EUA planejam ataques em terra contra narcotraficantes, replicando estratégia de bombardeios aéreos que mataram 215 pessoas no Caribe e Pacífico desde setembro. Coalizão de 19 países liderada por Trump inclui Colômbia, Equador e Peru; PCC e CV brasileiros são designados como organizações terroristas pelos americanos.
EUA planejam expandir ataques contra narcotraficantes para operações terrestres na América Latina
O mesmo efeito em terra, onde quer que operem grupos de narcotráfico
Por que o governo americano está expandindo essas operações agora, especificamente para terra?
A lógica é que os cartéis não operam apenas no mar. O fentanil, a cocaína — tudo isso passa por redes terrestres. Os bombardeios nas águas tiveram um efeito, segundo eles, então querem replicar isso em terra firme, onde a maioria das operações realmente acontece.
E por que a Colômbia é tão importante nesse plano?
A Colômbia é geograficamente central — é onde muita da cocaína é produzida, onde passam rotas de tráfico. Ter um parceiro local com capacidade militar e disposição política para cooperar muda completamente a equação operacional.
Esses 215 mortos dos bombardeios aéreos — como o governo americano justifica isso?
Eles dizem que eram narcotraficantes em embarcações suspeitas. Mas juristas questionam: como você tem certeza de quem está naquele barco? Como você sabe que não há civis? Não há processo, não há julgamento. É por isso que falam em execuções extrajudiciais.
O Brasil está envolvido nessa coalizão?
Não está na coalizão formal. Mas o PCC e o Comando Vermelho foram designados como terroristas pelos americanos, o que significa que poderiam ser alvos. É uma forma de legitimar operações contra grupos brasileiros sem que o Brasil tenha assinado nada.
Qual é o risco real aqui?
Operações militares em terra em países soberanos, sem supervisão clara, com critérios de engajamento que não sabemos ao certo. Civis podem ser atingidos. Não há transparência. E uma vez que você começa, é difícil parar.
O Pulso
- Campanha de bombardeios aéreos deixou ao menos 215 mortos desde setembro de 2025
- Coalizão Anticartéis reúne 19 países; Colômbia é parceiro estratégico para operações terrestres
- PCC e Comando Vermelho brasileiros designados como organizações terroristas pelos EUA
- Operações podem se expandir globalmente onde grupos de tráfico operem
EUA planejam ataques em terra contra narcotraficantes, replicando estratégia de bombardeios aéreos que mataram 215 pessoas no Caribe e Pacífico desde setembro. Coalizão de 19 países liderada por Trump inclui Colômbia, Equador e Peru; PCC e CV brasileiros são designados como organizações terroristas pelos americanos.
Secretário de Defesa dos EUA anuncia planos para ataques terrestres contra traficantes na América Latina, expandindo campanha que já deixou 215 mortos em operações marítimas. Colômbia é citada como parceiro estratégico.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, estava na selva panamenha quando anunciou o próximo capítulo de uma guerra contra o narcotráfico que já deixou pelo menos 215 mortos. O governo Trump, que iniciou uma campanha de bombardeios aéreos contra supostas embarcações de contrabando no Caribe e no Oceano Pacífico em setembro, agora planeja levar essas operações para terra firme na América Latina.
O anúncio marca uma expansão significativa de uma estratégia que, até agora, se concentrou em ataques aéreos contra lanchas suspeitas de transportar drogas em águas internacionais. Hegseth disse aos jornalistas que os Estados Unidos esperam replicar "o mesmo efeito em terra", mobilizando uma capacidade operacional junto com aliados para atingir o que o governo americano designa como organizações terroristas do narcotráfico. A Colômbia foi citada explicitamente como parceiro estratégico para essas operações terrestres.
Essas ações se inserem em uma aliança maior conhecida como Coalizão Anticartéis das Américas, que reúne 19 países sob liderança americana. A coalizão inclui nações como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru — todos com governos de direita. O México, apesar de ser palco de operações de poderosas organizações criminosas, não integra a aliança. Hegseth viajou ao Panamá para participar de exercícios militares que cerca de 20 países realizam anualmente no país.
O secretário de Defesa deixou claro que os alvos são amplos: tráfico de cocaína, distribuição de fentanil nas ruas mexicanas, e "remanescentes das guerrilhas colombianas". Facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho foram designadas como organizações terroristas pelos americanos e podem estar no escopo dessas operações. Hegseth enfatizou que sua advertência aos cartéis é "séria" e que as operações poderão se expandir "onde quer" que grupos de narcotráfico operem.
A campanha de bombardeios aéreos que precedeu esse anúncio já gerou preocupações significativas entre juristas e organizações de defesa dos direitos humanos. Esses especialistas alertam que os ataques contra as supostas narcolanchas podem constituir execuções extrajudiciais — mortes sem processo legal ou julgamento. Hegseth, porém, defendeu a letalidade desses ataques, sugerindo que a abordagem letal é necessária e justificada. O secretário não ofereceu detalhes sobre como as operações terrestres serão conduzidas, quais serão os critérios de engajamento, ou como serão minimizados os riscos de danos a civis.
Citações Notáveis
Será o mesmo efeito em terra, e por isso estamos trabalhando com Equador, Colômbia, com parceiros para levar a luta às DTO em terra— Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA
Juristas e organizações de defesa dos direitos humanos alertam que os ataques podem constituir execuções extrajudiciais— Especialistas em direito internacional