Documentos indicam possível participação oculta de Flávio em casa de apostas

Créditos passaram de 7,8 mil para 984 mil euros em um ano
Movimentações financeiras entre as duas empresas portuguesas ligadas ao advogado Willer Tomaz sugerem fluxo de recursos.
Mark

Como a PF conseguiu reunir essa documentação toda em Portugal? Não é jurisdição brasileira.

Mimi

A PF trabalhou com registros que cruzam Brasil e Portugal — a Rede Loto opera aqui, mas as empresas-mãe estão lá. E o Santander é um banco internacional, então os e-mails e registros de conta ficam acessíveis.

Luke

Mas espera — a PF solicitou esses documentos ou os obteve de outra forma? A reportagem diz que foram "obtidos pela Polícia Federal", mas não fica claro se foi por cooperação internacional, busca e apreensão, ou se veio de outra investigação.

Mimi

Boa pergunta. A reportagem não especifica o método. Mas o fato é que os números estão lá — 984 mil euros em créditos, 824 mil em dívidas, movimentações que sugerem fluxo de recursos.

Mark

E o auditor português que levantou a hipótese de financiamento? Ele é parte de uma investigação oficial ou foi consultado informalmente?

Luke

Exatamente. Ele foi ouvido "sob anonimato". Isso significa que é uma interpretação de um profissional, não uma conclusão oficial do fisco português. É importante não confundir.

Mimi

Verdade. Mas o que importa é que a PF usou essa análise para sustentar sua hipótese. E os voos — Cathedral contratou voos para Flávio. Isso está documentado.

Mark

A defesa diz que Willer pagou pessoalmente. Como se prova ou refuta isso?

Luke

Aí está o nó. Se Willer pagou com dinheiro pessoal, não há rastro de que veio da Alcazar ou Cathedral. Se pagou com dinheiro da empresa, há rastro. A PF provavelmente está olhando para isso.

Mimi

E a conta bancária com o nome de Flávio no gerenciador master — isso é operacional mesmo, ou pode ser um erro administrativo?

Luke

A PF diz que indica "acesso operacional relevante". Mas a defesa diz que foi indevido e foi solicitada a retirada. Sem ver o contrato ou os termos de uso, é difícil saber se era acesso real ou um erro que foi corrigido.

  • A Polícia Federal identificou movimentações de quase 1 milhão de euros entre empresas portuguesas ligadas ao advogado Willer Tomaz e suspeita que Flávio Bolsonaro participava economicamente desse circuito sem figurar formalmente como sócio.
  • E-mails enviados ao Santander em maio de 2025 pedindo a desvinculação do nome de Flávio Bolsonaro de uma conta da Alcazar Holdings acenderam o alerta dos investigadores sobre seu possível acesso operacional à empresa.
  • Registros de voos pagos pela Cathedral Holdings para o senador e familiares — de Lisboa a Nice e de Cascais a Nice — aprofundam a suspeita de que a relação entre as partes ia além de uma simples amizade.
  • As defesas de Flávio Bolsonaro e de Willer Tomaz rejeitam todas as interpretações, classificando os vínculos bancários como equívocos cadastrais e as viagens como despesas pessoais do advogado entre amigos.
  • A PF solicitou ao STF a abertura formal de inquérito, e o caso aguarda decisão da corte enquanto a documentação permanece sob análise e o candidato mantém sua campanha presidencial.

Em meio à corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro vê seu nome entrelaçado a uma teia de empresas portuguesas e registros bancários que a Polícia Federal interpreta como indícios de sociedade oculta na casa de apostas Best Bet. A investigação, alimentada por documentos contábeis, correspondências bancárias e registros empresariais cruzados entre Brasil e Portugal, revela como estruturas societárias opacas podem esconder vínculos que o poder público e a imprensa se esforçam para iluminar. O caso lembra que a transparência não é apenas uma exigência legal, mas uma condição da confiança democrática — especialmente quando o investigado aspira ao mais alto cargo do país.

A Polícia Federal levantou a hipótese de que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, teria sido sócio oculto da Best Bet, casa de apostas ligada ao advogado Willer Tomaz. A suspeita nasceu do cruzamento de registros empresariais brasileiros e portugueses, documentos contábeis e correspondências bancárias reunidos pela corporação e revelados pela imprensa.

O fio condutor passa por duas empresas sediadas em Portugal, ambas associadas a Willer Tomaz: a Cathedral Holdings, na Ilha da Madeira, e a Alcazar Holdings. As duas compartilhavam endereço, sala e administrador em Funchal. Os balanços revelam um fluxo expressivo: os créditos a receber da Cathedral saltaram de 7,8 mil para 984 mil euros em 2025, enquanto as dívidas da Alcazar cresceram de forma paralela, levando um auditor fiscal português a sugerir que uma empresa teria financiado a outra.

