Energético antes do treino pode colocar o coração em risco, alerta o ACSM

Os efeitos crônicos no coração ainda estão por ser descobertos
O texto admite que os efeitos agudos são mais conhecidos que as consequências cardiovasculares de longo prazo.
Mark

Por que o ACSM está falando disso agora, se o hábito já é antigo?

Mimi

O texto divulga a revisão de John Higgins, de 2018. O ponto é que muita gente toma energético no treino achando que é um recurso inofensivo, e o colégio pede cautela.

Mark

O que exatamente preocupa no coração?

Mimi

O aumento da demanda do coração, com mais tônus e espasmos nas coronárias. Isso pode causar problemas agudos até em pessoas saudáveis.

Luke

Vale separar o que está estabelecido. Os efeitos agudos são descritos; os crônicos, o próprio texto diz que ainda são pouco conhecidos.

Mark

E a quantidade? Uma lata é muito?

Mimi

Uma lata de 250 ml costuma ter cerca de 80 mg, e a Anvisa considera seguro até 400 mg por dia para pessoas saudáveis. Só que café, chá, chocolate e refrigerante somam.

Luke

Repare que esses 80 mg são um valor típico, não de todas as marcas. E o texto não diz a partir de quantas latas o risco aparece.

Mark

E as mortes mencionadas?

Luke

O texto diz que foram "supostamente" relacionadas. Ou seja, associação relatada, não causa comprovada.

Mimi

Por isso a recomendação é de precaução: evitar energéticos antes, durante ou depois de esforço extenuante, até haver dados de segurança.

  • Uma lata de energético parece inofensiva, mas a cafeína que ela carrega pode acelerar o coração justamente quando o esforço já o exige ao máximo.
  • Jovens, pessoas sem costume com cafeína e quem tem condições cardiovasculares estão na linha de frente do risco.
  • O ACSM propõe três caminhos: proteger adolescentes, evitar energéticos em torno de exercícios extenuantes e levar a educação sobre bebidas às escolas.
  • O alerta segue em aberto: os efeitos agudos são conhecidos, mas o impacto de longo prazo ainda aguarda pesquisas mais sólidas.

Em qualquer academia, uma lata de energético na mão tornou-se gesto banal, quase um ritual antes do treino. Foi justamente esse hábito cotidiano que o Colégio Americano de Medicina do Esporte resolveu examinar, apoiado em revisões científicas, e que ganhou eco em coluna do UOL. A mensagem que emerge é menos alarmista do que cautelosa: quando o corpo é empurrado ao limite, a cafeína acumulada em pouco tempo pode pesar mais sobre o coração do que aparenta, sobretudo para quem é jovem ou sensível a ela.

Em qualquer academia é fácil ver alguém com uma lata de energético na mão, antes ou durante o treino. O hábito é comum, e foi justamente ele que o Colégio Americano de Medicina do Esporte, o ACSM, decidiu examinar, a partir do trabalho do pesquisador John Higgins.

Por energéticos entendem-se bebidas prontas e pós diluídos em água que contenham cafeína, inositol, glucoronolactona ou taurina. A revisão de Higgins mostrou que o excesso de cafeína pode afetar o coração, o sistema nervoso, os rins, o intestino e o sistema endócrino. O alerta vale com ou sem exercício, porque algumas pessoas são mais sensíveis à substância.

A Anvisa considera seguro até 400 mg de cafeína por dia para adultos saudáveis, e uma lata de 250 ml costuma ter cerca de 80 mg. Mas café, chocolate, chás e refrigerantes também contam nessa conta.

No coração, o consumo pode elevar a demanda cardíaca e provocar espasmos nas artérias coronárias, com riscos agudos tanto para pacientes quanto para pessoas saudáveis. Os mais vulneráveis são jovens, quem não está acostumado à cafeína, gestantes, lactantes e quem consome várias doses no mesmo treino.

As recomendações do ACSM se dividem em três frentes: proteger crianças e adolescentes, evitar energéticos antes, durante ou depois de exercícios intensos e investir em educação sobre a diferença entre café, refrigerante, bebidas esportivas e energéticos. O próprio texto reconhece que os efeitos crônicos ainda são pouco conhecidos e que pesquisas futuras são necessárias.

Em qualquer academia é fácil ver alguém com uma lata de energético na mão, antes ou durante o treino. O hábito é comum, e é justamente sobre ele que o Colégio Americano de Medicina do Esporte, o ACSM, decidiu chamar a atenção, em texto divulgado a partir do trabalho do pesquisador John Higgins e comentado em coluna do UOL.

Primeiro, a definição. Por energéticos entendem-se tanto as bebidas prontas quanto os produtos em pó, diluídos em água, que tenham um ou mais destes componentes: cafeína, inositol, glucoronolactona ou taurina. Podem ainda levar vitaminas e minerais em até 100% da ingestão diária recomendada.

Higgins é autor da pesquisa "Energy Drinks: A Contemporary Issues Paper", de 2018, publicada na Current Sports Medicine Reports. O alerta vale para o consumo dessas bebidas em geral, com ou sem exercício, porque algumas pessoas são mais sensíveis aos efeitos da cafeína. A revisão mostrou que o excesso da substância pode causar efeitos adversos nos sistemas cardiovascular, neurológico, gastrointestinal, renal e endócrino, além de sintomas psiquiátricos. O texto não recomenda o consumo excessivo, nem no treino nem no dia a dia.

Há um referencial de quantidade. A Anvisa considera seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia para pessoas saudáveis. Uma lata de 250 ml de energético costuma ter cerca de 80 mg. Mas a cafeína também está no café, no chocolate, nos chás e nos refrigerantes, e tudo isso entra na conta.

No coração, segundo o estudo, o consumo pode estar ligado a um aumento da demanda cardíaca, por meio da elevação do tônus e de espasmos das artérias coronárias. Isso pode causar problemas agudos tanto em pacientes cardíacos quanto em pessoas saudáveis. Correm risco maior de complicações os jovens, quem não está acostumado com cafeína ou é particularmente sensível a ela, quem tem doenças cardiovasculares ou outras condições de base, gestantes e lactantes, e quem toma várias doses de energético em um mesmo treino.

As recomendações do ACSM se organizam em três eixos. O primeiro é proteger crianças e adolescentes, considerados em risco particularmente alto por terem corpo menor, pouca experiência com cafeína e padrões de consumo potencialmente pesados. O segundo é não usar energéticos antes, durante ou depois de exercícios extenuantes, independentemente de saúde e condicionamento, até que existam dados adequados de segurança e eficácia. O texto lembra que algumas mortes supostamente relacionadas a essas bebidas ocorreram quando a pessoa as ingeriu antes ou depois de atividade extenuante.

O terceiro eixo é investir em educação e conscientização sobre efeitos adversos e uso seguro. O ACSM pede esforços para que os consumidores entendam as diferenças entre refrigerante, café, bebidas esportivas e energéticos, e defende que o tema ocupe lugar nos currículos escolares de nutrição, saúde e bem-estar.

O próprio texto admite lacunas. Embora muitas consequências cardiovasculares agudas sejam conhecidas, ainda há muito a aprender sobre as crônicas, e são necessárias mais pesquisas sobre a segurança das bebidas em diferentes populações.

Crianças e adolescentes parecem estar em risco particularmente alto de complicações de bebidas energéticas.
— ACSM, segundo a coluna do UOL
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