Brasil cria 155,2 mil empregos formais em maio, queda de 44% ante ano anterior

Desemprego e redução salarial afetam trabalhadores, com disparidades regionais: Alagoas perdeu 8.188 postos e mulheres receberam apenas 42% das novas vagas.
Menos vagas, distribuição desigual, salários em queda
O mercado de trabalho brasileiro em maio sinalizava desaceleração simultânea em quantidade, qualidade e remuneração.

Em maio de 2023, o Brasil gerou 155 mil empregos formais — um número que, à primeira vista, parece promissor, mas que, colocado ao lado dos 277 mil postos abertos no mesmo mês do ano anterior, revela uma desaceleração significativa. O Caged, termômetro oficial do mercado de trabalho, registrou um resultado 44% inferior ao de 2022 e abaixo das expectativas dos analistas, sinalizando que a recuperação do emprego formal segue um ritmo mais lento e desigual do que se esperava. Por trás dos números agregados, emergem fraturas regionais e de gênero que lembram que o crescimento econômico, quando existe, raramente se distribui de forma equânime.

  • A criação de 155 mil vagas em maio soou como alerta: o mercado esperava quase 194 mil, e o resultado ficou 44% abaixo do mesmo mês de 2022.
  • O setor de serviços sustentou sozinho mais da metade dos novos postos, enquanto a indústria contribuiu com apenas 8.400 vagas — sinal de uma economia que cresce sem ganhar musculatura produtiva.
  • São Paulo concentrou um terço de todos os empregos gerados no país, enquanto Alagoas perdeu mais de 8 mil postos, expondo uma recuperação que aprofunda desigualdades regionais.
  • Mulheres receberam apenas 42% das novas vagas, reforçando uma assimetria estrutural que persiste mesmo nos meses de saldo positivo.
  • O salário médio de admissão recuou de R$ 2.022 em abril para R$ 2.004 em maio, indicando que os novos empregos chegam com remunerações menores — menos vagas e piores condições ao mesmo tempo.

Em maio de 2023, o Brasil abriu 155.270 postos de trabalho formal — um resultado que ficou aquém das projeções do mercado, que esperavam cerca de 194 mil vagas. A comparação com maio de 2022, quando foram criados 277.730 empregos, torna o recuo ainda mais evidente: uma queda de 44% em doze meses. Os dados, divulgados pelo Ministério do Trabalho via Caged, mostram um mercado que ainda avança, mas com passos mais curtos e menos firmes.

O saldo positivo resultou de 2 milhões de contratações frente a 1,844 milhão de demissões. Todos os cinco grandes setores registraram crescimento, mas de forma desigual. O setor de serviços liderou com folga, gerando 83.921 vagas — 54% do total. A construção civil abriu 27.958 postos, a agropecuária 19.559, o comércio 15.412 e a indústria apenas 8.429. O peso dos serviços sobre o restante da economia sugere uma reorganização produtiva com menos dinamismo industrial.

Geograficamente, a concentração foi marcante. São Paulo respondeu por 50.100 vagas — quase um terço do total nacional. Em 23 dos 27 estados houve saldo positivo, mas as perdas foram severas onde ocorreram: Alagoas registrou saldo negativo de 8.188 postos, e o Rio Grande do Sul perdeu 2.511. A recuperação do emprego formal beneficia sobretudo o eixo Sul-Sudeste, deixando outras regiões em situação mais vulnerável.

A desigualdade também apareceu na distribuição por gênero: dos novos postos, 89.900 foram para homens e 65.200 para mulheres, que ficaram com apenas 42% das vagas. Nos salários, o quadro também preocupa — o rendimento médio de admissão caiu de R$ 2.022,83 em abril para R$ 2.004,57 em maio. Embora haja ganho real em relação a maio de 2022, a trajetória mensal descendente indica que os novos empregos chegam com remunerações cada vez mais comprimidas.

Em maio, o Brasil criou 155.270 postos de trabalho formal, um número que chegou abaixo do que o mercado esperava e que revela uma trajetória preocupante quando comparada ao mesmo mês do ano anterior. Doze meses antes, em maio de 2022, o país havia aberto 277.730 vagas com carteira assinada — uma diferença de 122.460 postos, ou uma queda de 44%. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e o resultado ficou aquém das projeções do mercado, que apontavam para algo próximo a 194 mil novas vagas no período.

