Fã de Marília Mendonça perde ação de R$ 50 mil contra Henrique

Técnico eletrônico relatou ter sofrido agressão física com socos e pontapés, além de danos ao veículo durante o incidente em 2018.
Lesões confirmadas, mas sem saber quem as causou
O laudo médico provou que Silva foi ferido, mas não identificou o agressor, levando o juiz a julgar a ação improcedente.

Em uma noite de julho de 2018, um técnico eletrônico contratado para fiscalizar equipamentos em uma festa de aniversário de Marília Mendonça saiu correndo pela mata, se escondeu no próprio carro e depois encontrou o veículo danificado. Cinco anos depois, a Justiça de Goiás julgou improcedente sua ação por R$ 50 mil contra o cantor Henrique — não porque as lesões fossem mentira, mas porque a prova não foi suficiente para apontar quem as causou. É o peso antigo da lei: documentar o dano não é o mesmo que provar a autoria.

  • Um técnico que foi ao trabalho numa festa de celebridade saiu de lá ferido, escondido na mata e com o carro destruído — e levou cinco anos tentando que a Justiça reconhecesse o que viveu.
  • O laudo médico confirmou as lesões, mas não identificou o agressor, criando um vácuo probatório que inviabilizou a ação desde o início.
  • Localizar o réu virou um obstáculo à parte: a citação de Henrique só foi possível durante um show no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, em junho de 2023.
  • O juiz da 18ª Vara Cível de Goiânia julgou a ação improcedente em dezembro de 2023, concluindo que o ônus da prova não foi cumprido pelo autor.
  • A decisão ainda cabe recurso, mantendo aberta — por ora — a possibilidade de uma nova rodada judicial para Thiago da Silva.

Em julho de 2018, Thiago da Silva foi contratado para fiscalizar equipamentos alugados para a festa de aniversário de Marília Mendonça em Goiânia. Em determinado momento, sacou o celular para ver as horas. Um convidado o abordou, suspeitando que ele filmasse o espaço. Segundos depois, segundo Silva, o cantor Henrique se aproximou com violência, arrancou o telefone de suas mãos e desferiu vários socos. Outras quatro pessoas também o agrediram.

O que se seguiu foi uma fuga caótica: um homem interveio e devolveu o celular, orientando Silva a correr. Ele se escondeu na mata, ligou para a esposa e tentou partir no carro — um Fiat Uno que não deu partida por causa do frio. Viu homens com lanternas vasculhando a vegetação, ficou imóvel agachado no banco e, quando eles voltaram, pulou o muro e foi direto à delegacia. Ao retornar para buscar o veículo, encontrou o vidro quebrado, o retrovisor arrancado e um pneu furado.

Henrique negou qualquer envolvimento, afirmando que não conhecia Silva e que só soube do ocorrido pela imprensa. A ação por R$ 50 mil de danos morais tramitou por cinco anos, com dificuldades inclusive para citar o réu — o que só foi possível durante um show da dupla no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em junho de 2023.

Em dezembro de 2023, o juiz Danilo Luiz Meireles dos Santos julgou a ação improcedente. O laudo de corpo de delito confirmou as lesões de Silva, mas não identificou o agressor. Sem provas suficientes para vincular Henrique às agressões, o ônus probatório — que cabia ao autor — não foi cumprido. A decisão ainda pode ser contestada em recurso, mas por ora é Henrique quem sai vencedor de uma disputa que começou numa noite de trabalho e terminou em derrota judicial.

Thiago da Silva, técnico eletrônico, entrou na Justiça em 2018 pedindo R$ 50 mil de indenização por danos morais. Sua acusação era simples e grave: o cantor Henrique, da dupla Henrique e Juliano, o havia agredido durante uma festa de aniversário de Marília Mendonça em Goiânia, no dia 24 de julho daquele ano. Na última terça-feira, 19 de dezembro de 2023, o juiz Danilo Luiz Meireles dos Santos, da 18ª Vara Cível e Ambiental da Comarca de Goiânia, julgou a ação improcedente. Silva perdeu.

O incidente começou de forma aparentemente trivial. Silva havia sido contratado para fiscalizar equipamentos alugados para o evento. Em determinado momento, pegou o celular para verificar as horas. Um convidado o abordou, perguntando se estava filmando o espaço. Segundos depois, segundo a versão de Silva, Henrique entrou em cena. O cantor teria se aproximado com violência, arrancado o telefone de suas mãos e desferido vários socos. Não parou ali. Mais quatro pessoas, ainda não identificadas, também o agrediram com socos e pontapés.

