Ex-ministra de Lula atribui terremotos na Colômbia e Venezuela à 'extrema direita'

Terremoto na Colômbia causou 273 mortes confirmadas e 377 desaparecidos, com destruição em várias cidades.
Terremotos são fenômenos geológicos, não ideologia política
A observação de Guajajara sugeriu uma conexão entre desastres naturais e alinhamentos políticos que não tem respaldo científico.
Mark

Por que uma ex-ministra faria uma conexão entre terremotos e orientação política de um país?

Mimi

Parece haver uma tentativa de enquadrar eventos naturais dentro de uma narrativa política maior. Quando você vê desastres ocorrendo em países que você identifica como adversários, é tentador procurar por padrões, mesmo que não existam.

Mark

Mas ela estava em um debate acadêmico, certo? Não deveria haver mais rigor?

Mimi

Deveria, sim. A PUC-SP é uma instituição respeitada. Talvez o contexto — um painel sobre justiça climática — tenha criado um espaço onde narrativas políticas se sobrepuseram ao pensamento crítico.

Mark

A Colômbia e a Venezuela são realmente tão diferentes politicamente quanto o artigo sugere?

Mimi

Completamente. A Colômbia tinha um novo governo conservador há apenas dias. A Venezuela estava sob uma ditadura que herdou o legado de Chávez. Colocá-las no mesmo grupo político é impreciso e obscurece as realidades distintas que cada país enfrenta.

Mark

E quanto às vítimas? Como isso afeta as pessoas que perderam tudo?

Mimi

Esse é o ponto mais perturbador. Enquanto 273 pessoas morreram na Colômbia e centenas desapareceram, a discussão se tornou sobre política em vez de sobre o sofrimento humano e a reconstrução necessária.

Mark

Isso vai ter consequências políticas para Guajajara?

Mimi

Dependerá de como a sociedade e seus pares respondem. O que está claro é que a declaração expôs uma tendência preocupante: a politização de tragédias naturais.

  • Um terremoto de magnitude 7,4 devastou a Colômbia em 10 de agosto, matando 273 pessoas e deixando 377 desaparecidos — o maior abalo sísmico do país no século 21.
  • Quatro dias depois do desastre, Guajajara classificou Colômbia e Venezuela sob a mesma etiqueta política, ignorando que uma acabara de eleger um presidente conservador e a outra permanece sob herança chavista.
  • A sugestão implícita de que a orientação política de um país poderia ter relação com a ocorrência de terremotos gerou rejeição imediata, pois contradiz qualquer base científica sobre dinâmica tectônica.
  • A polêmica expôs como espaços acadêmicos também podem ser palco para que convicções partidárias distorçam a leitura de tragédias humanitárias em curso.
  • O episódio permanece sem retratação pública de Guajajara, enquanto comunidades colombianas seguem em luto e reconstrução.

Em um debate acadêmico sobre justiça climática na PUC-SP, a deputada Sônia Guajajara sugeriu haver algo 'curioso' no fato de terremotos terem ocorrido em países que ela classificou como dominados pela extrema direita — referindo-se à Colômbia e à Venezuela. A declaração, rapidamente amplificada nas redes sociais, revelou uma tensão antiga e persistente: a tendência humana de buscar sentido político em fenômenos que a natureza produz por razões inteiramente próprias. Ao custo de 273 vidas colombianas e centenas de desaparecidos, a fala lembrou que narrativas ideológicas, quando sobrepostas ao sofrimento real, podem obscurecer tanto a ciência quanto a compaixão.

Na manhã de 11 de agosto, durante um painel sobre racismo ambiental e justiça climática na PUC-SP, a deputada federal Sônia Guajajara — ex-ministra dos Povos Indígenas no governo Lula — disse achar 'curioso' que terremotos tivessem ocorrido em países 'ocupados pela extrema direita radical'. Ela se referia à Colômbia e à Venezuela. A declaração se espalhou rapidamente nas redes sociais e abriu uma polêmica que foi além do estilo retórico da parlamentar.

