CSN obtém apoio para troca de dívida e ganha alívio financeiro

Entre reconhecer a perda e ter esperança, escolheram a esperança
Analista explica por que investidores aceitaram a troca de dívida em vez de forçar a CSN à insolvência.
Mark

Por que os investidores aceitaram essa troca se os títulos antigos oferecem rendimento superior a 20%?

Mimi

Porque 20% de rendimento não vale nada se a empresa quebra. Eles estavam diante de um risco real de não receber nada. A troca oferece uma chance de recuperação, mesmo que menor.

Mark

E se a CSN não conseguir vender esses ativos?

Mimi

Então a aposta dos investidores terá sido errada. Mas eles decidiram que esperar e ver é melhor do que forçar a empresa à insolvência agora.

Mark

A queda de 50% nas ações em um ano é normal para uma siderúrgica?

Mimi

Não. Isso reflete não apenas ciclos de mercado, mas desconfiança específica na gestão e na viabilidade dos planos da CSN.

Mark

O que significa exatamente um rating "CCC+"?

Mimi

Significa que a Fitch considera a empresa em risco muito alto de não pagar suas dívidas. É praticamente o penúltiplo antes do default.

Mark

Por que a CSN não simplesmente reestrutura tudo de uma vez?

Mimi

Porque reestruturação total significaria admitir derrota completa. Essa troca é um meio termo: reconhece problemas, mas deixa espaço para recuperação.

Mark

Quando saberemos se isso funcionou?

Mimi

Quando os resultados do segundo trimestre saírem, e mais importante, quando soubermos o resultado das vendas de ativos. Os próximos meses são críticos.

  • As ações da CSN acumulam queda de quase 50% no ano e os títulos com vencimento em 2028 já rendem mais de 20%, sinalizando desconfiança profunda do mercado sobre a saúde financeira da empresa.
  • A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia para 'CCC+' e mantém a classificação sob vigilância para cortes adicionais, ampliando o cerco sobre o custo de financiamento.
  • Diante da escolha entre reconhecer perdas agora ou apostar na recuperação, 77,49% dos detentores de títulos optaram pela esperança — superando o mínimo de 70% exigido para viabilizar a operação.
  • A troca prevê a emissão de cerca de US$ 698 milhões em novos papéis com cupom de 11% e vencimento em 2030, mais US$ 255 milhões em pagamentos em caixa, com liquidação marcada para 12 de agosto.
  • A venda da divisão de cimentos — disputada por Huaxin, Polimix e um consórcio entre Votorantim e Cementir — é o próximo movimento crítico para reduzir o endividamento e estabilizar o balanço.

Em meio a um ciclo de pressão financeira que corrói a confiança do mercado, a CSN obteve o respaldo de quase 78% de seus credores para trocar um bilhão de dólares em dívida antiga por novos títulos e pagamentos em espécie — uma escolha que, para os investidores, representou apostar na recuperação em vez de aceitar a perda imediata. O movimento não resolve a crise, mas abre uma janela: a siderúrgica agora precisa transformar ativos em caixa e reconquistar a credibilidade que as agências de rating e o mercado acionário já começaram a retirar.

A CSN conseguiu o apoio que precisava para respirar. Na terça-feira, a siderúrgica anunciou que 77,49% dos detentores de seus títulos aceitaram trocar cerca de um bilhão de dólares em papéis antigos por uma combinação de novos títulos e pagamentos em espécie — resultado acima do patamar mínimo de 70% exigido para que a operação pudesse avançar.

O contexto que tornou essa negociação necessária é severo. As ações da empresa caíram quase 50% no ano, atingindo o nível mais baixo em mais de uma década. A Fitch Ratings rebaixou sua nota de crédito para 'CCC+', mantendo-a sob observação para possíveis cortes adicionais. Os títulos com vencimento em 2028 já oferecem rendimento superior a 20% — um termômetro claro da desconfiança do mercado.

