Em uma segunda-feira marcada por turbulências domésticas e internacionais, o mercado financeiro brasileiro recuou diante da crise da varejista Americanas — cujas ações despencaram mais de 38% após a concessão de proteção judicial contra credores — enquanto receios sobre intervenção estatal na China pesavam sobre mineradoras e siderúrgicas. O Ibovespa cedeu 1,40%, arrastado por bancos expostos à dívida da varejista e por um cenário macroeconômico que se deteriorava com a piora das projeções de inflação. Em dias assim, o mercado revela não apenas números, mas a fragilidade das cadeias de confian
Bolsa cai 1,4% com pressão de Americanas, bancos e cautela sobre China
Ainda vamos ver como isso impacta os fundos de investimento
Por que a crise da Americanas está derrubando o mercado inteiro? É só uma varejista.
Porque todos os grandes bancos são credores dela. Quando uma empresa grande entra em dificuldades, quem emprestou dinheiro sofre. E os bancos têm peso enorme no Ibovespa.
Mas quanto exatamente os bancos perderam em exposição? O texto diz que são credores, mas não dá o número total de dívida.
É verdade. Sabemos que a ação da Americanas caiu 38% naquele dia, e que o BTG contestou a proteção judicial alegando fraudes contábeis, mas os valores específicos não foram divulgados.
E a China? Por que isso afeta Vale e siderúrgicas?
Porque essas empresas vendem commodities para a China. Se há sinais de interferência estatal lá, os investidores ficam nervosos com a demanda futura.
Mas o que exatamente o governo chinês disse? O texto menciona uma reunião e uma advertência sobre divulgação de informações, mas não explica qual é a interferência temida.
Exato. É mais um sinal de cautela do que uma notícia concreta. Os investidores estão lendo entre as linhas.
Os juros subiram bastante naquele dia. Isso é sinal de que o mercado espera inflação maior?
Provavelmente. O Focus do Banco Central divulgado naquele dia já trazia projeções piores para inflação e juros.
Mas o Focus é uma pesquisa com economistas, não uma previsão oficial. E a semana anterior tinha sido positiva para o dólar, com queda de 2,5%. Isso não contradiz o pânico?
Não necessariamente. Um dia ruim não apaga uma semana boa. Mas mostra que o sentimento pode virar rápido.
Der Puls
- A Americanas entrou em colapso visível: suas ações caíram mais de 38% após a revelação de que a empresa obteve proteção judicial para bloquear a cobrança imediata de dívidas — um movimento que o BTG Pactual contestou, apontando fraudes contábeis como origem real da crise.
- Os grandes bancos brasileiros, todos credores da varejista, sangraram junto: Bradesco, Itaú e BTG Pactual registraram quedas expressivas, amplificando o recuo do Ibovespa para 1,40%.
- A China adicionou uma segunda frente de pressão: o governo chinês reuniu-se com empresas e alertou sobre divulgação de informações, reavivando o fantasma da interferência estatal e derrubando Vale, CSN, Gerdau e Usiminas.
- O cenário macroeconômico piorou em paralelo: juros futuros subiram em todos os vencimentos e o boletim Focus do Banco Central trouxe projeções mais pessimistas para inflação e juros em 2023.
- Analistas alertam que o impacto da Americanas ainda não foi totalmente precificado — fundos de ações e de renda fixa com títulos da varejista podem ser os próximos a sentir o peso da crise.
Em uma segunda-feira marcada por turbulências domésticas e internacionais, o mercado financeiro brasileiro recuou diante da crise da varejista Americanas — cujas ações despencaram mais de 38% após a concessão de proteção judicial contra credores — enquanto receios sobre intervenção estatal na China pesavam sobre mineradoras e siderúrgicas. O Ibovespa cedeu 1,40%, arrastado por bancos expostos à dívida da varejista e por um cenário macroeconômico que se deteriorava com a piora das projeções de inflação. Em dias assim, o mercado revela não apenas números, mas a fragilidade das cadeias de confiança que sustentam o crédito e o investimento.
A segunda-feira abriu com o mercado brasileiro em recuo, e a Americanas era o epicentro da turbulência. Sua ação ordinária despencava mais de 38%, cotada abaixo de R$ 2,00, depois que veio à tona um pedido de proteção judicial concedido à varejista para impedir a cobrança imediata de dívidas. O BTG Pactual contestou a medida, argumentando que a origem dos problemas não era operacional, mas contábil — uma acusação de fraude que apagou qualquer otimismo deixado pela recuperação parcial da sexta-feira anterior.
