Estudantes criam plataforma para avaliar risco de desinformação antes de publicar

Desinformação afeta psicologicamente indivíduos e compromete processos democráticos, conforme relatado pelas estudantes em suas pesquisas.
Antes de publicar, pense no impacto
O convite central da plataforma Pense Bem, que busca fazer usuários refletirem sobre consequências antes de compartilhar conteúdo.
Mark

Como exatamente a plataforma calcula esse risco? É um algoritmo que aprende com o tempo, ou funciona com regras fixas?

Mimi

Elas não detalham o mecanismo técnico no projeto, mas a ideia é fazer perguntas específicas sobre conteúdo sensível — nudez, consentimento, uso de IA, factualidade — e depois classificar o risco. Ainda está em desenvolvimento.

Luke

Então não sabemos ao certo como funciona a lógica por trás da classificação. É importante notar que a plataforma ainda não foi lançada oficialmente.

Mark

Por que três alunas de 14 anos estavam pensando em desinformação? Isso não é um problema que normalmente preocupa adolescentes?

Mimi

Elas fizeram pesquisas e entrevistas com especialistas e descobriram que a desinformação afeta democracia, saúde mental e confiança pública. Viram pessoas sendo prejudicadas em grupos de família e redes sociais.

Luke

Verdade. Mas também é importante lembrar que elas estão em um colégio que oferece educação tecnológica — não é uma preocupação aleatória, é um ambiente que incentiva esse tipo de pensamento.

Mark

A Unesco realmente colocou desinformação acima de mudanças climáticas como risco global?

Mimi

Sim, a Unesco classificou desinformação como o principal risco global para 2025 e anos seguintes, à frente de mudanças climáticas, crise ambiental, fluxos migratórios, violência e terrorismo.

Luke

Isso é um dado importante, mas vale notar que diferentes organizações podem priorizar riscos de formas diferentes. A Unesco tem seu próprio foco em educação e informação.

Mark

Qual é o próximo passo? A plataforma vai estar pronta quando?

Mimi

Ainda está em aprimoramento antes do lançamento oficial. Elas também estão desenvolvendo desdobramentos educacionais com jogos e formação digital para escolas.

Luke

Não há data específica mencionada. Sabemos que está online agora, mas em versão de desenvolvimento.

  • A desinformação foi classificada pela Unesco como o maior risco global para 2025, superando crises climáticas, violência e terrorismo — e três adolescentes de Recife decidiram agir.
  • A inteligência artificial facilita a fabricação de conteúdo falso e, ao mesmo tempo, adormece o senso crítico de quem recebe e compartilha informações sem verificar.
  • O Pense Bem funciona como um filtro ativo: antes de publicar, o usuário responde perguntas sobre consentimento, veracidade e origem do conteúdo, recebendo uma avaliação de risco e sugestões de ajuste.
  • O projeto venceu uma competição nacional de inovação e garantiu às três estudantes uma imersão tecnológica na Nasa, enquanto a plataforma já está disponível online e segue em aprimoramento.
  • O combate à desinformação vai além da ferramenta: o trio desenvolve jogos e um programa de educação digital para escolas, ampliando o alcance do projeto para a formação de novas gerações.

Em Recife, três jovens de 14 anos decidiram enfrentar um dos maiores desafios da era digital: a desinformação que circula antes mesmo de ser questionada. Alice, Beatriz e Letícia construíram o Pense Bem, uma plataforma que convida o usuário a pausar e refletir antes de publicar — um gesto simples com implicações profundas para a saúde democrática e coletiva. A Unesco já havia nomeado a desinformação como o principal risco global para 2025, e essas estudantes responderam não com alarme, mas com criação.

Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira têm 14 anos, estudam no 9º ano em Recife e criaram uma ferramenta que funciona como uma pausa obrigatória antes de qualquer publicação na internet. A plataforma Pense Bem parte de uma pergunta inquietante: até onde vai o impacto do que as pessoas criam com inteligência artificial? A resposta que construíram é prática — um sistema que avalia o risco de um conteúdo causar danos antes que ele seja compartilhado.

O funcionamento é direto: o usuário cola o texto, imagem ou vídeo que pretende publicar e responde a uma série de perguntas sobre consentimento, veracidade e uso de IA. O sistema então calcula um nível de risco e, quando possível, sugere ajustes específicos para evitar desinformação ou danos à população. Beatriz explica que a ferramenta permite visualizar como um conteúdo pode escalar e gerar um efeito dominó negativo.

