Campanha mapeou ao menos 29 perfis responsáveis pela disseminação do boato e alega ação coordenada para prejudicar eleitoralmente o candidato. Flávio negou a informação em vídeo e afirmou respeitar diferentes denominações religiosas; GloboNews corrigiu e pediu desculpas pelo erro.
Flávio aciona PGE contra perfis por boatos sobre Nossa Senhora Aparecida
Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça.
Por que a campanha decidiu acionar a Procuradoria-Geral Eleitoral em vez de apenas desmentir o boato?
Porque a defesa vê isso como mais do que um rumor isolado. Eles mapearam 29 perfis e argumentam que houve coordenação deliberada. Para eles, é crime eleitoral, não apenas desinformação.
Mas coordenação é difícil de provar. Sabemos que 29 perfis compartilharam? Sim. Sabemos que foi planejado? Isso é o que a investigação precisa determinar.
E quanto à GloboNews? Ela amplificou o boato?
Ela cobriu a discussão que estava acontecendo nas redes, depois reconheceu o erro e pediu desculpas. Não foi a origem, mas ajudou a dar credibilidade ao boato.
Isso é importante: a emissora corrigiu. Mas quantas pessoas viram a correção comparado ao número que viu a informação errada?
Existe alguma base real para a acusação? Flávio realmente disse algo que pudesse ser interpretado dessa forma?
Ele disse que um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. Alguém conectou isso à Nossa Senhora Aparecida, criando uma narrativa de remodelação religiosa.
Mas isso é especulação. Nada no que ele disse menciona retirar títulos de santos. A conexão foi feita por quem compartilhou o boato, não por Flávio.
E o projeto de 2007? Isso tem alguma relevância?
Nenhuma. Foi apresentado por outro deputado, arquivado há 18 anos, e não tem ligação com Flávio. Mas circulou nas redes como se fosse um projeto dele.
Então é um boato construído sobre camadas de desinformação — um projeto antigo, uma fala descontextualizada, e uma narrativa inventada. A questão agora é quem montou essas peças.
The Pulse
- Campanha mapeou 29 perfis responsáveis pela disseminação do boato
- GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas
- Projeto original sobre Nossa Senhora Aparecida foi apresentado em 2007 por Professor Victório Galli, não por Flávio
- Notícia-crime protocolada na Procuradoria-Geral Eleitoral em 25 de setembro
Campanha mapeou ao menos 29 perfis responsáveis pela disseminação do boato e alega ação coordenada para prejudicar eleitoralmente o candidato. Flávio negou a informação em vídeo e afirmou respeitar diferentes denominações religiosas; GloboNews corrigiu e pediu desculpas pelo erro.
Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral contra perfis em redes sociais que divulgaram boato sobre retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Na noite de quinta-feira, 24 de setembro, uma afirmação começou a se espalhar pelas redes sociais: Flávio Bolsonaro, caso eleito presidente, removeria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação ganhou tração rápida. Discussões sobre o tema circularam online, chegaram à cobertura da GloboNews, e logo depois a emissora reconheceu o erro, pedindo desculpas publicamente. Mas o estrago já estava feito.
Nesta sexta-feira, 25 de setembro, a campanha de Flávio respondeu. Sua equipe jurídica acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral com uma notícia-crime, pedindo investigação sobre as contas responsáveis pela disseminação do boato. A defesa mapeou pelo menos 29 perfis envolvidos na propagação da informação e argumenta que houve uma ação coordenada para prejudicar eleitoralmente o candidato. O documento protocolado pede que a investigação identifique a origem das publicações, quem administra as contas, e se houve articulação entre os perfis — tudo sob a suspeita de crime eleitoral.
Segundo a campanha, uma das primeiras publicações teria partido de uma conta na rede social X, depois replicada por outros perfis. Parlamentares e páginas políticas também divulgaram o conteúdo. A estratégia de rastreamento sugere uma disseminação deliberada e coordenada, não um boato orgânico que simplesmente pegou.
Flávio negou a acusação em vídeo publicado nas redes. "Que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", disse. Ele reafirmou respeitar diferentes denominações religiosas, tentando desmontar a narrativa que o acusava de hostilidade religiosa.
A origem da confusão tem raízes em 2007. O então deputado federal Professor Victório Galli apresentou um projeto sobre a denominação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada pela Câmara dos Deputados em 2008, sem nunca ter sido associada a Flávio Bolsonaro. Mas o boato recente conectou esse projeto antigo ao candidato, criando uma falsa ligação histórica.
Outra peça do quebra-cabeça vem de uma declaração anterior de Flávio, na qual afirmou que um de seus primeiros atos como presidente seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Essa fala, circulando nas redes, foi relacionada à discussão sobre Nossa Senhora Aparecida, alimentando a narrativa de que o candidato pretendia remodelar o simbolismo religioso nacional.
A campanha agora espera que a investigação criminal identifique quem iniciou e coordenou a disseminação do boato. O pedido inclui a instauração de um inquérito para apurar a possível prática de crime eleitoral. O que começou como um rumor nas redes sociais transformou-se em uma disputa legal sobre desinformação, coordenação de contas e o que constitui prejuízo eleitoral em tempos de campanha digital.
Notable Quotes
Que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto.— Flávio Bolsonaro, em vídeo publicado nas redes sociais