No coração do Ibirapuera, o SP2B encerrou sua estreia como mais do que um festival — foi um experimento sobre o que acontece quando cultura, política e comunidade ocupam o mesmo espaço por oito dias. BaianaSystem e Criolo não apenas cantaram para 70 mil pessoas; eles lembraram que o palco sempre foi, também, um lugar de posicionamento. A confirmação de uma segunda edição em 2027 sugere que São Paulo encontrou um novo ritual coletivo.
BaianaSystem e Criolo encerram primeira edição do SP2B com shows políticos
Bandeiras da Palestina erguidas enquanto Trump pulsava na tela
Por que esses shows no final do festival funcionaram como atos políticos e não apenas como apresentações musicais?
Porque os artistas usaram o palco para falar sobre o que os preocupa. Não era subtil — Trump aparecia no telão, bandeiras da Palestina eram erguidas, xingamentos diretos aconteciam. Mas isso não era propaganda vazia. Era artistas usando o espaço que tinham.
O festival inteiro parecia construído para isso, certo? Dois mil palestrantes, painéis sobre inovação, mas também espaço para a música política.
Exatamente. O SP2B não tentou separar tecnologia de cultura, negócios de resistência. Trouxe Esther Perel e Drauzio Varella, mas também deixou que Criolo e BaianaSystem ocupassem o palco com suas mensagens. Isso é raro em festivais grandes.
E o público respondeu. 70 mil pessoas em oito dias.
Respondeu porque havia algo genuíno ali. Criolo brincando com a tradutora de libras, tentando aprender palavras. Passapusso descendo do palco para cumprimentar fãs. Ajulliacosta chorando nos braços do cantor. Não era performance vazia.
Qual é o risco de um festival assim? De misturar política com cultura dessa forma?
O risco é virar apenas slogan, apenas estética de resistência sem substância. Mas quando funciona — quando o artista realmente acredita no que está dizendo — fica claro. O público sente a diferença.
Le Pouls
- O festival transformou o Ibirapuera em arena política, com artistas usando música para criticar Trump, celebrar resistência negra e erguer bandeiras da Palestina diante de uma multidão.
- A tensão entre entretenimento e engajamento foi constante: shows gratuitos lotados conviviam com painéis pagos, e o público precisava escolher entre experiências muito diferentes no mesmo parque.
- Criolo foi às lágrimas junto com a rapper Ajulliacosta ao fim de uma performance que misturou samba, rap e comoção — um momento que escapou do roteiro e virou símbolo da noite.
- Com ingressos esgotados e projeção de 70 mil espectadores, o SP2B demonstrou que o modelo híbrido inspirado no SXSW tem demanda real em São Paulo.
- A segunda edição já confirmada para 2027 sinaliza que o festival pretende se consolidar como encontro permanente entre ideias, arte e política na cidade.
No coração do Ibirapuera, o SP2B encerrou sua estreia como mais do que um festival — foi um experimento sobre o que acontece quando cultura, política e comunidade ocupam o mesmo espaço por oito dias. BaianaSystem e Criolo não apenas cantaram para 70 mil pessoas; eles lembraram que o palco sempre foi, também, um lugar de posicionamento. A confirmação de uma segunda edição em 2027 sugere que São Paulo encontrou um novo ritual coletivo.
O SP2B encerrou sua primeira edição com dois shows que funcionaram como atos políticos tanto quanto musicais. No domingo, BaianaSystem abriu com imagens de protesto e censura no telão, o vocalista Russo Passapusso com uma bandeira brasileira em preto e cinza na cintura, e músicos erguendo bandeiras da Palestina ao longo da apresentação. O setlist percorreu clássicos do grupo, com participações da Orquestra Afrosinfônica e os tradicionais momentos de bate-cabeça que são marca registrada da banda. No sábado, Criolo levou suas duas faces — sambista e rapper — em um show que incluiu covers de Bob Marley, Clara Nunes e Cazuza, além de interações com a tradutora de libras e com o público. A rapper Ajulliacosta dividiu o palco brevemente, xingou Trump em cena e terminou em lágrimas nos braços de Criolo.
