BaianaSystem e Criolo encerram primeira edição do SP2B com shows políticos

Bandeiras da Palestina erguidas enquanto Trump pulsava na tela
BaianaSystem transformou seu show de encerramento em ato político direto, com símbolos de resistência cultural e crítica ao presidente americano.
Mark

Por que esses shows no final do festival funcionaram como atos políticos e não apenas como apresentações musicais?

Mimi

Porque os artistas usaram o palco para falar sobre o que os preocupa. Não era subtil — Trump aparecia no telão, bandeiras da Palestina eram erguidas, xingamentos diretos aconteciam. Mas isso não era propaganda vazia. Era artistas usando o espaço que tinham.

Mark

O festival inteiro parecia construído para isso, certo? Dois mil palestrantes, painéis sobre inovação, mas também espaço para a música política.

Mimi

Exatamente. O SP2B não tentou separar tecnologia de cultura, negócios de resistência. Trouxe Esther Perel e Drauzio Varella, mas também deixou que Criolo e BaianaSystem ocupassem o palco com suas mensagens. Isso é raro em festivais grandes.

Mark

E o público respondeu. 70 mil pessoas em oito dias.

Mimi

Respondeu porque havia algo genuíno ali. Criolo brincando com a tradutora de libras, tentando aprender palavras. Passapusso descendo do palco para cumprimentar fãs. Ajulliacosta chorando nos braços do cantor. Não era performance vazia.

Mark

Qual é o risco de um festival assim? De misturar política com cultura dessa forma?

Mimi

O risco é virar apenas slogan, apenas estética de resistência sem substância. Mas quando funciona — quando o artista realmente acredita no que está dizendo — fica claro. O público sente a diferença.

  • O festival transformou o Ibirapuera em arena política, com artistas usando música para criticar Trump, celebrar resistência negra e erguer bandeiras da Palestina diante de uma multidão.
  • A tensão entre entretenimento e engajamento foi constante: shows gratuitos lotados conviviam com painéis pagos, e o público precisava escolher entre experiências muito diferentes no mesmo parque.
  • Criolo foi às lágrimas junto com a rapper Ajulliacosta ao fim de uma performance que misturou samba, rap e comoção — um momento que escapou do roteiro e virou símbolo da noite.
  • Com ingressos esgotados e projeção de 70 mil espectadores, o SP2B demonstrou que o modelo híbrido inspirado no SXSW tem demanda real em São Paulo.
  • A segunda edição já confirmada para 2027 sinaliza que o festival pretende se consolidar como encontro permanente entre ideias, arte e política na cidade.

No coração do Ibirapuera, o SP2B encerrou sua estreia como mais do que um festival — foi um experimento sobre o que acontece quando cultura, política e comunidade ocupam o mesmo espaço por oito dias. BaianaSystem e Criolo não apenas cantaram para 70 mil pessoas; eles lembraram que o palco sempre foi, também, um lugar de posicionamento. A confirmação de uma segunda edição em 2027 sugere que São Paulo encontrou um novo ritual coletivo.

O SP2B encerrou sua primeira edição com dois shows que funcionaram como atos políticos tanto quanto musicais. No domingo, BaianaSystem abriu com imagens de protesto e censura no telão, o vocalista Russo Passapusso com uma bandeira brasileira em preto e cinza na cintura, e músicos erguendo bandeiras da Palestina ao longo da apresentação. O setlist percorreu clássicos do grupo, com participações da Orquestra Afrosinfônica e os tradicionais momentos de bate-cabeça que são marca registrada da banda. No sábado, Criolo levou suas duas faces — sambista e rapper — em um show que incluiu covers de Bob Marley, Clara Nunes e Cazuza, além de interações com a tradutora de libras e com o público. A rapper Ajulliacosta dividiu o palco brevemente, xingou Trump em cena e terminou em lágrimas nos braços de Criolo.

O festival havia ocupado o parque durante oito dias com uma programação que misturava o gratuito e o pago, reunindo 2 mil palestrantes em nove espaços. O modelo seguia a lógica do SXSW americano, com nomes como a psicoterapeuta Esther Perel, o médico Drauzio Varella e artistas como Luísa Sonza e Maisa Silva. O Planetário recebeu mais de mil pessoas por dia em sessões abertas ao público.

