Andropausa: a síndrome que afeta até 20% dos homens e seus sintomas

A queda é gradual, não uma pausa abrupta
Explicação de por que médicos evitam o termo andropausa para descrever a síndrome masculina.
Mark

Por que os médicos evitam usar o termo andropausa se é tão conhecido?

Mimi

Porque o nome sugere uma pausa definitiva, como se o hormônio simplesmente desaparecesse de uma hora para outra. Na verdade, é um declínio gradual que começa aos 40 anos e continua lentamente. A palavra cria uma expectativa errada sobre o que está acontecendo.

Mark

Um homem de 50 anos que se sente cansado e sem vontade — como sabe se é andropausa ou depressão?

Mimi

É difícil distinguir porque os sintomas se sobrepõem. Por isso o médico precisa fazer uma avaliação completa da vida do paciente antes de qualquer conclusão. Pode ser andropausa, pode ser depressão, pode ser uma combinação das duas, ou pode ser algo completamente diferente.

Mark

E se o homem simplesmente começar a tomar testosterona porque leu na internet que seus níveis estão baixos?

Mimi

Aí está o perigo. Os números de laboratório são apenas referências. Eles mudam conforme a idade e o tipo de teste. Um homem pode ter números baixos mas se sentir perfeitamente bem. Outro pode ter números normais mas estar sofrendo. A reposição hormonal não é uma decisão que se toma olhando apenas para um número.

Mark

Qual é o papel do estilo de vida nessa história?

Mimi

Fundamental. Um homem que fuma, bebe muito, dorme mal, não se exercita e come mal vai ter mais dificuldade em produzir testosterona do que alguém que cuida de si mesmo. Às vezes, as mudanças no estilo de vida resolvem o problema sem necessidade de reposição.

Mark

Então a andropausa é inevitável para todos os homens?

Mimi

A queda de testosterona é natural com a idade. Mas nem todos desenvolvem sintomas significativos. Alguns homens perdem 1% ao ano, outros perdem mais por causa de outras doenças ou do estilo de vida. E nem todos que têm sintomas precisam de tratamento hormonal.

  • Até 20% dos homens acima dos 40 anos podem desenvolver a DAEM, mas a maioria nunca recebeu esse diagnóstico — ou sequer ouviu falar da síndrome.
  • Os sintomas — queda de libido, irritabilidade, insônia, ganho de peso e fogachos — imitam a depressão e o estresse cotidiano, tornando o reconhecimento da condição um desafio clínico e pessoal.
  • Especialistas alertam que a reposição hormonal não deve ser o primeiro passo: estilo de vida, doenças metabólicas e qualidade do sono precisam ser avaliados antes de qualquer prescrição.
  • A distinção entre testosterona total e livre é central para o diagnóstico correto, pois apenas a fração livre age efetivamente nas células do coração, do cérebro e dos músculos.

A partir dos 40 anos, o corpo masculino inicia uma transformação silenciosa: a testosterona declina cerca de 1% ao ano, abrindo caminho para uma síndrome conhecida como DAEM — a andropausa. Estima-se que até um em cada cinco homens seja afetado, carregando sintomas que vão da perda de libido à fadiga profunda, frequentemente confundidos com depressão ou simples envelhecimento. Como tantas condições que tocam a masculinidade, ela permanece pouco discutida — e por isso, pouco tratada.

Enquanto a menopausa feminina ocupa um lugar reconhecido na medicina e no imaginário popular, existe uma síndrome masculina equivalente que permanece amplamente ignorada. Os especialistas a chamam de DAEM — Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino — e preferem evitar o termo 'andropausa', pois ele sugere uma interrupção brusca que não corresponde à realidade: o processo é gradual, iniciando-se por volta dos 40 anos com uma queda de aproximadamente 1% de testosterona ao ano.

Estima-se que a síndrome afete até 20% da população masculina. Seus sintomas são variados e traiçoeiros: queda da libido, perda de energia para atividades simples, irritabilidade, alterações do sono, ganho de peso, redução da massa muscular e até fogachos semelhantes aos das mulheres. Esse conjunto de mudanças físicas e emocionais pode facilmente ser confundido com depressão ou com o desgaste natural da vida adulta.