O saldo positivo de maio emergiu de um movimento duplo: 2 milhões de contratações foram compensadas por 1,844 milhão de demissões. Todos os cinco grandes setores da economia registraram crescimento, mas o desempenho foi desigual. O setor de serviços disparou na frente, gerando 83.921 vagas — um crescimento de 54% no mês. A construção civil abriu 27.958 postos, a agropecuária 19.559, o comércio 15.412 e a indústria geral apenas 8.429 vagas. A concentração no setor de serviços reflete uma economia que continua se reorganizando, com menos dinamismo na produção industrial e mais movimento em atividades de menor valor agregado.

Geograficamente, a geração de empregos foi concentrada. São Paulo sozinho respondeu por 50.100 das 155.270 vagas criadas no país — quase um terço do total. Dentro do estado, o setor de serviços liderou com 25.102 postos, enquanto a agropecuária contribuiu com 11.161. Em 23 das 27 unidades federativas houve saldo positivo, mas as perdas foram agudas onde ocorreram. Alagoas registrou o pior desempenho, com um saldo negativo de 8.188 postos de trabalho. O Rio Grande do Sul perdeu 2.511 vagas. Essas disparidades regionais apontam para uma recuperação do mercado de trabalho que beneficia principalmente o eixo Sul-Sudeste, deixando outras regiões para trás.

A distribuição por gênero também revelou desigualdade. Dos 155.270 novos postos, 89.900 foram para homens e 65.200 para mulheres — significando que as mulheres ocuparam apenas 42% das vagas criadas. O segmento da população com deficiência registrou um saldo positivo de 639 postos, um número modesto diante do total.

No que diz respeito aos salários, o quadro apresenta sinais de pressão. O salário médio real de admissão em maio foi de R$ 2.004,57, uma queda de R$ 18,26 em relação a abril, quando estava em R$ 2.022,83. Comparado a maio de 2022, houve um ganho real de R$ 35,55, mas a trajetória mensal descendente sugere que os rendimentos dos novos contratados estão sendo comprimidos. Esse movimento simultâneo — menos vagas criadas, distribuição desigual entre regiões e gêneros, e salários em queda mês a mês — desenha um mercado de trabalho que, embora ainda gerando postos, o faz com menos força e em condições menos favoráveis para os trabalhadores.

O resultado representa uma queda de 44% em relação a maio do ano passado, quando foram criados 277,73 mil empregos formais
— Ministério do Trabalho e Emprego (Caged)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que essa queda de 44% em relação a maio do ano passado é significativa? Não é apenas uma flutuação normal?

Model

Não é flutuação. Estamos falando de 122 mil vagas a menos em um único mês. Quando você vê esse tipo de contração ano a ano, sinaliza que a economia está perdendo ritmo — não é um mês ruim, é uma tendência.

Inventor

Mas o Brasil ainda criou 155 mil empregos. Isso não é positivo?

Model

É positivo em termos absolutos, mas o contexto importa. O mercado esperava 194 mil. Além disso, a qualidade desses empregos está caindo — os salários de admissão caíram de abril para maio, e a maioria das vagas está concentrada em serviços, que costumam pagar menos que a indústria.

Inventor

Você mencionou concentração geográfica. Por que São Paulo captura quase um terço de todas as vagas?

Model

São Paulo é o motor econômico do país. Tem mais empresas, mais investimento, mais infraestrutura. Mas isso significa que outras regiões ficam para trás — Alagoas perdeu 8 mil postos. Essa desigualdade regional é estrutural e está se aprofundando.

Inventor

E as mulheres receberam apenas 42% das vagas. Isso reflete algo específico do mercado ou é padrão?

Model

É padrão, mas preocupante. Setores que crescem — como serviços — frequentemente oferecem postos com salários mais baixos e menos estabilidade. Mulheres acabam concentradas nesses segmentos, o que perpetua a desigualdade de renda.

Inventor

O que você lê na queda salarial mês a mês?

Model

Pressão. Quando você contrata alguém por menos do que contratou no mês anterior, significa que ou a qualidade dos postos está piorando, ou há menos demanda por trabalho qualificado. Ambas as coisas apontam para uma economia em desaceleração.

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