Estudantes criam plataforma para avaliar risco de desinformação antes de publicar

Antes de publicar, pense no impacto
O convite central do Pense Bem, a plataforma que avalia riscos de conteúdo antes da publicação.
Mark

Por que três alunas de 14 anos decidiram trabalhar especificamente em desinformação e não em outro problema tecnológico?

Mimi

Elas perceberam que a IA tornou muito fácil criar conteúdo falso, e isso as preocupou. Fizeram pesquisas, entrevistaram professores e especialistas, e descobriram que fake news afetam pessoas reais — a vida social, o psicológico, até a democracia.

Luke

Mas a plataforma delas realmente funciona? Ela está no ar, mas ainda em desenvolvimento. Não sabemos ainda se reduz desinformação ou apenas faz as pessoas pausarem antes de publicar.

Mark

Qual é a diferença entre o Pense Bem e outras ferramentas de verificação de fatos que já existem?

Mimi

O Pense Bem funciona antes da publicação, não depois. Você insere o conteúdo que quer postar e recebe um cálculo de risco em tempo real. É preventivo, não reativo.

Luke

Mas quem define o que é risco? As perguntas parecem objetivas — nudez, consentimento, IA — mas a classificação final de risco é feita por um algoritmo. Não está claro como ele pesa essas variáveis.

Mark

A Unesco disse que desinformação é o maior risco global. Isso não é um pouco alarmista?

Mimi

Não é alarmismo. Elas viram isso na prática — em grupos de família, no Instagram, pessoas compartilhando informações falsas sem verificar. E a pesquisa delas mostrou que isso afeta democracia, saúde mental, confiança pública.

Luke

A Unesco fez essa classificação, sim, mas é importante notar que desinformação é um problema complexo. Uma ferramenta que avalia risco antes da publicação é uma peça do quebra-cabeça, não a solução completa.

Mark

O que mais as surpreendeu durante a pesquisa?

Mimi

Beatriz disse que foi descobrir o quanto desinformação afeta democracia, mesmo fora de anos eleitorais. E Alice percebeu que as pessoas não questionam o que recebem — apenas compartilham.

Luke

Isso é observação válida, mas vem de entrevistas com professores e especialistas, não de dados sistemáticos. Não sabemos quantas pessoas realmente agem assim ou se é um padrão generalizado.

Mark

Elas vão mesmo para a Nasa?

Mimi

Sim, como prêmio por vencer o HackaNAV 2026. Será uma imersão tecnológica. E duas delas estão pensando em seguir carreiras em tecnologia.

Luke

É um prêmio significativo, mas também é importante lembrar que o projeto ainda está em desenvolvimento. O reconhecimento é pela ideia e pelo potencial, não por um produto já comprovado.

  • A Unesco classificou a desinformação como o maior risco global para 2025, superando crises climáticas e terrorismo — e três adolescentes de Recife decidiram agir diante disso.
  • O Pense Bem funciona como um filtro de consciência: antes de publicar, o usuário responde perguntas sobre consentimento, autoria e veracidade, e a plataforma calcula o potencial de dano.
  • As estudantes descobriram que fake news não são apenas um problema político — elas destroem reputações, adoecem relações e corroem a confiança em silêncio.
  • O projeto venceu o HackaNAV 2026 e rendeu às três uma imersão tecnológica na Nasa, mas o impacto mais imediato já é visível: as próprias criadoras mudaram a forma como consomem informação.
  • A plataforma ainda será aprimorada e ganhará desdobramentos em jogos e programas de educação digital para escolas, ampliando seu alcance para além da tela.

Em Recife, três jovens de 14 anos responderam a uma das perguntas mais urgentes da era digital — quem é responsável pelo que circula? — criando uma plataforma capaz de avaliar os riscos de um conteúdo antes que ele seja lançado ao mundo. O Pense Bem, desenvolvido por Alice, Beatriz e Letícia, venceu uma competição nacional de inovação e levará suas criadoras à Nasa, mas o prêmio maior talvez seja o hábito que o projeto já instalou nelas: pensar antes de publicar, e questionar antes de compartilhar.

A inteligência artificial tornou simples o que antes exigia esforço: gerar imagens, textos e vídeos está ao alcance de qualquer pessoa com alguns cliques. Mas essa facilidade carrega uma pergunta incômoda — qual é o alcance real do que criamos quando o conteúdo é falso?

Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, alunas de 14 anos do Colégio e Curso Desafio, em Recife, decidiram enfrentar essa questão criando o Pense Bem. A plataforma funciona como um filtro de risco: o usuário insere o conteúdo que pretende publicar, responde a perguntas sobre nudez não consentida, edição por IA, reconhecimento de pessoas e veracidade dos fatos, e recebe uma classificação de risco com sugestões para evitar danos. O projeto venceu o HackaNAV 2026, competição nacional promovida pela Nave a Vela, e as três ganharão uma imersão tecnológica na Nasa.