Para os investidores, a escolha era desconfortável: aceitar as perdas agora ou apostar na recuperação da companhia. Segundo o analista Nicolas Giannone, da Balanz, os credores escolheram a esperança. A troca oferece novos títulos com cupom de 11% e vencimento em 2030, além de pagamento em caixa. A CSN planeja emitir aproximadamente US$ 698 milhões em novos papéis e desembolsar cerca de US$ 255 milhões em dinheiro. A liquidação está marcada para 12 de agosto, mesmo dia em que a empresa divulgará seus resultados do segundo trimestre — quando deve registrar prejuízo líquido de até R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre.

A reestruturação da dívida, porém, é apenas uma parte do caminho. A CSN também busca vender ativos para reduzir o endividamento, e a divisão de cimentos é o alvo principal. Três grupos apresentaram ofertas vinculantes pela CSN Cimentos: a chinesa Huaxin, a brasileira Polimix e um consórcio formado por Votorantim e pela italiana Cementir. O sucesso dessas negociações será determinante para saber se a empresa consegue, de fato, sair do buraco em que se encontra.

A CSN conseguiu o apoio que precisava. Investidores concordaram em trocar cerca de um bilhão de dólares em títulos antigos por uma combinação de novos papéis e dinheiro em espécie, um movimento que oferece à siderúrgica respiro financeiro em um momento de pressão severa. O resultado foi anunciado na terça-feira: 77,49% dos detentores de títulos aceitaram a operação, superando o patamar mínimo de 70% exigido para que a transação pudesse prosseguir.

A situação que levou a essa negociação reflete o aperto em que a companhia se encontra. As ações da CSN caíram quase 50% ao longo do ano e atingiram seu nível mais baixo em mais de dez anos. A agência Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa para "CCC+" e mantém a classificação sob observação para possíveis cortes adicionais. Os títulos que vencerão em 2028 agora oferecem rendimento superior a 20%, um sinal claro de quanto o mercado desconfia da capacidade da companhia de honrar suas obrigações.

Os investidores enfrentaram uma escolha desconfortável. Poderiam reconhecer as perdas agora, aceitando um corte significativo no valor de seus investimentos, ou poderiam apostar que as operações da CSN melhorariam e que a companhia conseguiria monetizar seus ativos. Segundo Nicolas Giannone, analista da Balanz, entre "reconhecer a perda e ter esperança, os detentores dos títulos escolheram a esperança". A troca oferece aos investidores uma combinação de novos títulos com cupom de 11% e vencimento em 2030, além de pagamento em dinheiro. A CSN planeja emitir aproximadamente 698,3 milhões de dólares em novos papéis e pagar cerca de 255,7 milhões de dólares em caixa. Os novos títulos contarão com garantia da própria CSN.

A liquidação dessa operação está marcada para 12 de agosto, o mesmo dia em que a CSN divulgará seus resultados do segundo trimestre. A companhia já sinalizou que espera registrar um prejuízo líquido de até 1,4 bilhão de reais no primeiro semestre, além de dívida mais elevada e aumento moderado da alavancagem até o final de junho.

Mas a troca de dívida é apenas uma peça do quebra-cabeça que a CSN tenta montar. A companhia está buscando vender ativos para reduzir seu endividamento e fortalecer o balanço. A divisão de cimento é o alvo principal. Três grupos apresentaram ofertas vinculantes pela CSN Cimentos: a chinesa Huaxin, a brasileira Polimix e um consórcio formado pela Votorantim, também brasileira, e pela Cementir, italiana. Essas negociações de venda de ativos, se bem-sucedidas, poderiam gerar caixa significativo e ajudar a empresa a sair do buraco em que se encontra. O próximo passo é ver se essas operações avançam e se as condições operacionais da companhia realmente melhoram.

A escolha era entre reestruturar agora e contabilizar uma perda enorme ou empurrar o problema para a frente e ver se as operações melhoram
— Nicolas Giannone, Balanz
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