O que aconteceu depois revela o pânico que tomou conta de Silva. Um homem interveio, recuperou seu celular e o orientou a correr. Silva saiu correndo, se escondeu na mata e ligou para a esposa. Ela o aconselhou a entrar no carro e fugir. Ele tentou. O veículo, um Fiat Uno movido a etanol, não deu partida — o frio da noite impediu a ignição. Silva viu três homens entrando na mata com lanternas. Abaixou-se dentro do carro, imóvel, esperando. Quando voltaram para a festa, correu novamente, pulou o muro e se dirigiu à delegacia. Conhecia bem a região. Quando retornou para buscar o veículo, encontrou-o danificado: vidro do passageiro quebrado, retrovisor arrancado, pneu furado.

Henrique negou tudo. Em sua defesa, afirmou que não conhecia Silva, que não manteve contato com ele e que, embora estivesse presente à festa, não presenciou nem participou de qualquer briga. Disse que só soube dos fatos pela imprensa. A palavra de um contra a palavra do outro.

O laudo de exame de corpo de delito confirmou que Silva tinha lesões. Mas aqui está o problema que selou o destino da ação: o laudo não identificava quem havia causado essas lesões. O juiz foi claro em sua sentença. Embora as lesões existissem, não havia prova suficiente de quem as havia infligido. Silva não apresentou evidências robustas para corroborar sua versão dos fatos. O ônus da prova era dele, e ele não o cumpriu. A ação foi julgada improcedente.

A trajetória processual também revela as dificuldades enfrentadas. Em junho de 2023, a defesa de Silva tentou localizar Henrique várias vezes para citá-lo formalmente, mas o cantor, segundo os autos, sempre se esquivou. A solução foi criativa: o juiz determinou que a citação ocorresse durante um show da dupla no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Henrique foi citado ali, em meio aos fãs e à música.

Agora, cinco anos depois do incidente que o deixou ferido e assustado, Silva vê sua ação derrotada na Justiça. A decisão ainda cabe recurso, mas por enquanto, Henrique saiu vencedor. O que começou como uma noite de trabalho em uma festa de celebridade terminou em uma batalha judicial que Silva perdeu, apesar das lesões documentadas e da história de fuga que contou.

A parte autora não cuidou de produzir provas suficientes para corroborar suas alegações, ônus que lhe competia
— Juiz Danilo Luiz Meireles dos Santos
Deixou claro em sua oitiva perante a autoridade policial que não conheceu a pessoa de Thiago
— Henrique, em sua defesa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o laudo de corpo de delito não foi suficiente para provar a agressão, se confirmou que havia lesões?

Model

Porque lesões podem vir de muitas fontes. O laudo dizia que Silva tinha ferimentos, mas não conseguiu estabelecer quem as causou. Sem saber se foi Henrique, um dos outros quatro homens, ou até mesmo um acidente durante a fuga, o juiz não podia atribuir responsabilidade.

Inventor

Silva tinha testemunhas? Alguém viu Henrique o agredindo?

Model

Não há menção de testemunhas que tivessem visto Henrique especificamente. Havia um homem que o ajudou durante a confusão, mas não está claro se ele viu quem começou tudo. Silva estava sozinho contra a palavra de um cantor famoso.

Inventor

E quanto aos danos ao carro? Isso não era prova de que algo violento aconteceu?

Model

Prova de que algo violento aconteceu, sim. Mas não prova de que Henrique foi o responsável. O vidro quebrado, o retrovisor arrancado — tudo isso sugeria uma situação caótica, mas não apontava para quem fez o quê.

Inventor

Como conseguiram citar Henrique se ele estava se esquivando?

Model

A criatividade do sistema. Quando a defesa não conseguiu localizá-lo nos endereços convencionais, pediu ao juiz que permitisse a citação durante um show. Henrique estava lá, em público, cercado de fãs. Não havia como fugir.

Inventor

Qual é o próximo passo para Silva?

Model

Ele pode recorrer. A decisão não é final. Mas terá que apresentar provas melhores — talvez testemunhas que não apareceram desta vez, ou evidências que conectem Henrique especificamente aos ferimentos. Sem isso, a Justiça não o ajudará.

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