A pesquisa revelou dimensões que surpreenderam as estudantes. Beatriz descobriu o quanto a desinformação compromete a democracia mesmo fora de anos eleitorais, e como fake news direcionadas a uma pessoa podem devastar sua vida social e psicológica. Alice identificou um problema mais sutil: a IA não apenas facilita a criação de conteúdo falso, mas desestimula o questionamento — a tendência é compartilhar sem verificar. O projeto mudou seu próprio comportamento; hoje, ao receber uma notícia, seu primeiro impulso é pesquisar antes de repassar. Letícia, por sua vez, passou a enxergar o mundo digital sob nova perspectiva, reconhecendo a urgência da educação midiática ao observar pessoas sendo afetadas por fake news em grupos familiares e no Instagram.

O Pense Bem ainda está em desenvolvimento. Além da plataforma principal, as três preparam jogos e programas de formação em educação digital para escolas. Não é seu primeiro projeto: também criaram o Fato ou Boato, ferramenta que analisa a veracidade de notícias a partir de um link. O que começou como uma pergunta sobre o impacto da IA transformou-se em um convite para que outras pessoas pensem antes de publicar — e, talvez mais importante, questionem antes de compartilhar.

A inteligência artificial tornou trivial o que antes exigia tempo e habilidade: qualquer pessoa, com alguns cliques, pode gerar imagens, textos e vídeos. Essa capacidade traz consigo uma pergunta incômoda — qual é o alcance real do conteúdo que criamos, especialmente quando ele é falso?

Três alunas de 14 anos do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, decidiram enfrentar essa questão de frente. Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira desenvolveram o Pense Bem, uma plataforma que funciona como um filtro de risco antes da publicação. O projeto venceu o HackaNAV 2026, competição nacional de inovação promovida pela Nave a Vela, iniciativa de educação tecnológica da Arco Educação. Como prêmio, as três ganharão uma imersão tecnológica na Nasa, a agência espacial americana.

O funcionamento é direto: o usuário insere o conteúdo que pretende publicar e a plataforma calcula o risco associado, identificando possíveis efeitos em cascata. A ferramenta faz uma série de perguntas específicas — se o conteúdo envolve nudez ou material sexual de menores ou de pessoas sem consentimento, se foi gerado ou editado por IA, se há pessoas reconhecíveis e se elas consentiram, se os fatos são apresentados como realmente ocorreram. Com base nas respostas, o Pense Bem classifica o nível de risco e sugere adequações para evitar que a postagem espalhe desinformação e cause danos.

Beatriz explicou que a pesquisa revelou algo que a surpreendeu: o quanto a desinformação compromete a democracia, tanto em anos eleitorais quanto fora deles. Ela também observou que fake news direcionadas a uma pessoa específica podem afetar profundamente sua vida social e psicológica. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) já havia classificado a desinformação como o principal risco global para 2025 e além, colocando-a à frente de mudanças climáticas, crises ambientais, fluxos migratórios, violência e terrorismo.

Alice apontou um problema mais sutil: a IA não apenas facilita a criação de conteúdo falso, mas também desestimula o questionamento. Quando alguém recebe uma informação — seja por internet, redes sociais ou grupos de WhatsApp familiar — a tendência é compartilhá-la sem verificar se é verdadeira, sem investigar as fontes. O projeto mudou a forma como ela própria consome e compartilha conteúdo online; agora, ao ver uma notícia, seu primeiro impulso é pesquisar melhor antes de repassá-la.

Letícia destacou que o trabalho a fez enxergar o mundo digital sob uma nova perspectiva. Ela observou pessoas sendo afetadas por fake news tanto em grupos familiares quanto no Instagram, e reconheceu a importância crítica da educação midiática e da formação para os meios digitais. Embora o tema da desinformação circulasse em conversas, ela nunca havia se aprofundado nele até o projeto; agora compreende melhor como ajudar outras pessoas a combatê-la.

O Pense Bem ainda está em desenvolvimento e será aprimorado antes do lançamento oficial. Além da plataforma principal, as três estudantes estão criando desdobramentos educacionais — jogos e programas de formação em educação digital para escolas. Esse não é seu primeiro trabalho na competição: também desenvolveram o Fato ou Boato, uma ferramenta que analisa a veracidade de notícias quando o usuário cola o link.

As três estão entusiasmadas com a visita à Nasa e, através do projeto, descobriram maior interesse por tecnologia. Letícia e Alice cogitam seguir carreiras em áreas tecnológicas. Beatriz, por sua vez, pretende ser médica. O que começou como uma pergunta sobre o impacto da IA transformou-se em uma ferramenta que convida outras pessoas a pensar antes de publicar — e, talvez mais importante, a questionar o que recebem antes de compartilhar.

No Pense Bem, você pode colocar publicações que você pretende fazer para que ele faça o cálculo de risco, como que isso pode escalonar, se aquilo ali pode ter um efeito dominó negativo
— Beatriz Vasconcellos, criadora do Pense Bem
A gente viu em várias pesquisas que as fake news podem afetar muito a vida das pessoas, até mesmo na vida pessoal, a socialização. Fake news criada por uma pessoa, sobre uma pessoa, pode afetar diretamente até mesmo o psicológico
— Beatriz Vasconcellos
Isso faz com que a pessoa, quando ela recebe uma informação, ela não procure antes se essa informação é verdadeira ou falsa. Ela apenas pega essa informação e acaba compartilhando a informação, sem saber se ela é verdadeira ou não
— Alice Gomes, criadora do Pense Bem
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