Quando o Estado adquire ferramentas de vigilância longe dos olhos públicos, a linha entre segurança nacional e controle político torna-se perigosamente tênue. A Verint Systems, empresa israelense já associada ao monitoramento ilegal de jornalistas e ministros do Supremo durante o governo Bolsonaro, também recebeu contratos milionários do Exército e da Marinha brasileiros — sem licitação, via escritório de Washington. O Tribunal de Contas da União agora investiga se essas aquisições seguiram protocolos legais ou se fazem parte de um padrão mais amplo de opacidade institucional.
Exército e Marinha contrataram empresa que ofereceu software de espionagem para Abin
A mesma empresa que espionava jornalistas também expandia suas plataformas nas Forças Armadas
Por que a contratação militar dessa empresa é preocupante se o Exército e a Marinha têm legitimidade para fazer compras de tecnologia?
A questão não é se eles podem comprar tecnologia, mas como compraram. Sem licitação, através de um mecanismo que contorna procedimentos normais, e da mesma empresa que estava equipando a Abin para espionar cidadãos ilegalmente.
Então o problema é que ninguém estava olhando para essas compras?
Exatamente. Enquanto a Abin usava o software Verint para monitorar jornalistas e ministros, o Exército estava pagando milhões para expandir a mesma plataforma. Ninguém parecia estar conectando os pontos.
O escritório de Washington é um mecanismo comum para compras militares?
É usado, mas está sob investigação justamente porque permite contornar licitações. Quando você dispensa licitação, você dispensa concorrência e transparência.
Quanto tempo isso durou?
O contrato do Exército correu de 2018 até 2022. Quase quatro anos de pagamentos enquanto a mesma empresa fornecia ferramentas de espionagem para outro órgão do governo.
E agora? O Tribunal de Contas está investigando?
Sim, mas a investigação começou depois que o escândalo da Abin veio à tona. Isso mostra que esses contratos operavam completamente fora do radar público.
Le Pouls
- A mesma empresa que equipou a Abin para espionar jornalistas e ministros do STF também vendeu tecnologia de inteligência ao Exército e à Marinha, revelando uma rede de contratações que atravessou múltiplos órgãos do Estado.
- O Exército pagou US$ 10,7 milhões à Verint Systems entre 2018 e 2022 sem passar por licitação, usando um mecanismo de compras via escritório de Washington que contorna os procedimentos normais de aquisição pública.
- A ausência de transparência nos contratos militares levanta a questão central: até que ponto ferramentas de vigilância adquiridas pelas Forças Armadas poderiam ter sido usadas — ou compartilhadas — para fins além da defesa legítima?
- O Tribunal de Contas da União abriu investigação formal para apurar irregularidades nos processos de compra e verificar se os gastos foram devidamente justificados.
- O caso expõe uma falha sistêmica de supervisão institucional: empresas fornecedoras de tecnologia de espionagem conseguiram penetrar diferentes camadas do Estado brasileiro com escasso escrutínio público.
Quando o Estado adquire ferramentas de vigilância longe dos olhos públicos, a linha entre segurança nacional e controle político torna-se perigosamente tênue. A Verint Systems, empresa israelense já associada ao monitoramento ilegal de jornalistas e ministros do Supremo durante o governo Bolsonaro, também recebeu contratos milionários do Exército e da Marinha brasileiros — sem licitação, via escritório de Washington. O Tribunal de Contas da União agora investiga se essas aquisições seguiram protocolos legais ou se fazem parte de um padrão mais amplo de opacidade institucional.
A Verint Systems, empresa israelense de tecnologia de vigilância, não foi fornecedora exclusiva da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro. Registros públicos agora sob escrutínio revelam que o Exército e a Marinha também contrataram a mesma empresa — sem licitação — nos anos em que a Abin expandia suas capacidades de monitoramento com ferramentas da mesma origem.
O Exército desembolsou US$ 10,7 milhões à Verint entre outubro de 2018 e março de 2022, por meio do escritório de Washington, um mecanismo de compras que contorna os procedimentos normais de aquisição pública. O contrato estava vinculado ao Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica e visava ampliar a plataforma de inteligência da empresa dentro da instituição. A Marinha seguiu padrão semelhante, com contratos firmados em 2018 e 2019.
O que confere gravidade particular ao caso é o histórico da Verint no Brasil. A mesma empresa forneceu à Abin ferramentas que foram usadas para rastrear jornalistas, políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal sem qualquer autorização legal — uma violação direta de direitos fundamentais que ainda é investigada pelas autoridades.
O Tribunal de Contas da União abriu investigação formal sobre os contratos militares, buscando determinar se as aquisições seguiram protocolos adequados e se os gastos foram devidamente justificados. O caso levanta uma questão mais ampla: como uma única empresa fornecedora de tecnologia de espionagem conseguiu acessar simultaneamente a Abin, o Exército e a Marinha com tão pouca transparência — e quais foram, de fato, os limites do uso dessas ferramentas dentro do Estado brasileiro.
A mesma empresa que forneceu o software de espionagem usado pela Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro também recebeu contratos milionários do Exército e da Marinha. A Verint Systems, empresa israelense, foi contratada pelas Forças Armadas em 2018 e 2019 sem passar por processos licitatórios, segundo registros públicos agora sob escrutínio.
O Exército desembolsou US$ 10,7 milhões para a Verint Systems entre outubro de 2018 e março de 2022. O contrato visava a ampliação da plataforma de inteligência da empresa e estava vinculado ao Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército. A transação foi realizada através do escritório de Washington, um mecanismo de compras que contorna procedimentos normais de licitação e que agora é alvo de investigação do Tribunal de Contas da União.
O que torna essa contratação particularmente relevante é o histórico da mesma empresa. A Verint Systems forneceu ferramentas de monitoramento para a Abin que foram usadas para rastrear jornalistas, políticos e até ministros do Supremo Tribunal Federal durante a administração anterior. Esses monitoramentos foram realizados sem autorização legal e representaram uma violação grave de direitos fundamentais.
A Marinha também contratou a empresa, em operações que seguiram o mesmo padrão de dispensa de licitação. Os contratos militares mais recentes datam de 2018 e 2019, período em que a Abin estava expandindo suas capacidades de vigilância com a mesma tecnologia.
O mecanismo de compras via escritório de Washington, utilizado pelo Exército, está agora sob investigação formal. O Tribunal de Contas da União examina se houve irregularidades nos processos de aquisição e se os gastos foram justificados adequadamente. A investigação busca determinar se as compras militares seguiram protocolos apropriados ou se representam um padrão mais amplo de contratações questionáveis dentro das Forças Armadas.
O caso levanta questões sobre supervisão institucional e sobre como empresas fornecedoras de tecnologia de vigilância conseguem acessar múltiplos órgãos do Estado sem escrutínio adequado. A descoberta de que a mesma empresa forneceu ferramentas tanto para a Abin quanto para o Exército e a Marinha sugere uma rede de contratações que operou com pouca transparência durante anos.
Citations marquantes
O Exército pagou US$ 10,7 milhões à Verint Systems para ampliação da plataforma de Inteligência— Registros públicos de contratos militares