Estudantes de Jataí ganham medalhas em Olimpíada de Matemática no Japão

Sonhos podem sair da caixinha se a gente continuar estudando
Reflexão de uma aluna de dez anos após retornar da competição internacional no Japão.
Mark

Por que essa história importa? É só um grupo de crianças que ganhou medalhas em uma competição.

Mimi

Não é só sobre medalhas. É sobre o que acontece quando uma escola pequena, em uma cidade do interior de Goiás, recebe um convite internacional. Significa que alguém lá fora reconheceu o trabalho sendo feito. Para os professores, é validação. Para as crianças, é a prova de que estudar leva a lugares.

Mark

Mas elas conquistaram medalhas de honra, não ouro ou prata. Isso não é um pouco vago?

Mimi

É honra pela participação, sim. Mas o ponto não é o tipo de medalha. É que cinco crianças, quatro delas nunca tendo saído do Brasil, competiram contra trinta mil estudantes de trinta e oito países. Elas estavam lá. Elas fizeram.

Mark

E culturalmente? O que muda para elas?

Mimi

Tudo. Uma criança que nunca voou em um avião voa. Outra descobre que consegue se comunicar com um japonês usando mímica e futebol. Elas comem comida diferente, veem uma cidade diferente, voltam para casa sabendo que o mundo é maior do que imaginavam.

Mark

Os educadores parecem realmente tocados por isso.

Mimi

Porque é raro. Professores em escolas pequenas raramente veem seus alunos reconhecidos internacionalmente. Quando veem, muda algo neles também. Deixa de ser abstrato — "estude para ter futuro" — e vira concreto: meu aluno voou para o Japão.

Mark

Qual é o risco aqui? Que essas crianças voltem e nada mude?

Mimi

Exatamente. Ou que a escola não consiga manter esse momentum. Mas pelo menos agora sabem que é possível. E os próximos alunos também vão saber.

  • Cinco alunos do 5º ano competiram entre 30 mil estudantes de 38 países em Tóquio
  • Apenas um dos cinco havia viajado ao exterior antes da olimpíada
  • Competição aconteceu em julho de 2026 na World Mathematics Invitational

Alunos do 5º ano competiram entre 30 mil estudantes de 38 países, com apenas um deles tendo viajado ao exterior anteriormente. Além da competição matemática, crianças tiveram contato com cultura japonesa, culinária diferente e praticaram comunicação intercultural com nativos.

Cinco alunos da Escola da Guarda Civil Municipal em Jataí participaram da World Mathematics Invitational 2026 em Tóquio, conquistando medalhas de honra e vivenciando experiência internacional transformadora.

Cinco crianças de uma escola em Jataí, no sudoeste de Goiás, embarcaram para o Japão em julho deste ano para participar da World Mathematics Invitational, uma olimpíada de matemática que reuniu cerca de trinta mil estudantes vindos de trinta e oito países diferentes. Elas estudam no quinto ano do ensino fundamental da Escola da Guarda Civil Municipal Maria Theodora de Souza e foram convidadas a competir em Tóquio. Ao lado de seus acompanhantes — o comandante Bandeira e a tenente coronel Selma Silva, secretária de Segurança Pública de Jataí — viveram uma experiência que marcaria suas vidas de formas que nenhuma delas esperava.

Para quatro dessas crianças, aquela era a primeira vez deixando o Brasil. Apenas um dos cinco alunos havia viajado para o exterior em outra ocasião, o que tornou a jornada particularmente transformadora para a maioria do grupo. Alissa Dias, de dez anos, mal conseguia conter a emoção ao relembrar o momento em que pisou em um avião pela primeira vez. "Nunca na minha vida inteira eu sabia que ia voar de avião, e foi tão feliz quando eu voei", contou ela, com a ingenuidade e a alegria de quem acabava de viver um sonho.

Mas a viagem não foi apenas sobre competição. Os alunos conquistaram medalhas de honra pela participação e tiveram oportunidade de mergulhar em uma cultura completamente diferente da sua. Valentina Macedo, também de dez anos, notou as diferenças na culinária japonesa com a perspectiva desarmada de uma criança. Enquanto a comida brasileira, segundo ela, é repleta de temperos e sal, a experiência no Japão foi marcada por hambúrgueres — uma observação que arrancou risos dos entrevistadores. Rayane Mendonça, de onze anos, descobriu que a língua não precisava ser uma barreira quando havia criatividade e disposição para se comunicar. Ela usou mímica para conversar com japoneses e até conseguiu brincar sobre futebol com um deles, que brincou de volta ao fazer uma mímica indicando que o Brasil havia eliminado o Japão em uma Copa.

Para os educadores e gestores da escola, o convite internacional representava algo muito maior do que uma simples competição. Yussef Willian, diretor da instituição, viu naquele reconhecimento uma validação do trabalho que vinha sendo feito. Ele afirmou que o convite mostrava que a escola estava "caminhando na direção certa" e que o sucesso dos alunos havia energizado toda a equipe de professores. "Isso incentiva muito os educadores. Ver que o esforço deles está dando fruto dá fôlego para continuar, para inovar, para cobrar mais de si mesmo. O time começa a acreditar que vale a pena ir além", disse ele. Willian acredita que este seja apenas o começo e que a escola possa receber convites para futuras competições internacionais.

Selma Silva, que acompanhou os alunos na viagem, reforçou que a escola — um projeto desenvolvido em parceria com a Guarda Civil Municipal — vai além do ensino de matemática. Seu objetivo é formar cidadãos e transmitir valores essenciais para a vida adulta. O reconhecimento internacional, na sua avaliação, confirmava que o projeto estava no caminho correto. "Creio que estamos no rumo certo. Os alunos estão motivados a estudar e estão contagiando os demais", afirmou ela. Para Valentina, a lição aprendida foi ainda mais profunda: "Eu aprendi que sonhos podem sair da caixinha. Que se a gente continuar estudando, podemos ir pra muitos lugares que sonhamos". Aquela viagem ao Japão, que começou como uma oportunidade de competir em matemática, terminou sendo uma aula sobre o que é possível quando se estuda, se sonha e se tem coragem de tentar.

Nunca na minha vida inteira eu sabia que ia voar de avião, e foi tão feliz quando eu voei
— Alissa Dias, aluna de 10 anos
Ver que o esforço deles está dando fruto dá fôlego para continuar, para inovar, para cobrar mais de si mesmo
— Yussef Willian, diretor da escola
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