Terremoto de magnitude 7,4, o mais forte na Colômbia neste século, ocorreu na segunda-feira com epicentro perto de San José del Palmar, deixando mais de 100 mortos. Cidades como Cali, Pereira e Manizales sofreram danos graves: 20 estruturas destruídas em Cali, hospital público perdeu 70% da infraestrutura, pessoas presas em escombros.
Colômbia segue buscas no 2º dia após terremoto de 7,4 que matou mais de 100
Pessoas não querem voltar para casa por medo de um novo tremor
Por que este terremoto é tão significativo para a Colômbia especificamente?
É o mais forte em cem anos. Isso muda tudo — as estruturas não foram projetadas para isso, as pessoas não estão preparadas psicologicamente. Revive o trauma de 1999.
A resposta internacional parece rápida. Isso é comum em desastres desta escala?
Sim, mas o que chama atenção aqui é Israel se oferecendo. A Colômbia estava em tensão diplomática com Israel. Este gesto é político tanto quanto humanitário.
Você mencionou que o hospital perdeu 70% da infraestrutura. Como se trata feridos sem hospital?
Exatamente o problema. Você tem centenas de feridos chegando e o lugar que deveria recebê-los está destruído. Improvisa-se em ruas, em edifícios parcialmente intactos. É caos controlado.
E as réplicas? As pessoas têm medo delas?
Absolutamente. Um administrador que entrevistaram disse que as pessoas não querem voltar para casa. Cada tremor pequeno depois disso é pânico total. A confiança na segurança estrutural desapareceu.
O futebol foi adiado. Isso parece simbólico?
É. Quando o futebol para na Colômbia, você sabe que algo é realmente grave. É o que une o país. Adiar jogos é reconhecer que ninguém está em condições de jogar ou assistir.
El Pulso
- Terremoto de magnitude 7,4 na segunda-feira, 10 de agosto, às 7h34 (horário local)
- Mais de 100 mortos, dezenas feridos, milhares evacuados
- Epicentro perto de San José del Palmar, oeste da Colômbia
- Em Cali: 20 estruturas destruídas, hospital público perdeu 70% da infraestrutura
- Mais forte terremoto na Colômbia em cem anos
Terremoto de magnitude 7,4, o mais forte na Colômbia neste século, ocorreu na segunda-feira com epicentro perto de San José del Palmar, deixando mais de 100 mortos. Cidades como Cali, Pereira e Manizales sofreram danos graves: 20 estruturas destruídas em Cali, hospital público perdeu 70% da infraestrutura, pessoas presas em escombros.
Colômbia enfrenta o segundo dia de operações de resgate após terremoto de magnitude 7,4 que matou mais de 100 pessoas e destruiu infraestruturas em várias cidades. Governo declarou situação de emergência e mobiliza recursos para atender comunidades afetadas.
A Colômbia acordou terça-feira mergulhada em operações de resgate. Menos de 24 horas após um terremoto de magnitude 7,4 sacudir o país na segunda-feira de manhã, equipes trabalhavam entre os escombros enquanto o saldo de mortos ultrapassava 100 pessoas. O tremor, o mais intenso registrado na Colômbia em cem anos, havia atingido às 7h34 da manhã, com epicentro próximo a San José del Palmar, na região oeste. Os serviços geológicos colombiano e americano confirmaram a magnitude. O presidente Abelardo de la Espriella declarou estado de emergência nacional e colocou todas as estruturas governamentais em movimento para socorrer as comunidades atingidas.
Em Cali, uma das cidades mais devastadas, pelo menos 20 edifícios desabaram completamente. O principal hospital público da cidade perdeu 70% de sua infraestrutura, deixando as autoridades locais em situação crítica para atender feridos. Pessoas permaneciam presas sob os escombros enquanto os socorristas trabalhavam contra o tempo. Andrés Felipe Mejía, um voluntário que atuava nos resgates, descreveu a mobilização: centenas de pessoas chegavam com equipamentos e alimentos, ajudando os bombeiros a extrair vítimas dos destroços. Em Pereira, capital de Risaralda, o prefeito Mauricio Salazar relatava uma situação igualmente grave, com feridos em número elevado e muitos ainda presos entre os escombros. Na vizinha Manizales, uma das torres da catedral da cidade se desprendeu durante o tremor.
O pânico tomou conta das principais cidades da região nas primeiras horas. Milhares de pessoas foram evacuadas enquanto edifícios desabavam ou sofriam danos estruturais severos. Em Bogotá, a capital, edifícios foram esvaziados e centenas de pessoas saíram às ruas ao som das sirenes de emergência. O prefeito Carlos Galán informou que a capital havia sofrido danos menores, com apenas rachaduras superficiais registradas. Jaime Zuluaga, um administrador de 50 anos, descreveu o cenário nas cidades afetadas: inúmeros edifícios com danos estruturais graves, trânsito colapsado, e uma população aterrorizada com a possibilidade de réplicas, evitando retornar às suas casas.
O tremor reacendeu memórias traumáticas. Em 1999, um terremoto forte havia deixado quase 1.200 mortos na região cafeeira colombiana. Desta vez, a comunidade internacional respondeu rapidamente. Presidentes do México, Chile e El Salvador ofereceram ajuda. Israel também se colocou à disposição, em um gesto que marcava a retomada das relações diplomáticas com a Colômbia. A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco havia mobilizado seu serviço de satélites Copernicus para apoiar as operações de resgate. O tremor foi sentido além das fronteiras colombianas, percebido em Quito, no Equador, em províncias do Panamá e em regiões da Venezuela e Brasil.
A cultura colombiana também respondeu. Shakira, cantora nascida em Barranquilla, publicou uma mensagem nas redes sociais expressando solidariedade: seu coração estava com as famílias vivendo momentos de angústia. O futebol, parte central da vida nacional, foi interrompido. As partidas programadas para a semana foram adiadas, incluindo dois jogos pelas Copas Libertadores e Sul-Americana. Enquanto terça-feira avançava, as buscas continuavam. O governo mobilizava recursos, a comunidade internacional oferecia apoio, e a Colômbia enfrentava a tarefa monumental de contar seus mortos, resgatar os presos nos escombros e reconstruir infraestruturas críticas destruídas em questão de segundos.
Citas Notables
Estamos realizando todos os trabalhos necessários para retirar as pessoas com vida. Muita gente veio, com equipamentos, comida, ajudando os bombeiros, ajudando as pessoas— Andrés Felipe Mejía, socorrista voluntário em Cali
Há muitíssimos edifícios com danos estruturais ou em suas fachadas. Neste momento, o trânsito está colapsado, as pessoas não querem voltar para suas casas por medo de um novo tremor— Jaime Zuluaga, administrador de 50 anos