Bolsonaro, senador e candidato do PL à Presidência