Apex Partners vende parte da posição na CVC por pressão de operações a termo vencendo, reduzindo de 12,2% para 7,97% em dias. Absolute e Unity Capital aproveitam oportunidade para aumentar participação, operando como acionistas independentes fora do acordo existente.
Absolute e Unity ampliam fatia na CVC enquanto Apex reduz participação em crise
Eles tiveram um problema e tomara que resolvam
Por que a Apex precisou vender tão rápido? Não havia outra forma de resolver isso?
Operações a termo vencendo — ações dadas como garantia. Quando o valor cai, você é forçado a vender para cobrir a margem. Não é uma escolha, é uma obrigação.
E a GJP, a família Paulus, permitiu isso? Eles não tinham poder de veto?
Tinham, e usaram. Mas a Apex pediu autorização e a GJP concedeu. Paulus até ofereceu comprar o restante — a Apex recusou. Eles querem manter a posição.
Cinelli estava realmente desconectado da operação?
Completamente. Comprou via Bolsa como qualquer investidor, foi eleito conselheiro, participou de duas reuniões e saiu. Não tinha gestão no dia a dia da companhia.
A crise da Apex afetou as operações da CVC? Fornecedores, funcionários, franqueados?
Zero impacto, segundo Mader. A companhia foi atrás de bancos, credores e parceiros para explicar a situação. As operações continuaram normais.
Como a CVC conseguiu crescer EBITDA com receita em queda?
Cortes de despesa muito agressivos — 10,1% no Brasil, perto de 20% excluindo custos não recorrentes de demissões. Eficiência operacional pura.
E agora, o que muda com a Absolute e Unity no comando?
Elas operam como acionistas independentes, fora do acordo existente. Não estão vinculadas à orientação da Mare, o family office da Paulus. É mais liberdade, mais fragmentação no controle.
The Pulse
- Fundos da Apex reduziram participação de 12,2% para 7,97% em dias
- Ação da CVC caiu quase 17% desde o estouro da crise
- Apex enfrenta rombo de quase R$ 1 bilhão em operações de remuneração mínima
- EBITDA ajustado no Brasil cresceu 4,7% com margem de 30,6%
- CVC planeja lançar nova plataforma integrada em outubro
Apex Partners vende parte da posição na CVC por pressão de operações a termo vencendo, reduzindo de 12,2% para 7,97% em dias. Absolute e Unity Capital aproveitam oportunidade para aumentar participação, operando como acionistas independentes fora do acordo existente.
Fundos da Apex Partners reduziram participação na CVC de 12,2% para 7,97% devido a crise de liquidez, abrindo espaço para Absolute e Unity Capital. A operadora de viagens enfrenta turbulência societária mas mantém operações estáveis.
A crise que explodiu na Apex Partners na semana passada não ficou confinada aos escritórios da gestora capixaba. Ela atravessou a porta da CVC e reorganizou quem manda na operadora de viagens.
Os fundos ligados à Apex encolheram sua fatia na companhia de 12,2% para 7,97% em poucos dias. O gatilho foi simples e brutal: operações a termo vencendo, com ações da CVC dadas como garantia. A gestora enfrentava um rombo de quase R$ 1 bilhão — resultado de promessas de remuneração mínima atrelada ao CDI que não se sustentaram quando certos ativos, incluindo as ações da CVC, não performaram como esperado. Fernando Cinelli, fundador da Apex, e Eduardo Siqueira, o CFO, saíram. A gestora buscou proteção contra credores. E precisou vender.
Quem entrou nesse vácuo foram a Absolute e a Unity Capital, ambas vendo uma oportunidade onde havia turbulência. A operação foi orquestrada pela GJP, o veículo de investimento da família Paulus, que controla cerca de 20% da CVC. Gustavo Paulus, vice-chairman da companhia, explicou que a Absolute já era investidora e a Unity tinha uma pequena participação — ambas simplesmente ampliaram suas apostas. Diferente dos fundos da Apex, porém, elas não entraram no acordo de acionistas existente e operam como investidoras independentes.
A ação da CVC despencou quase 17% desde o estouro da crise. Mas Paulus insistiu que a relação entre a CVC e a Apex não mudou fundamentalmente. Ele até ofereceu comprar o restante da posição dos fundos da Apex — e foi recusado. Os 7,97% que permaneceram estão presos a um lock-up de dois anos, até maio de 2028, e qualquer venda precisa de autorização da GJP. Paulus descreveu a Apex como um acionista minoritário como tantos outros, e disse que a surpresa foi genuína. Quando a gestora começou a montar sua posição no fim do ano passado, era vista como um investidor institucional relevante, com sócios conhecidos. Nada desabonava a Apex naquele momento.
Cinelli foi eleito conselheiro em maio, mas participou de apenas duas reuniões antes de renunciar no início deste mês. Nem Paulus nem os executivos da CVC tinham conhecimento do modelo de remuneração que a Apex usava internamente — aquilo era coisa da gestora, disse Paulus. Fábio Mader, CEO da CVC, foi mais direto: Cinelli não tinha gestão na companhia, não estava no dia a dia. Ele comprou via Bolsa, como qualquer outro investidor.
A turbulência acionária chegou justamente quando a CVC divulgava seus números do segundo trimestre. As reservas consumidas cresceram 2,3% para R$ 3,9 bilhões, puxadas pelo Brasil com avanço de 7,2%. Mas a receita líquida caiu 6,5% para R$ 320 milhões. O take rate encolheu por três razões: maior participação de B2B, que é menos rentável; mais passagens aéreas no mix; e redução de margem no lazer para manter as viagens acessíveis. Na Argentina, que representa 16% das vendas, as reservas caíram 13,2% e a receita recuou 17,6%, com a desvalorização do peso pesando. O EBITDA ajustado no Brasil, porém, cresceu 4,7%, com margem de 30,6% — a maior já registrada em um segundo trimestre. A companhia voltou a gerar caixa operacional positivo, de R$ 60 milhões.
Mader apontou julho como primeiro sinal de aceleração: as vendas foram as maiores dos últimos dois anos. Agora a CVC aposta em tecnologia para aprofundar ganhos de eficiência. Em outubro, a companhia pretende lançar uma nova plataforma que integra lojas, site e aplicativo — um modelo inspirado na chinesa Trip.com. A ideia é combinar o digital com a rede de 1.600 lojas, de modo que até quem compra online tenha um agente de viagens acompanhando sua jornada. A crise acionária não parou a máquina.
Notable Quotes
Eles compraram via Bolsa. O próprio Cinelli não tinha gestão na companhia, não estava no dia a dia e ficou duas reuniões no conselho.— Fábio Mader, CEO da CVC
A crise teve zero impacto sobre a operação, incluindo a relação com funcionários, fornecedores e franqueados.— Fábio Mader, CEO da CVC