Em Recife, três adolescentes de 14 anos responderam a uma das maiores ameaças do nosso tempo não com alarme, mas com criação. A plataforma Pense Bem, desenvolvida por Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, propõe uma pausa reflexiva entre o impulso de publicar e o ato em si — um espelho digital num mundo onde a mentira viaja mais rápido que a verdade. Num momento em que a Unesco classifica a desinformação como o principal risco global, superando até as mudanças climáticas, são jovens estudantes que oferecem uma das respostas mais concretas.
Estudantes criam plataforma para avaliar risco de desinformação antes de publicar
Antes de publicar, pense no impacto
O que exatamente a plataforma faz quando você coloca um conteúdo nela?
Ela faz perguntas sobre o conteúdo — se tem IA envolvida, se há pessoas sem consentimento, se os fatos são verdadeiros — e depois calcula um risco e sugere mudanças.
Mas quem define o que é risco? Quem treinou o sistema para reconhecer desinformação?
Essa é uma boa pergunta. A reportagem não detalha o algoritmo por trás. Sabemos que a plataforma está em fase de aprimoramento.
As meninas têm 14 anos. Como elas conseguiram construir algo assim?
Elas estudam em um colégio que oferece educação tecnológica. O projeto foi desenvolvido dentro de uma competição de inovação.
A plataforma está "no ar", mas ainda não foi lançada oficialmente. Quantas pessoas estão usando? Há dados sobre efetividade?
A reportagem não fornece esses números. Sabemos que ganhou um prêmio, mas não temos evidência de impacto real ainda.
Por que a Unesco colocou desinformação como o maior risco global?
Porque fake news afetam decisões políticas, saúde pública, confiança social. Elas se espalham mais rápido que a verdade.
Mas uma ferramenta que pede consentimento antes de publicar depende de pessoas honestas usarem. Alguém com má intenção não vai usar.
Verdade. É um filtro para quem quer ser responsável, não uma solução universal.
Le Pouls
- A inteligência artificial tornou trivial fabricar imagens, vídeos e textos convincentes, ampliando o alcance da desinformação a uma escala sem precedentes.
- Três alunas de 14 anos identificaram que fake news não são apenas ruído digital — elas destroem reputações, adoecem mentes e fragmentam comunidades.
- O Pense Bem funciona como um filtro de consciência: antes de publicar, o usuário responde perguntas sobre consentimento, autenticidade e potencial de dano do conteúdo.
- A plataforma venceu o HackaNAV 2026 e garantiu às criadoras uma imersão tecnológica na Nasa, sinalizando reconhecimento nacional para a solução.
- O projeto ainda está em fase de refinamento, mas já aponta um caminho viável para inserir responsabilidade no fluxo cotidiano de criação e compartilhamento de conteúdo.
Em Recife, três adolescentes de 14 anos responderam a uma das maiores ameaças do nosso tempo não com alarme, mas com criação. A plataforma Pense Bem, desenvolvida por Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, propõe uma pausa reflexiva entre o impulso de publicar e o ato em si — um espelho digital num mundo onde a mentira viaja mais rápido que a verdade. Num momento em que a Unesco classifica a desinformação como o principal risco global, superando até as mudanças climáticas, são jovens estudantes que oferecem uma das respostas mais concretas.
Três alunas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, decidiram encarar de frente um problema que cresce junto com a tecnologia: a facilidade de criar e espalhar mentiras. Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, todas com 14 anos, desenvolveram o Pense Bem — uma plataforma que funciona como um filtro de consciência entre a criação de um conteúdo e sua publicação na internet.
O ponto de partida foi perturbador em sua simplicidade: a inteligência artificial tornou trivial gerar imagens, textos e vídeos que parecem reais. As três estudantes se perguntaram até onde vai o estrago do que as pessoas criam e compartilham — e a resposta as levou a construir uma ferramenta que tenta colocar uma pausa reflexiva nesse caminho.
