Casas Bahia e Ponto fecham lojas no RS com demissões em massa

Mais de 80 trabalhadores foram demitidos no Rio Grande do Sul com os fechamentos de lojas Casas Bahia e Ponto, afetando famílias em Porto Alegre, Viamão, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Maria e outras cidades.
Mais de 80 trabalhadores perderam emprego em poucas horas
Fechamentos simultâneos de lojas Casas Bahia e Ponto no Rio Grande do Sul atingem várias cidades.
Mark

Por que um grupo tão grande como a Casas Bahia chega a esse ponto de fechar 300 lojas de uma vez?

Mimi

A dívida de R$ 4,1 bilhões que carregam desde 2024 não é um número abstrato — é a soma de decisões que não deram certo, de um mercado que mudou e a empresa não acompanhou. A recuperação extrajudicial foi uma tentativa de ganhar tempo, mas parece que o tempo acabou.

Mark

E por que adiar a divulgação de resultados? Isso não piora a situação?

Mimi

Quando você adia números que sabe que serão ruins, o mercado já sabe que são ruins. É um sinal de que as coisas estão fora de controle. A bolsa vê isso como confirmação de que a recuperação judicial está chegando.

Mark

Recuperação judicial é diferente de extrajudicial?

Mimi

Extrajudicial é quando você tenta resolver com credores sem ir ao juiz. Judicial é quando você não consegue mais e precisa de proteção legal para reorganizar. É admitir derrota de forma mais formal.

Mark

E os 80 trabalhadores no Rio Grande do Sul — eles recebem algo?

Mimi

Teoricamente, têm direito a aviso prévio, multa de FGTS, saldo de salário. Mas quando uma empresa está nesse estado, a pergunta real é se há dinheiro para pagar. Os sindicatos estão tentando mediar justamente para garantir que esses direitos não virem fumaça.

Mark

Isso vai acontecer de novo em outras cidades?

Mimi

Muito provável. O que vimos no Rio Grande do Sul é um ensaio. Se a recuperação judicial for decretada, pode haver mais fechamentos, mais demissões. Essa é a preocupação real agora.

  • Em uma única sexta-feira, pelo menos oito lojas fecharam no RS — de Porto Alegre a Cruz Alta —, deixando mais de 80 famílias sem renda da noite para o dia.
  • O grupo já opera em recuperação extrajudicial desde 2024, mas adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre, alimentando rumores de insolvência iminente no mercado financeiro.
  • A dívida de R$ 4,1 bilhões pesa sobre acordos frágeis com bancos, e analistas especulam que um pedido de recuperação judicial — passo mais grave — pode vir nos próximos dias.
  • Sindicatos do comércio gaúcho e nacional já acionaram mecanismos de mediação, tentando garantir direitos trabalhistas antes que a situação se agrave ainda mais.
  • A empresa permanece em silêncio: sem resposta à imprensa, sem resultados publicados, enquanto trabalhadores e credores aguardam o próximo movimento.

No coração do varejo brasileiro, duas marcas históricas — Casas Bahia e Ponto — recolhem suas bandeiras de dezenas de pontos no Rio Grande do Sul, parte de um recuo nacional que eliminou quase 300 lojas em um só movimento. Por trás dos portões fechados há uma dívida de R$ 4,1 bilhões e a sombra de uma recuperação judicial que o mercado já antecipa. Para mais de 80 trabalhadores gaúchos, a crise financeira de uma corporação se traduziu, em poucas horas, na perda concreta do sustento.

Na manhã de 14 de agosto, trabalhadores de Porto Alegre chegaram às lojas Casas Bahia e Ponto e encontraram as portas fechadas. A unidade da Rua Doutor Flores, no Centro Histórico, não abriu mais. Duas lojas do Ponto — na Avenida Azenha e na Cavalhada — também desapareceram. Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre, ao menos 40 trabalhadores foram demitidos só na capital.

O impacto se espalhou pelo estado. Viamão, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Canoas, Gravataí, Cruz Alta, Vacaria, Canela e Ijuí também registraram fechamentos, somando mais de 80 demissões no Rio Grande do Sul. No total, o grupo encerrou cerca de 300 lojas em todo o Brasil — aproximadamente 30% de sua operação nacional.

O movimento não é isolado. Desde 2024, o Grupo Casas Bahia tenta se reerguer por meio de uma recuperação extrajudicial com dívida de R$ 4,1 bilhões. Conseguiu negociar com bancos, mas a situação permanece instável. Esta semana, a empresa adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre — um sinal que o mercado financeiro leu como alerta. A especulação sobre um pedido de recuperação judicial cresce.

Os sindicatos já buscam audiências de mediação para proteger os trabalhadores demitidos. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário. O que restou, por ora, foram lojas vazias e mais de 80 famílias gaúchas diante de uma incerteza que o mercado ainda tenta dimensionar.

Na sexta-feira 14 de agosto, o Rio Grande do Sul acordou para mais uma rodada de demissões em massa no varejo. A Casas Bahia e o Ponto — duas marcas sob o mesmo guarda-chuva empresarial — fecharam as portas de várias unidades no estado, parte de um enxugamento que atingiu quase 300 lojas em todo o país, eliminando aproximadamente 30% da operação.

Em Porto Alegre, a loja Casas Bahia da Rua Doutor Flores, no Centro Histórico, não abriu mais. Duas unidades do Ponto também desapareceram do mapa — uma na Avenida Azenha, outra na Cavalhada. Segundo Niton Neco, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre, pelo menos 40 trabalhadores foram mandados embora só na capital. O impacto não parou ali. Viamão perdeu uma loja e nove funcionários. Caxias do Sul viu oito demissões. Cachoeira do Sul e Santa Maria também tiveram seus estabelecimentos fechados, com sete e oito desligamentos respectivamente. Canoas, Gravataí, Cruz Alta, Vacaria, Canela e Ijuí também encerraram operações, somando dezenas de demissões adicionais.

O que está acontecendo não é improviso. A Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial em 2024 carregando uma dívida de R$ 4,1 bilhões. Conseguiu fazer acordo com bancos, mas a situação permanece frágil. A empresa tem ações negociadas na bolsa de valores e deveria ter divulgado seus resultados do segundo trimestre nesta semana. Adiou. No mercado financeiro, a conversa é outra: especula-se que o grupo pedirá recuperação judicial em breve — um passo mais drástico que sinalizaria insolvência estrutural.

Os sindicatos já se movem. Paulo Ferreira, diretor da Relação do Trabalho da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços, afirmou que a entidade buscará uma audiência de mediação com a empresa. A coluna tentou contato com o Grupo Casas Bahia para comentários, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. O que fica claro é que mais de 80 trabalhadores no Rio Grande do Sul perderam seus empregos em poucas horas, e o mercado aguarda o próximo movimento — que pode ser ainda mais grave.

A entidade tentará audiência de mediação com a empresa
— Paulo Ferreira, diretor da Relação do Trabalho da Fecosul
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