Deslizamento no Nepal e China deixa 768 mortos e mais de 3 mil desaparecidos

768 pessoas mortas, mais de 3.000 desaparecidas, cerca de 100 trabalhadores potencialmente presos em túnel; centenas de corpos enterrados em sepulturas coletivas.
O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas sofre as piores consequências
O ministro das Relações Exteriores do Nepal destacou a injustiça climática após o desastre.
Mark

Como um deslizamento de geleira causa tantas mortes em um único evento? Parece desproporcional.

Mimi

A velocidade e o volume são o que tornam isso tão letal. A lama e os escombros viajaram seis a sete minutos até a fronteira, arrastando tudo no caminho — edifícios, pontes, pessoas. Não há tempo para fugir.

Luke

Mas ainda não sabemos exatamente o que desencadeou o colapso, certo? Estamos falando de mudanças climáticas como causa, mas o relatório diz que a causa exata ainda não está clara.

Mimi

Verdade. Os cientistas dizem que o aquecimento contribuiu — reduz a sustentação do gelo, aumenta a água de degelo — mas ninguém está dizendo que foi a única causa imediata.

Mark

E aqueles cem trabalhadores presos no túnel? Há esperança de encontrá-los vivos?

Mimi

As equipes conseguiram chegar à entrada do túnel da usina hidrelétrica no domingo, mas o relatório não diz se conseguiram entrar ou se há sinais de vida.

Luke

Exatamente. Sabemos que "cerca de cem" podem estar lá, mas isso é uma estimativa. Não há confirmação de quantos realmente estão presos ou em que condições.

Mark

E os enterros em massa — isso é comum em desastres assim?

Mimi

Neste caso, foi uma decisão de saúde pública. Centenas de corpos em clima quente se decompõem rapidamente. Mas coletaram DNA antes de enterrar, então as famílias podem identificar e exumar depois.

Luke

O que é humanitário, mas também significa que muitas famílias ainda não sabem se seus parentes estão entre os mortos ou desaparecidos.

Mark

E o Nepal está dizendo que isso é injusto — que eles emitem quase nada de gases de efeito estufa mas sofrem as piores consequências.

Mimi

Sim. Menos de 0,01% das emissões globais, mas estão no coração do Himalaia, onde o aquecimento está desestabilizando rochas e gelo.

Luke

Isso é verdade, mas também é importante notar que a mudança climática não é a única razão pela qual as montanhas são perigosas. Geleiras sempre colapsaram. O que mudou é a frequência e a probabilidade.

  • O colapso varrreu edifícios, estradas e pontes em minutos, deixando centenas de corpos soterrados sob camadas densas de lama que continuam dificultando o acesso das equipes de resgate.
  • Um lago formado pelos escombros transbordou para rios vizinhos, forçando a evacuação de moradores e socorristas para terrenos mais altos e interrompendo repetidamente as buscas desde sexta-feira.
  • Cerca de cem trabalhadores podem estar presos dentro de um túnel da usina hidrelétrica de Trishuli-3, e equipes com equipamentos de perfuração tentam avançar até a entrada enquanto o nível dos rios continua subindo.
  • Diante da decomposição acelerada, autoridades nepalesas optaram por sepulturas coletivas em Devghat, coletando amostras de DNA para permitir identificação futura e preservar a possibilidade dos ritos tradicionais.
  • Cientistas e líderes políticos convergem no diagnóstico: o aquecimento global desestabiliza gelo e rocha em regiões montanhosas, tornando catástrofes como esta mais prováveis — e o Nepal, que emite menos de 0,01% dos gases globais, paga o preço mais alto.

Nas dobras íngremes da fronteira entre Nepal e China, onde a terra e o gelo coexistem em equilíbrio precário, um colapso de geleira no dia 26 de agosto de 2026 sepultou centenas de vidas sob lama e escombros. Quatro dias depois, 768 mortos foram confirmados e mais de três mil pessoas permanecem desaparecidas — um número que carrega, em si, a dimensão de comunidades inteiras apagadas. O evento não é apenas uma tragédia natural: é também um espelho do desequilíbrio climático global, que castiga com maior brutalidade aqueles que menos contribuíram para criá-lo.

Quatro dias após um colapso de geleira na fronteira entre Nepal e China, as autoridades confirmavam 768 mortos no domingo, com mais de três mil pessoas ainda desaparecidas. O deslizamento, ocorrido em 26 de agosto, destruiu edifícios, estradas e pontes, soterrando vítimas sob lama densa. No Nepal, 752 corpos foram recuperados e mais de 2.500 pessoas seguem desaparecidas; no Tibete, 16 corpos foram encontrados e 546 pessoas ainda não foram localizadas.