Quando alguém acessa o Pense Bem, encontra o convite: 'Antes de publicar, pense no impacto.' A plataforma então faz uma série de perguntas calibradas — sobre nudez sem consentimento, conteúdo gerado por IA, pessoas reconhecíveis em imagens e veracidade dos fatos apresentados. Ao final, classifica o risco e sugere ajustes. Não é um bloqueio automático. É um espelho. Beatriz Vasconcellos explicou que a ferramenta mapeia como uma publicação pode escalar e gerar um efeito dominó negativo.
O projeto venceu o HackaNAV 2026, competição nacional de inovação organizada pelo Nave a Vela, e as três estudantes ganharão uma imersão tecnológica na Nasa como prêmio. O reconhecimento ecoa um dado alarmante: a Unesco classificou a desinformação como o principal risco global para 2025, acima de mudanças climáticas, violência e terrorismo. A plataforma ainda está sendo aprimorada antes do lançamento oficial, mas três adolescentes em Recife já traçaram um caminho concreto para um problema que o mundo ainda tenta nomear.
Três adolescentes de 14 anos, todas alunas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio em Recife, decidiram enfrentar um problema que cresce junto com a tecnologia: a facilidade de criar e espalhar mentiras. Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira desenvolveram o Pense Bem, uma plataforma que funciona como um filtro de consciência antes você publicar qualquer coisa na internet.
O ponto de partida foi simples e perturbador. Inteligência artificial tornou trivial a criação de imagens, textos e vídeos. Qualquer pessoa, com alguns cliques, consegue gerar conteúdo que parece real. Esse poder pode informar ou pode enganar em massa. As três estudantes se perguntaram: até onde vai o estrago do que as pessoas criam e compartilham? A resposta as levou a construir uma ferramenta que tenta colocar uma pausa reflexiva no meio do caminho entre a criação e a publicação.
O Pense Bem já está funcionando, embora ainda em fase de refinamento antes do lançamento oficial. Quando alguém acessa a plataforma, encontra um convite direto: "Antes de publicar, pense no impacto". O que segue é uma série de perguntas calibradas para revelar riscos que o criador de conteúdo talvez não tenha considerado. A ferramenta pergunta se há nudez ou material sexual envolvendo menores ou qualquer pessoa sem consentimento. Pergunta se o conteúdo foi gerado ou alterado por IA. Pergunta se há pessoas reconhecíveis na imagem ou no vídeo, e se elas consentiram com a publicação. Pergunta se os fatos são apresentados como realmente aconteceram. Depois de processar as respostas, a plataforma classifica o risco e sugere ajustes que poderiam evitar que aquele conteúdo se torne desinformação.
Beatriz Vasconcellos, uma das criadoras, explicou a lógica por trás do sistema: você insere a publicação que pretende fazer, e a plataforma calcula o risco, mapeando como aquilo pode escalar, se pode gerar um efeito dominó negativo. Não é um bloqueio automático. É um espelho. As três estudantes compreenderam, a partir de pesquisas que consultaram, que fake news não são apenas um incômodo digital. Elas afetam vidas reais. Podem prejudicar a socialização de uma pessoa, afetar seu psicológico, especialmente quando a mentira é criada sobre alguém específico e compartilhada em rede.
O projeto venceu o HackaNAV 2026, uma competição nacional de inovação organizada pelo Nave a Vela, braço de educação tecnológica da Arco Educação. Como prêmio, as três ganharão uma imersão tecnológica na Nasa, a agência espacial americana. O reconhecimento não é casual. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou a desinformação como o principal risco global para 2025 e para os anos seguintes, colocando-a acima de mudanças climáticas, crises ambientais, fluxos migratórios, violência e terrorismo. Três adolescentes em Recife construíram uma ferramenta que tenta responder a um problema que organismos internacionais identificaram como existencial. A plataforma ainda está sendo aprimorada, mas o caminho está traçado.
Citations marquantes
No Pense Bem, você pode colocar publicações que você pretende fazer para que ele faça o cálculo de risco, como que isso pode escalonar, se aquilo ali pode ter um efeito dominó negativo— Beatriz Vasconcellos, criadora da plataforma
Fake news criada por uma pessoa, sobre uma pessoa, pode afetar diretamente até mesmo o psicológico— Beatriz Vasconcellos