Numa sexta-feira à noite, a Chilli Beans, rede de óculos conhecida em todo o país, levou à Justiça um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 340 milhões em dívidas com bancos. Trata-se de um gesto que muitas empresas brasileiras têm precisado fazer nos últimos tempos, quando o crédito encarece e o consumo perde fôlego, e o fundador, Caito Maia, atribui parte da dificuldade aos juros altos e ao momento difícil do varejo. O acordo, costurado com credores antes de ser apresentado, ainda aguarda a chancela do Judiciário para ganhar força.
Chilli Beans pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 340 milhões e aporte de até R$ 50 milhões
Fornecedores e funcionários ficam fora do plano; só entram as dívidas com bancos
Por que esse pedido chama atenção? A Chilli Beans é uma marca muito visível.
Pela visibilidade e pelo tamanho: são R$ 340 milhões em dívidas, 900 franquias no Brasil e presença em cerca de 15 países.
O que muda na prática com a recuperação extrajudicial?
A empresa negocia direto com os credores e leva o acordo à Justiça para homologação. E só entram as dívidas com bancos.
Vale marcar: fornecedores e funcionários ficaram de fora, segundo o g1. Isso não significa que essas dívidas não existam, só que não estão neste plano.
E o aporte de até R$ 50 milhões?
Faz parte do plano, segundo a empresa, para ajudar na reestruturação.
Mas é a informação da própria companhia. O material não diz quem aporta nem em que condições, e o "até" indica que o valor pode ser menor.
Caito Maia culpa os juros?
Ele disse à Exame que o juro alto foi um dos fatores. E no comunicado falou em um momento difícil para o varejo.
"Um dos fatores" é a leitura do fundador. A reportagem não traz outras causas nem análise independente.
E o contexto mais amplo?
Foram 44 empresas em recuperação extrajudicial até agosto, segundo a Folha, e a Ri Happy teve pedido aprovado em São Paulo.
Falta ainda a homologação no caso da Chilli Beans. O alinhamento com credores é o que a empresa afirma, não uma decisão judicial.
Il Polso
- Uma dívida de R$ 340 milhões pesa sobre uma rede com 900 franquias e presença em cerca de 15 países.
- O pedido foi protocolado às pressas na noite de sexta-feira, deixando a expectativa de franqueados e do mercado em suspenso.
- O plano negociado com credores prevê aporte de até R$ 50 milhões, mas ainda não se sabe quem fará esse dinheiro chegar.
- Fornecedores e funcionários ficam de fora da negociação, cujo alcance se restringe às dívidas com bancos.
- O caso integra uma onda de 44 recuperações extrajudiciais até agosto, e o destino do acordo depende agora da homologação da Justiça.
Numa sexta-feira à noite, a Chilli Beans, rede de óculos conhecida em todo o país, levou à Justiça um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 340 milhões em dívidas com bancos. Trata-se de um gesto que muitas empresas brasileiras têm precisado fazer nos últimos tempos, quando o crédito encarece e o consumo perde fôlego, e o fundador, Caito Maia, atribui parte da dificuldade aos juros altos e ao momento difícil do varejo. O acordo, costurado com credores antes de ser apresentado, ainda aguarda a chancela do Judiciário para ganhar força.
Na noite da última sexta-feira (30), a Chilli Beans, rede brasileira conhecida pelos seus óculos, protocolou na Justiça um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas. A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo, que ouviu a própria companhia.
Segundo a empresa, o plano foi alinhado previamente com os credores e prevê um aporte de até R$ 50 milhões. Ainda não está claro quem fará esse aporte. O alcance do pedido também é restrito: fornecedores e funcionários não entram na negociação, que se limita às dívidas financeiras com bancos.
No comunicado, o fundador Caito Maia disse que o varejo brasileiro atravessa "um momento difícil". Em entrevista à revista Exame, apontou os juros altos como um dos fatores que levaram a rede a acumular um endividamento desse tamanho.
O caso não é isolado. Até agosto, 44 empresas recorreram ao mesmo mecanismo, entre elas o Grupo Ri Happy, que teve seu pedido aprovado pela Justiça de São Paulo. O próximo passo para a Chilli Beans é a homologação judicial do acordo com os credores.
Na noite da última sexta-feira (30), a Chilli Beans, rede brasileira conhecida pelos óculos, protocolou na Justiça um pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo é renegociar R$ 340 milhões em dívidas. A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo, que ouviu a companhia.
Segundo a empresa, o plano foi alinhado previamente com os credores e prevê um aporte de até R$ 50 milhões para ajudar na reestruturação do negócio. O texto da Folha não detalha quem fará esse aporte, e a empresa não o especifica no que foi divulgado.
O alcance do pedido é limitado. De acordo com o g1, as dívidas com fornecedores e funcionários não entram no plano. A negociação envolve apenas os débitos financeiros com instituições bancárias. É uma característica da recuperação extrajudicial: a empresa negocia diretamente com os credores e depois submete o acordo à homologação da Justiça, sem o rito mais amplo de uma recuperação judicial.
No comunicado que anunciou o pedido, o fundador da rede, Caito Maia, disse que o varejo brasileiro atravessa "um momento difícil". Em conversa com a revista Exame, o empresário, que também ficou conhecido pela participação no programa Shark Tank Brasil, apontou o juro alto como um dos fatores que levaram a Chilli Beans a acumular uma dívida desse tamanho.
A rede tem 900 franquias no Brasil e está presente em cerca de 15 países. São esses números que dão a dimensão da operação que agora tenta reorganizar o passivo bancário.
O caso não é isolado. Segundo a Folha de S. Paulo, 44 empresas entraram em recuperação extrajudicial até agosto deste ano. Entre as mais recentes está o Grupo Ri Happy, uma das maiores redes varejistas de brinquedos e produtos infantis do país, que também recorreu ao mecanismo e teve o pedido aprovado pela Justiça de São Paulo.
O próximo passo é a homologação judicial do acordo com os credores. Até lá, o que há é o pedido protocolado e o plano apresentado pela própria empresa.
Citazioni salienti
O varejo brasileiro enfrenta um momento difícil.— Caito Maia, fundador da Chilli Beans, em comunicado
O juro alto foi um dos fatores que levaram a empresa a acumular a dívida.— Caito Maia, à revista Exame (paráfrase)