Durante as pesquisas, as três entrevistaram professores, estudantes e especialistas, e encontraram dados que reforçaram a urgência do projeto: a Unesco classificou a desinformação como o principal risco global para 2025, acima de mudanças climáticas e terrorismo. Alice aponta que a IA não apenas facilita a criação de conteúdo falso, como também reduz o hábito de questionar o que se recebe — muitos compartilham sem verificar. Letícia destaca que a pesquisa a fez compreender o papel central da educação midiática, ao ver pessoas sendo afetadas por fake news tanto em grupos de família no WhatsApp quanto no Instagram.

O Pense Bem venceu o HackaNAV 2026, competição nacional de inovação, e as estudantes receberão uma imersão tecnológica na Nasa. Além da plataforma principal, o trio também desenvolveu o Fato ou Boato, que analisa a veracidade de notícias a partir de um link. O próximo passo é expandir o projeto para as escolas, com jogos e um programa de educação digital — transformando uma ferramenta de triagem em um recurso formativo para toda uma geração.

Três alunas de 14 anos — Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, todas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife — desenvolveram uma ferramenta que funciona como um filtro de segurança antes você publicar qualquer coisa na internet. A plataforma, chamada Pense Bem, recebeu uma pergunta simples como ponto de partida: até onde vai o impacto do que as pessoas criam com inteligência artificial? Essa inquietação as levou a construir um sistema que classifica o risco de um conteúdo causar danos antes que ele saia do seu dispositivo.

O funcionamento é direto. Você cola o texto, a imagem ou o vídeo que pretende compartilhar. A plataforma então faz uma série de perguntas: o conteúdo envolve nudez ou material sexual de menores de idade ou de qualquer pessoa sem consentimento? Foi gerado ou editado por IA? Há pessoas reais reconhecíveis na publicação? Elas deram consentimento? Os fatos são apresentados como realmente aconteceram? Depois de processar as respostas, o sistema calcula um nível de risco e, quando possível, sugere ajustes específicos no conteúdo ou na forma de publicação para que ele não gere desinformação ou cause danos à população.

O projeto venceu o HackaNAV 2026, uma competição nacional de inovação organizada pelo Nave a Vela, solução de educação tecnológica da Arco Educação. Como reconhecimento, as três estudantes receberão uma imersão tecnológica na agência de pesquisa espacial dos Estados Unidos, a Nasa. A plataforma já está disponível online, mas ainda passa por aprimoramentos antes de seu lançamento oficial.

Beatriz Vasconcellos explica que a ferramenta permite que você veja como um conteúdo pode escalar, se ele pode ter um efeito dominó negativo. Durante suas pesquisas, as alunas entrevistaram professores, estudantes e especialistas e descobriram dados alarmantes: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou a desinformação como o principal risco global para 2025 e os anos seguintes, colocando-a acima de mudanças climáticas, crise ambiental, fluxos migratórios, violência e terrorismo. Beatriz relata que as fake news podem afetar profundamente a vida das pessoas, desde a socialização até a saúde psicológica, e descobriu também que a desinformação compromete a democracia tanto em anos de eleição quanto fora deles.

Alice Gomes aponta um problema específico: a IA facilita a criação de conteúdo falso, mas também faz com que as pessoas deixem de questionar o que recebem pela internet ou em grupos de WhatsApp. Muitos simplesmente compartilham informações sem verificar se são verdadeiras, sem investigar as fontes. O projeto transformou a forma como ela própria consome e cria conteúdo — agora pesquisa melhor antes de compartilhar, e isso melhorou seu pensamento crítico como pessoa.

Letícia de Oliveira ressalta que a pesquisa a ajudou a compreender a importância da educação midiática e da educação para os meios digitais. Ela viu pessoas sendo afetadas por fake news tanto em grupos familiares no WhatsApp quanto no Instagram. O trabalho aprofundou seu conhecimento sobre desinformação e como ajudar outras pessoas a combatê-la.

O Pense Bem não é o único projeto do trio. Elas também desenvolveram a plataforma Fato ou Boato, que identifica notícias falsas — você cola o link da notícia e o sistema analisa sua veracidade. Além disso, o Pense Bem terá desdobramentos voltados para a formação nas escolas, incluindo jogos e um programa de educação digital ainda em desenvolvimento. O objetivo é expandir o combate à desinformação além da ferramenta inicial, transformando-a em um recurso educacional mais amplo.

A gente viu em várias pesquisas que as fake news podem afetar muito a vida das pessoas, até mesmo na vida pessoal, a socialização. Fake news criada por uma pessoa, sobre uma pessoa, pode afetar diretamente até mesmo o psicológico
— Beatriz Vasconcellos, criadora da plataforma
Isso faz com que a pessoa, quando ela recebe uma informação, ela não procure antes se essa informação é verdadeira ou falsa. Ela apenas pega essa informação e acaba compartilhando a informação, sem saber se ela é verdadeira ou não
— Alice Gomes, criadora da plataforma
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