O problema central estava na equiparação política dos dois países. A Colômbia havia acabado de inaugurar um governo conservador em 7 de agosto, com o presidente Abelardo de la Espriella. A Venezuela, por sua vez, permanece sob um regime que é herdeiro do chavismo — uma ditadura de esquerda que persiste mesmo após a saída formal de Nicolás Maduro. Agrupá-los sob a mesma orientação ideológica era uma simplificação difícil de sustentar.

Os terremotos mencionados eram reais e devastadores. Na Colômbia, o abalo de magnitude 7,4 com epicentro em San José del Palmar, no Chocó, foi o mais intenso registrado no país em todo o século 21. Cidades como Cali, Pereira, Manizales e Quibdó sofreram destruição significativa. Até 13 de agosto, 273 mortes haviam sido confirmadas e 377 pessoas seguiam desaparecidas. A Venezuela havia enfrentado tremores expressivos em junho, no nordeste do país.

O painel contou também com a presença da ex-ministra Marina Silva e da deputada estadual Ediane Maria, ambas do Psol. O contexto era legítimo — justiça climática é um debate necessário —, mas a conexão traçada por Guajajara entre política partidária e sismologia não encontrou respaldo em nenhuma evidência científica. O episódio ficou como um exemplo de como figuras públicas podem, mesmo em ambientes acadêmicos, deixar que convicções ideológicas interfiram na compreensão de fenômenos que exigem, antes de tudo, rigor e empatia.

Na terça-feira 11 de agosto, durante um debate sobre racismo ambiental e justiça climática na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a deputada federal Sônia Guajajara fez uma declaração que rapidamente se propagou pelas redes sociais. A ex-ministra dos Povos Indígenas do governo Lula disse achar "curioso" que terremotos tivessem ocorrido em países que ela descreveu como "ocupados pela extrema direita radical". Ela se referia à Colômbia e à Venezuela, dois países que enfrentavam crises humanitárias de magnitudes distintas.

O problema com a observação de Guajajara é que ela agrupava realidades políticas fundamentalmente diferentes sob uma mesma etiqueta. A Colômbia havia passado por uma transição de poder apenas quatro dias antes, em 7 de agosto, quando o presidente conservador Abelardo de la Espriella assumiu o cargo. A Venezuela, por sua vez, permanecia sob o controle de uma ditadura que sucedeu o modelo político implantado por Hugo Chávez — um sistema que persiste mesmo após a saída de Nicolás Maduro da presidência. Colocar esses dois países no mesmo espectro político era, no mínimo, uma simplificação problemática.

Os terremotos que Guajajara mencionava eram eventos reais e devastadores. Na Colômbia, um tremor de magnitude 7,4 atingiu o país na manhã de 10 de agosto, com epicentro em San José del Palmar, no Departamento de Chocó. Foi o abalo mais forte registrado no país durante todo o século 21. As ondas sísmicas causaram destruição em cidades como Cali, Pereira, Manizales e Quibdó. Até a tarde de 13 de agosto, as autoridades colombianas confirmavam 273 mortes e 377 pessoas desaparecidas. A Venezuela havia experimentado tremores significativos em 24 de junho, quando dois fortes abalos atingiram o nordeste do país, particularmente o Estado de Sucre.

A sugestão implícita na fala de Guajajara — de que havia algo suspeito ou intencional na ocorrência desses desastres naturais em países com certos alinhamentos políticos — gerou reações críticas. Terremotos são fenômenos geológicos determinados por dinâmicas tectônicas, não por ideologia política. A declaração levantou questões sobre como narrativas políticas podem distorcer a compreensão de eventos naturais, especialmente quando vidas estão em jogo e comunidades inteiras enfrentam luto e reconstrução.

O painel em que Guajajara fez suas observações contou também com a participação da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e da deputada estadual Ediane Maria, ambas do Psol. O contexto era uma discussão sobre justiça climática e racismo ambiental — temas legítimos e importantes — mas a conexão que Guajajara estabeleceu entre política partidária e desastres sísmicos não encontrou respaldo em evidência ou lógica científica. O que ficou claro foi que a polêmica revelava como figuras públicas podem, mesmo em espaços acadêmicos, permitir que convicções políticas moldassem interpretações de realidades que deveriam ser compreendidas em seus próprios termos.

É curioso que terremotos tenham ocorrido em países ocupados pela extrema direita radical
— Sônia Guajajara, durante debate na PUC-SP
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