Há momentos em que a justiça precisa olhar para a própria forma como guarda suas provas, porque a confiança num processo depende tanto do conteúdo quanto do caminho que ele percorreu. Em outubro de 2026, a defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, levou ao Supremo Tribunal Federal uma perícia independente que aponta centenas de alterações no celular do ex-banqueiro depois de sua apreensão, em novembro de 2025. O questionamento não nega a existência das investigações, mas pergunta quem tocou no aparelho, quando e com que propósito, enquanto a liberdade de um homem e a credibilidade das
Defesa de Vorcaro afirma que arquivos do celular foram modificados após apreensão e questiona provas da PF
O aparelho registrou atividade durante a madrugada, nas mãos do Estado
Qual é, em essência, o que a defesa de Vorcaro levou ao Supremo?
Um parecer pericial dizendo que o celular dele foi alterado depois da apreensão, em novembro de 2025. Fala em 657 arquivos modificados e 436 criados.
E por que isso pesa para a investigação?
Porque a PF usa o conteúdo do aparelho como prova. Se não há registro claro de quem mexeu nele, a defesa questiona a cadeia de custódia.
Mas vale separar as coisas: essa perícia foi contratada pela própria defesa e é preliminar. Os números são dela, não de um laudo independente.
A PF respondeu?
Não quis se manifestar sobre a acusação.
Então não sabemos se há explicação técnica, como processos automáticos do sistema, para essas atividades. O texto não diz, e a defesa tampouco prova que alguém adulterou conteúdo.
E o pedido de liberdade?
Os advogados dizem que os pontos do perito implicam necessariamente a soltura e que não é razoável manter a prisão sem análise mais profunda.
Isso é argumento da defesa. Quem decide é o ministro André Mendonça, que também vai avaliar o pedido da PF de mais 60 dias.
E a defesa afirma que pede os arquivos brutos e os hashes desde 19 de fevereiro de 2026.
The Pulse
- A perícia contratada pela defesa contabiliza 657 arquivos modificados e 436 criados no celular de Vorcaro após a apreensão, e ninguém ainda explicou quem os manuseou.
- Os advogados atacam a cadeia de custódia e exigem os dados brutos, os códigos hash e os registros de manuseio, colocando a Polícia Federal sob pressão pública.
- A defesa liga o caso à prisão e afirma que não há razão para manter Vorcaro detido enquanto a análise do conteúdo não for aprofundada.
- A PF pediu mais 60 dias para concluir perícias e relatório complementar, e o ministro André Mendonça decidirá se concede o prazo e como responderá às alegações.
Há momentos em que a justiça precisa olhar para a própria forma como guarda suas provas, porque a confiança num processo depende tanto do conteúdo quanto do caminho que ele percorreu. Em outubro de 2026, a defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, levou ao Supremo Tribunal Federal uma perícia independente que aponta centenas de alterações no celular do ex-banqueiro depois de sua apreensão, em novembro de 2025. O questionamento não nega a existência das investigações, mas pergunta quem tocou no aparelho, quando e com que propósito, enquanto a liberdade de um homem e a credibilidade das provas seguem em disputa.
Na quinta-feira (29), a defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, levou ao Supremo Tribunal Federal o parecer de uma perícia preliminar contratada pelos próprios advogados. O documento sustenta que o celular do ex-banqueiro foi alterado depois de apreendido, em novembro de 2025, e usa esse argumento para contestar as provas reunidas pela Polícia Federal.
Segundo a perícia, no dia da prisão, 657 arquivos do aparelho foram modificados, 59 deles bancos de dados, e outros 436 foram criados, entre eles 94 imagens. A defesa resume o problema numa frase: o telefone registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava sob custódia do Estado, e não há documento que diga quem o manuseou, por quê e com que resultado. Vorcaro também nega reconhecer como verdadeiros vários conteúdos que vazaram, o que motivou a perícia. A PF não se manifestou sobre a acusação.
Os advogados pedem que os dados brutos da extração sejam preservados sob custódia verificável, com registros técnicos, hashes e a documentação completa da cadeia de custódia, além de fotos dos lacres e do registro de quem teve o aparelho em mãos. Dizem cobrar essas informações desde fevereiro de 2026 e querem saber se pessoas estranhas aos quadros da PF participaram da análise. Para eles, as falhas apontadas exigem a restauração da liberdade, já que não seria razoável manter a prisão antes de uma análise mais profunda.
O movimento veio um dia depois de a PF enviar ao Supremo um relatório parcial, com mais de 700 páginas, que indicia 15 suspeitos, entre eles Vorcaro, o ex-sócio Augusto Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Os delegados pediram mais 60 dias para concluir as perícias e apresentar um relatório complementar. Caberá ao ministro André Mendonça decidir se concede o prazo e como tratará a alegação de falha na cadeia de custódia.
Na quinta-feira (29), a defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, protocolou no Supremo Tribunal Federal o parecer de uma perícia preliminar que os próprios advogados contrataram. O documento sustenta que o celular do ex-banqueiro sofreu modificações depois de apreendido, em novembro de 2025, e é usado para contestar a validade das provas que a Polícia Federal reuniu nos inquéritos que o investigam.
Os números estão no centro do parecer. Segundo a perícia, no dia da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, 657 arquivos do aparelho foram modificados, 59 deles bancos de dados. Outros 436 arquivos foram criados, entre eles 94 imagens e 5 bancos de dados. A defesa resume a tese numa frase da petição: o aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não existe documento que diga quem o manuseou, por quê e com que resultado.
Segundo os advogados, a perícia foi pedida porque Vorcaro não reconhece como verdadeiros vários dos conteúdos que vazaram. Procurada, a Polícia Federal não quis se manifestar sobre a acusação.
A petição faz também um pedido prático. A defesa quer que os dados brutos originais da extração sejam preservados imediatamente, sob custódia verificável, com os registros técnicos da coleta, os valores de hash e a documentação completa da cadeia de custódia. Pede ainda acesso a esse material e a outros documentos: fotografias dos lacres usados na apreensão e registros de posse e manuseio do aparelho entre a abordagem policial e a perícia.
Os advogados dizem que cobram essas informações há tempo. Segundo a petição, desde 19 de fevereiro de 2026 pedem ao STF acesso aos arquivos brutos, aos códigos hash, ao auto de apreensão, aos termos de lacração e aos registros de manuseio com a identificação dos responsáveis por cada etapa. Querem saber também se pessoas estranhas aos quadros da PF participaram da perícia.
A defesa vai além da questão técnica e liga os achados à prisão. Afirma que os pontos levantados pelo perito implicam necessariamente o restabelecimento da liberdade, e que não é razoável manter Vorcaro preso enquanto o conteúdo do telefone não passar por análise mais aprofundada.
O movimento da defesa veio um dia depois de a PF enviar ao Supremo, na quarta-feira (28), um relatório parcial do principal inquérito sobre os esquemas ligados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB). O documento, com mais de 700 páginas, indicia 15 suspeitos, entre eles Vorcaro, o ex-sócio Augusto Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Para a PF, Vorcaro e Costa formavam o núcleo estratégico da organização criminosa que tentou viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025.
No mesmo relatório, os delegados pedem mais 60 dias para continuar as investigações, concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que também receberá a alegação de falha na cadeia de custódia. Cabe a ele decidir se o prazo é concedido e como responder às exigências da defesa.
Notable Quotes
O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado.— Defesa de Daniel Vorcaro, em petição ao STF