O elemento mais direto surgiu em correspondência bancária. Em maio de 2025, uma funcionária de Willer Tomaz enviou e-mails ao Santander pedindo que o banco desvinculasse da conta da Alcazar o nome de Flávio Bolsonaro e o do próprio advogado. Para a PF, o cadastro do senador indicava acesso operacional relevante à conta — indício de participação econômica ou societária de fato. A assessoria de Bolsonaro contestou essa leitura, alegando que a vinculação era indevida e que a remoção foi solicitada exatamente por isso.

Registros de voos pagos pela Cathedral para o senador e familiares — incluindo trajetos entre Lisboa, Cascais e Nice em abril e maio de 2025 — reforçaram as suspeitas. A defesa de Willer Tomaz classificou as viagens como passeios entre amigos, custeados pessoalmente pelo advogado, sem qualquer contrapartida.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Willer Tomaz negam qualquer relação comercial ou financeira, descrevendo o vínculo como estritamente pessoal. A Polícia Federal já solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito formal, e o caso aguarda decisão da corte enquanto a documentação segue sob escrutínio das autoridades.

A Polícia Federal levantou a hipótese de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, teria sido sócio oculto da Best Bet, uma casa de apostas ligada ao advogado Willer Tomaz. A suspeita emerge de uma investigação jornalística publicada pela revista piauí que cruza registros empresariais brasileiros e portugueses, informações contábeis e documentos bancários obtidos pela corporação.

O caminho da investigação passa por duas empresas registradas em Portugal. A Best Bet era operada pela Rede Loto, que tinha a Cathedral Holdings, sediada na Ilha da Madeira, como única sócia no momento de sua constituição em 2023, com capital de R$ 1 milhão. A ligação com Bolsonaro, porém, aparece através da Alcazar Holdings, outra empresa de Willer Tomaz também em Portugal. Cathedral e Alcazar compartilhavam não apenas o mesmo endereço em Funchal, capital da Madeira, mas também o mesmo administrador, Mateo Scudeler, ambas registradas na mesma sala de um edifício.

Os números contábeis revelam movimentações significativas. Os créditos a receber da Cathedral passaram de 7,8 mil euros para 984 mil euros em 2025, enquanto as dívidas da Alcazar subiram de 8,1 mil para 824 mil euros no mesmo período. Um auditor do fisco português, ouvido sob anonimato pela publicação, levantou a hipótese de que a Cathedral teria financiado a Alcazar, total ou parcialmente, sugerindo um fluxo de recursos entre as duas entidades.

O vínculo mais direto aparece em correspondência bancária. Em 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Willer Tomaz, enviou e-mails ao Santander solicitando que o banco desassociasse do gerenciador de um usuário master uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e outra identificada como conta pessoal do advogado. A comunicação tratava de procedimentos envolvendo a Alcazar. Em seu relatório, a PF avaliou que o cadastro de Flávio Bolsonaro indicava acesso operacional relevante à conta da Alcazar, elemento que sustentaria a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa. A assessoria do candidato contestou essa interpretação, afirmando que a vinculação bancária era indevida e que teria sido solicitada sua retirada por esse motivo.

Documentos adicionais reunidos pela PF e reportados pela Folha de S.Paulo mostram que a Cathedral contratou voos para Flávio Bolsonaro. Os registros incluem uma viagem de Lisboa a Nice em 11 de abril de 2025 e outra de Cascais a Nice em 23 de maio, ambas com familiares. A defesa de Willer Tomaz afirmou que os deslocamentos foram custeados pessoalmente pelo advogado, caracterizados como passeios entre amigos, sem qualquer contrapartida.

Em manifestações anteriores, Flávio Bolsonaro negou manter conta com Willer Tomaz ou empresas do advogado como usuários master. Willer Tomaz também negou compartilhar conta bancária com o senador e afirmou que os dois mantêm apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Ambos contestam as interpretações dos registros bancários e a existência de qualquer sociedade.

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar a suspeita de sociedade oculta de Flávio Bolsonaro na Best Bet. O caso permanece em fase de análise pela corte, com as defesas mantendo suas negações enquanto a documentação continua sob escrutínio das autoridades.

O cadastro de Flávio Bolsonaro indicava acesso operacional relevante à conta da Alcazar, elemento que sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa
— Relatório da Polícia Federal
A vinculação bancária era indevida, motivo pelo qual teria sido solicitada sua retirada
— Assessoria de Flávio Bolsonaro
Nous contacter FAQ