O diagnóstico exige cuidado. Antes de considerar qualquer reposição hormonal, médicos como a especialista em longevidade Rebeca Filgueiras avaliam o estilo de vida do paciente — hábitos de sono, alimentação, atividade física, consumo de álcool e tabaco — além de investigar doenças metabólicas como diabetes, obesidade e hipertensão, que podem interferir diretamente na produção do hormônio.

Os exames de sangue vão além dos números: a testosterona total indica o que circula no organismo, mas é a testosterona livre — aquela que age nas células do coração, do cérebro e dos músculos — que define se o tratamento hormonal é realmente necessário. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni de Carvalho Fernandes, os valores de referência laboratorial são apenas um ponto de partida, e a decisão de repor hormônios deve sempre ser precedida de uma avaliação completa da qualidade de vida do paciente.

Quando uma mulher chega aos seus 45 ou 50 anos, o corpo passa por uma transformação bem conhecida: a menopausa marca o fim da fase reprodutiva, trazendo consigo ondas de calor, oscilações de humor e noites mal dormidas. Mas há uma síndrome semelhante que afeta os homens — e que a maioria deles nunca ouviu falar.

Os médicos a chamam de DAEM, sigla para Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino. O público a conhece como andropausa. Os especialistas, porém, preferem evitar esse segundo nome, porque ele sugere uma pausa abrupta — e a realidade é bem diferente. A síndrome começa gradualmente a partir dos 40 anos e se desenvolve lentamente ao longo do tempo. Ela é caracterizada pela queda progressiva dos níveis de testosterona no sangue, um processo natural que acompanha o envelhecimento.

Segundo Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, os homens começam a perder aproximadamente 1% de sua testosterona total a cada ano após os 40 anos. Alguns perdem mais, dependendo de outras condições de saúde ou do estilo de vida que levam. Estima-se que a síndrome afete até 20% da população masculina. Os sintomas são variados e, muitas vezes, passam despercebidos ou são confundidos com outras condições. A queda da libido é um dos mais comuns, mas também aparecem perda de energia — desde coisas simples como ir ao shopping ou fazer uma caminhada até a falta de vontade de sair de casa — irritabilidade, oscilações de humor, alterações do sono e, em muitos casos, os mesmos fogachos que as mulheres experimentam. A falta de testosterona não afeta apenas o desejo sexual; ela também prejudica a concentração, reduz a força muscular e compromete a qualidade do pensamento.

Fernandes aponta que muitos homens ganham peso durante essa fase, perdem massa magra e têm dificuldade em recuperá-la. Quando essas mudanças físicas se combinam com as emocionais, pode surgir um quadro que se assemelha à depressão. Os níveis normais de testosterona total no sangue variam entre 300 e 1.000 ng/dL, mas os especialistas são claros: esses números são apenas referências de laboratório e mudam conforme a idade, o sexo e o tipo de teste realizado — seja testosterona total ou livre.

Antes de prescrever qualquer tratamento, porém, os médicos precisam fazer uma avaliação cuidadosa. Rebeca Filgueiras, pós-graduada em geriatria e especialista em reposição hormonal e longevidade, explica que quando um paciente chega ao consultório com testosterona baixa, é necessário analisar sua qualidade de vida em primeiro lugar. Isso inclui perguntar se ele fuma, bebe álcool, dorme bem, come de forma saudável, pratica atividade física e mantém uma vida sexual ativa. O médico também precisa investigar se existem outras doenças metabólicas — como diabetes, obesidade ou hipertensão — que possam estar afetando a produção de testosterona.

Os exames de sangue solicitados avaliam não apenas a quantidade de testosterona, mas também sua qualidade. A testosterona total mede o hormônio que circula no sangue, enquanto a testosterona livre é aquela que realmente funciona dentro das células — no coração, no cérebro, nos músculos. Essa distinção é crucial para entender se o paciente realmente precisa de reposição hormonal ou se mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. O tratamento principal da síndrome é a reposição do hormônio, mas essa decisão nunca deve ser tomada levianamente.

A partir dos 40 anos, os homens começam a perder cerca de 1% da testosterona total por ano, mas alguns perdem mais por conta de outras doenças ou estilo de vida
— Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia
Quando um paciente chega ao consultório com baixa testosterona, é necessário analisar a qualidade de vida do homem antes de fazer qualquer reposição
— Rebeca Filgueiras, especialista em reposição hormonal e longevidade
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