Os números confirmaram o apetite da cidade pelo formato: mais de 45 mil espectadores foram contabilizados até sexta-feira, com projeção de 70 mil ao fim do fim de semana — e os ingressos das apresentações finais já estavam esgotados. Rafael Lazarini, fundador do evento, confirmou a segunda edição para agosto de 2027, com planos de ampliar a representação regional dos palestrantes. O SP2B parece ter encontrado sua identidade: um espaço onde cultura e política não precisam ser separadas.

O SP2B encerrou sua primeira edição no fim de semana com dois shows que funcionaram menos como apresentações musicais convencionais e mais como atos políticos. BaianaSystem e Criolo, cada um à sua maneira, transformaram o palco do parque Ibirapuera em espaço de resistência cultural, com críticas diretas ao presidente americano Donald Trump e mensagens que extrapolavam a música.

O festival havia ocupado o Ibirapuera durante oito dias com uma programação que misturava o gratuito e o pago. Dois mil palestrantes passaram por nove espaços diferentes do parque, discutindo inovação, empreendedorismo e temas culturais. O modelo seguia a lógica do SXSW americano, aquele festival que virou referência quando se fala em encontro entre tecnologia e cultura. Nomes como a psicoterapeuta belga Esther Perel, o médico Drauzio Varella e artistas como Luísa Sonza e Maisa Silva marcaram presença nas palestras e painéis.

No domingo, BaianaSystem foi a grande atração, com entrada gratuita. O show começou com um telão exibindo cenas de protesto, censura e imagens simbólicas — o planeta Terra pulsando dentro de um coração humano, o rosto de Trump acompanhado da frase "eu não vou sucumbir", celebrações a líderes negros e ao Carnaval baiano. Russo Passapusso, o vocalista, usava uma bandeira brasileira em preto e cinza na cintura. Conforme a apresentação avançava, bandeiras da Palestina foram erguidas pelos músicos. O setlist incluiu "Sulamericano", "Lucro", "Saci", "Navio" e "Capim Guiné", com participações de cantoras da Orquestra Afrosinfônica, parceria do último álbum do grupo, "O Mundo Dá Voltas". Passapusso desceu do palco em "Balacobaco" para cumprimentar o público na grade, puxando sucessos carnavalescos. As típicas rodinhas de bate-cabeça do BaianaSystem apareceram em vários momentos, marca registrada do grupo.

No sábado, foi a vez de Criolo lotar os arredores do palco. O músico levou suas duas facetas — o sambista e o rapper — em um setlist que incluía "Convoque seu Buda", "Sistema Obtuso" e "Não Existe Amor em SP", além de covers de Bob Marley, Clara Nunes e Cazuza. Criolo interagiu constantemente com o público, os músicos de sua banda e até com a tradutora de libras, tentando aprender palavras. DJ Dandan, figura conhecida em seus shows, também ficou em destaque na interação com a plateia. A rapper Ajulliacosta dividiu o palco em participação breve mas impactante, cantando "Dahrma" e "O que a Julia Vai Ser?". Nesta última, xingou Trump mais de uma vez. Ao final, Ajulliacosta foi às lágrimas enquanto abraçava Criolo.

Os números do festival impressionaram. Na sexta-feira, a organização anunciou que o evento havia recebido mais de 45 mil espectadores. A projeção era que, após os shows do fim de semana, esse número chegasse a 70 mil — os ingressos das apresentações finais já estavam esgotados. O Planetário do Ibirapuera também recebeu mais de mil pessoas por dia durante a semana, com sessões de filmes abertas ao público.

A segunda edição do SP2B foi confirmada para agosto de 2027. Rafael Lazarini, fundador do evento, indicou que a próxima edição buscará diversificar ainda mais a representação regional dos palestrantes. O modelo parece ter funcionado: um encontro que não separava cultura de política, que permitia que artistas falassem sobre o que importa, e que atraía público disposto a passar oito dias em um parque discutindo ideias.

Eu não vou sucumbir
— Frase exibida no telão durante apresentação de BaianaSystem, acompanhando imagem de Donald Trump
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