O efeito cascata atingiu os grandes bancos, todos credores da Americanas. Bradesco, Itaú e BTG Pactual registraram quedas entre 1,73% e 3,51%. João Negrão, assessor de investimentos da SVN, alertou que o impacto ainda estava apenas começando, com fundos de ações e de renda fixa expostos a títulos da varejista ainda por absorver o choque.
A China trouxe uma segunda fonte de pressão. O governo chinês reuniu representantes de grandes empresas e os advertiu sobre a divulgação de informações — um sinal de possível interferência estatal que assustou investidores em commodities. Vale caiu 2,52%, CSN recuou 3,37%, Gerdau perdeu 2,43% e Usiminas cedeu 1,92%.
No campo macroeconômico, os juros futuros operavam em alta em todos os vencimentos, e o boletim Focus do Banco Central piorou as projeções para inflação e juros no ano. O dólar subia com moderação, a R$ 5,120. Enquanto o mercado digeria tudo isso, o ministro Fernando Haddad iniciava sua agenda no Fórum Econômico Mundial de Davos — distante, em quilômetros e em atmosfera, da tempestade que se formava nos pregões brasileiros.
A segunda-feira começou com o mercado de ações brasileiro em terreno negativo. Ao meio-dia, o Ibovespa havia recuado 1,40%, fechando em 109.360 pontos, enquanto o dólar comercial subia com moderação, a R$ 5,120, uma alta de 0,25%. O volume de negócios era menor — os mercados americanos estavam fechados pelo feriado de Martin Luther King Jr. — mas o noticiário que chegava do Brasil era agitado o suficiente para mover os preços.
A Americanas era o centro da tempestade. Sua ação ordinária despencava mais de 38% naquela manhã, cotada abaixo de R$ 2,00. Tudo havia começado no fim de semana, quando veio à tona um pedido de proteção judicial concedido à varejista para impedir a cobrança imediata de dívidas pelos credores. Pouco depois, o BTG Pactual contestou essa proteção, argumentando que os problemas da empresa não vinham de dificuldades operacionais, mas de fraudes contábeis. A ação havia tentado uma recuperação na sexta-feira anterior, subindo mais de 15%, mas o fim de semana trouxe más notícias que apagaram qualquer otimismo.
O efeito cascata atingiu os bancos. Todos os grandes nomes do setor eram credores da Americanas, e suas ações têm peso considerável no índice. As preferenciais do Bradesco caíram 2,26%, enquanto as ordinárias recuaram 1,75%. O Itaú Unibanco viu suas preferenciais caírem 1,73%. As units do BTG Pactual, que havia contestado a proteção da varejista, recuavam 3,51%. João Negrão, assessor de investimentos da SVN, observava que o impacto ainda estava apenas começando. "Isso ainda toma conta do mercado. Ainda vamos ver como isso impacta os fundos de investimentos em ações, os fundos de renda fixa que têm títulos emitidos pela Americanas", afirmou.
Mas a Americanas não era a única preocupação. Vale e as siderúrgicas também caíam, e sua relevância no índice amplificava o movimento negativo. A ação ordinária da Vale recuava 2,52%. A CSN caía 3,37%, a Gerdau perdia 2,43% em suas preferenciais, e a Usiminas recuava 1,92% em suas preferenciais classe A. O motivo: receios sobre a China. O governo chinês havia se reunido com representantes de grandes empresas e advertido sobre a divulgação de informações, trazendo novos temores de interferência pública no setor privado — exatamente o tipo de notícia que assusta investidores em empresas de commodities.
O cenário macroeconômico não ajudava. Os contratos de juros operavam em alta. O vencimento em 2024 subia de 13,44% para 13,48%. Para 2025, a taxa avançava de 12,41% para 12,54%. E para 2027, o movimento era de 12,20% para 12,37%. Naquele mesmo dia, o Banco Central divulgou seu boletim Focus, trazendo uma piora nas projeções para inflação e juros para o ano. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciava sua agenda no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
A semana anterior havia terminado com sinais mistos. Na sexta-feira, o Ibovespa havia fechado em queda de 0,83%, a 110.916 pontos, mas acumulava alta de 1,80% na semana. O dólar havia encerrado a sexta em alta de 0,15%, a R$ 5,107, seu menor patamar desde 7 de novembro do ano anterior, logo após o segundo turno das eleições presidenciais. Na semana, o dólar havia caído 2,5%. Os juros naquela sexta haviam operado perto da estabilidade, com movimentos pequenos em ambas as direções. Agora, segunda-feira, o mercado reabria com a Americanas no centro das atenções e a China gerando novas incertezas.
Bemerkenswerte Zitate
Isso ainda toma conta do mercado. Ainda vamos ver como isso impacta os fundos de investimentos em ações, os fundos de renda fixa que têm títulos emitidos pela Americanas— João Negrão, assessor de investimentos da SVN