O festival havia ocupado o parque durante oito dias com uma programação que misturava o gratuito e o pago, reunindo 2 mil palestrantes em nove espaços. O modelo seguia a lógica do SXSW americano, com nomes como a psicoterapeuta Esther Perel, o médico Drauzio Varella e artistas como Luísa Sonza e Maisa Silva. O Planetário recebeu mais de mil pessoas por dia em sessões abertas ao público.
Os números confirmaram o apetite da cidade pelo formato: mais de 45 mil espectadores foram contabilizados até sexta-feira, com projeção de 70 mil ao fim do fim de semana — e os ingressos das apresentações finais já estavam esgotados. Rafael Lazarini, fundador do evento, confirmou a segunda edição para agosto de 2027, com planos de ampliar a representação regional dos palestrantes. O SP2B parece ter encontrado sua identidade: um espaço onde cultura e política não precisam ser separadas.
O SP2B encerrou sua primeira edição no fim de semana com dois shows que funcionaram menos como apresentações musicais convencionais e mais como atos políticos. BaianaSystem e Criolo, cada um à sua maneira, transformaram o palco do parque Ibirapuera em espaço de resistência cultural, com críticas diretas ao presidente americano Donald Trump e mensagens que extrapolavam a música.
O festival havia ocupado o Ibirapuera durante oito dias com uma programação que misturava o gratuito e o pago. Dois mil palestrantes passaram por nove espaços diferentes do parque, discutindo inovação, empreendedorismo e temas culturais. O modelo seguia a lógica do SXSW americano, aquele festival que virou referência quando se fala em encontro entre tecnologia e cultura. Nomes como a psicoterapeuta belga Esther Perel, o médico Drauzio Varella e artistas como Luísa Sonza e Maisa Silva marcaram presença nas palestras e painéis.
No domingo, BaianaSystem foi a grande atração, com entrada gratuita. O show começou com um telão exibindo cenas de protesto, censura e imagens simbólicas — o planeta Terra pulsando dentro de um coração humano, o rosto de Trump acompanhado da frase "eu não vou sucumbir", celebrações a líderes negros e ao Carnaval baiano. Russo Passapusso, o vocalista, usava uma bandeira brasileira em preto e cinza na cintura. Conforme a apresentação avançava, bandeiras da Palestina foram erguidas pelos músicos. O setlist incluiu "Sulamericano", "Lucro", "Saci", "Navio" e "Capim Guiné", com participações de cantoras da Orquestra Afrosinfônica, parceria do último álbum do grupo, "O Mundo Dá Voltas". Passapusso desceu do palco em "Balacobaco" para cumprimentar o público na grade, puxando sucessos carnavalescos. As típicas rodinhas de bate-cabeça do BaianaSystem apareceram em vários momentos, marca registrada do grupo.
No sábado, foi a vez de Criolo lotar os arredores do palco. O músico levou suas duas facetas — o sambista e o rapper — em um setlist que incluía "Convoque seu Buda", "Sistema Obtuso" e "Não Existe Amor em SP", além de covers de Bob Marley, Clara Nunes e Cazuza. Criolo interagiu constantemente com o público, os músicos de sua banda e até com a tradutora de libras, tentando aprender palavras. DJ Dandan, figura conhecida em seus shows, também ficou em destaque na interação com a plateia. A rapper Ajulliacosta dividiu o palco em participação breve mas impactante, cantando "Dahrma" e "O que a Julia Vai Ser?". Nesta última, xingou Trump mais de uma vez. Ao final, Ajulliacosta foi às lágrimas enquanto abraçava Criolo.
Os números do festival impressionaram. Na sexta-feira, a organização anunciou que o evento havia recebido mais de 45 mil espectadores. A projeção era que, após os shows do fim de semana, esse número chegasse a 70 mil — os ingressos das apresentações finais já estavam esgotados. O Planetário do Ibirapuera também recebeu mais de mil pessoas por dia durante a semana, com sessões de filmes abertas ao público.
A segunda edição do SP2B foi confirmada para agosto de 2027. Rafael Lazarini, fundador do evento, indicou que a próxima edição buscará diversificar ainda mais a representação regional dos palestrantes. O modelo parece ter funcionado: um encontro que não separava cultura de política, que permitia que artistas falassem sobre o que importa, e que atraía público disposto a passar oito dias em um parque discutindo ideias.
Citations marquantes
Eu não vou sucumbir— Frase exibida no telão durante apresentação de BaianaSystem, acompanhando imagem de Donald Trump