As operações de resgate enfrentam obstáculos severos. Desde sexta-feira, o mau tempo e o risco de novos desastres interromperam repetidamente as buscas. Um lago formado pelo colapso começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, obrigando moradores e equipes de emergência a se deslocar para terrenos mais elevados. Com cautela extrema, socorristas conseguiram avançar com equipamentos de perfuração até a entrada de um túnel da usina hidrelétrica de Trishuli-3, onde cerca de cem trabalhadores podem estar presos desde a catástrofe.

A causa exata permanece sob investigação, mas autoridades e cientistas apontam para as mudanças climáticas. O ministro das Relações Exteriores do Nepal destacou a injustiça do cenário: o país emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa globais, mas seus cidadãos estão entre as principais vítimas do aquecimento. Cientistas explicam que temperaturas mais altas reduzem a sustentação do gelo, aumentam o degelo e alteram padrões de chuva, tornando grandes desabamentos mais prováveis. O chefe da ONU para o clima descreveu o evento como um lembrete devastador da fragilidade desses ambientes montanhosos.

Diante da escala da tragédia e do risco à saúde pública pela decomposição acelerada dos corpos, autoridades nepalesas optaram por sepulturas coletivas na floresta de Devghat. Antes de cada enterro, equipes médicas coletaram amostras de DNA e registraram a localização exata, preservando a possibilidade de identificação futura e de realização dos ritos funerários tradicionais pelas famílias.

Quatro dias após um colapso de geleira devastador na fronteira entre Nepal e China, as autoridades contabilizavam 768 mortos no domingo, com mais de três mil pessoas ainda desaparecidas. O deslizamento de terra, ocorrido no dia 26, varreu edifícios, estradas e pontes, deixando as vítimas soterradas sob camadas densas de lama e escombros. No Nepal, 752 corpos foram recuperados e pelo menos 2.502 pessoas continuam desaparecidas. No Tibete, 16 corpos foram encontrados, com 546 pessoas ainda não localizadas.

As operações de resgate enfrentam obstáculos significativos. Desde sexta-feira, as buscas foram interrompidas repetidamente por mau tempo e pela ameaça de novos desastres. Um lago formado pelo colapso começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, levando autoridades a deslocar moradores e equipes de emergência para terrenos mais elevados. No domingo, o nível do rio Trishuli continuava subindo, forçando os socorristas a trabalhar com extrema cautela. Apesar dos riscos, equipes conseguiram avançar com equipamentos de perfuração até a entrada de um túnel da usina hidrelétrica de Trishuli-3, onde cerca de cem trabalhadores podem estar presos desde a catástrofe.

A causa exata do colapso permanece sob investigação, mas autoridades e cientistas apontam para as mudanças climáticas como fator determinante. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, destacou a injustiça climática: o país emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa globais, mas seus cidadãos estão entre as principais vítimas do aquecimento. Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea da Earth Sciences New Zealand, explicou que o aumento das temperaturas reduz a sustentação fornecida pelo gelo, aumenta a quantidade de água de degelo e altera os padrões de congelamento e chuva, tornando grandes desabamentos mais prováveis em regiões montanhosas. A mídia estatal chinesa descreveu o evento como resultado da "instabilidade das geleiras sob os efeitos de longo prazo do aquecimento global".

Inicialmente, especulou-se que um terremoto de magnitude 4,4 tivesse provocado o colapso, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos esclareceu que o tremor foi consequência da energia sísmica gerada pelo desmoronamento em si. Segundo a agência de notícias estatal chinesa CCTV, o deslizamento de lama levou entre seis e sete minutos para chegar ao posto de fronteira de Gyirong.

O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, caracterizou o colapso glacial e a enxurrada como "um lembrete devastador de como esses ambientes montanhosos podem ser frágeis", alertando que o aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis torna tragédias como essa mais prováveis, frequentes e graves.

Diante da escala da catástrofe, as autoridades nepalesas enfrentaram uma decisão difícil sobre os corpos recuperados. Ganesh Arya, chefe da administração distrital de Bharatpur em Chitwan, explicou que não havia alternativa: "Nossa preocupação era o risco à saúde pública causado pela rápida decomposição dos corpos". No sábado, 96 corpos não identificados foram enterrados na floresta de Devghat, com planos de sepultar mais de cem no domingo. Antes de cada sepultamento, equipes médicas coletaram amostras de DNA e registraram a localização exata, permitindo que as famílias identifiquem e exumem os corpos posteriormente para realizar os ritos funerários tradicionais.

As operações de resgate continuam em andamento, mas os desafios permanecem imensos: estradas intransitáveis, comunicações interrompidas e a ameaça contínua de novos desastres naturais. As autoridades nepalesas reiteraram no domingo que os socorristas devem atuar com "prudência", particularmente diante do aumento do nível do rio Bhotekoshi no distrito de Rasuwa.

O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas o povo nepalês está entre as principais vítimas das mudanças climáticas
— Shisir Khanal, ministro das Relações Exteriores do Nepal
As mudanças climáticas estão criando condições capazes de desestabilizar rochas e gelo em regiões de alta montanha
— Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea
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