Em agosto de 2026, um estudo da Netsonda encomendado pela DE-CIX revelou que 42% dos portugueses desistiram de atividades online devido a falhas de conectividade — não por falta de vontade, mas por falta de rede. O dado não é apenas técnico: é o retrato de uma sociedade que integrou tão profundamente o mundo digital na sua vida quotidiana que cada interrupção deixou de ser um contratempo e passou a ser uma pequena ruptura existencial. A paciência encolheu, as expectativas cresceram, e a infraestrutura ainda não acompanhou nenhuma das duas.
42% dos portugueses abandona atividades online em agosto por falhas de rede
Dois segundos é o tempo que a paciência moderna consegue suportar
Então 42% é um número grande. Mas o que significa realmente? Significa que quase metade dos portugueses teve um problema em agosto, ou significa que quase metade dos portugueses que usam internet teve um problema?
O estudo foi feito junto de 600 utilizadores de internet, portanto estamos a falar de pessoas que já estão online. Não é uma amostra de toda a população portuguesa. Mas sim, dentro desse grupo, quase metade teve uma experiência tão má que simplesmente desistiu de fazer o que estava a tentar fazer.
E aqui está o ponto: não sabemos se isto é um problema de agosto especificamente, ou se é um padrão. O estudo foi feito em agosto, mas não sabemos se outros meses são melhores ou piores. Pode ser que agosto seja um mês atípico.
Faz sentido. Mas o que me intriga é isto: 76% dizem que é frustrante sofrer falhas num serviço premium. Isso significa que 24% não acham frustrante?
Ou significa que 24% não responderam, ou que 24% têm uma tolerância diferente. Mas sim, a maioria esmagadora sente que há uma contradição entre o que pagam e o que recebem.
Exatamente. E isto é importante porque mostra que não é apenas um problema técnico. É um problema de expectativa. As pessoas pagam por algo que se chama premium e esperam que funcione.
Os números sobre o que falha são interessantes. Páginas lentas, quedas de ligação, streaming. Mas como é que sabemos que estas são as causas e não apenas os sintomas?
O estudo não faz essa distinção. Está a reportar o que os utilizadores experimentam, não necessariamente o que está a causar os problemas. Uma página lenta pode ser culpa da rede, ou pode ser culpa do servidor, ou pode ser culpa do dispositivo.
Exatamente. E isto é um limite importante do estudo. Ele diz-nos o que as pessoas sentem e o que experimentam, mas não nos diz onde está o problema. Pode estar na infraestrutura de rede, pode estar nos servidores, pode estar em lado nenhum — pode ser apenas que as expectativas subiram.
Então quando Ivo Ivanov diz que a consistência importa mais do que a velocidade, está a dizer que o problema não é a velocidade em si?
Está a dizer que a velocidade é apenas uma parte. A consistência — saber que a ligação vai estar lá quando precisar — é tão importante. E a latência, que é o tempo que demora a resposta, também importa.
Mas isto é uma interpretação. O que o estudo realmente mostra é que as pessoas estão menos tolerantes. Não sabemos se é porque a rede piorou ou porque as expectativas subiram.
E os dois segundos? Metade das pessoas espera uma resposta em menos de dois segundos?
Sim. Para pagamentos, videochamadas, navegação. Dois segundos é o limite da paciência moderna.
Mas isto é o que as pessoas dizem que esperam. Não sabemos se isto é realista, ou se é apenas uma frustração que se traduz em expectativas impossíveis.
Der Puls
- Quatro em cada dez portugueses abandonaram algo que queriam fazer na internet em agosto — não por escolha, mas porque a rede simplesmente não correspondeu.
- Páginas lentas, quedas de ligação e falhas de streaming acumulam-se como as queixas mais frequentes, afetando entre 36% e 51% dos utilizadores inquiridos.
- Setenta e seis por cento dos utilizadores sentem frustração quando pagam por um serviço premium e recebem interrupções em troca — a contradição entre promessa e entrega é cada vez mais insuportável.
- Os consumidores tornaram-se 53% menos tolerantes com lentidão digital do que há cinco anos, exigindo respostas em menos de dois segundos para pagamentos, videochamadas e navegação.
- A indústria enfrenta uma pressão crescente: a qualidade da internet já não se mede apenas pela velocidade, mas pela consistência, latência e fiabilidade da infraestrutura subjacente.
Em agosto de 2026, um estudo da Netsonda encomendado pela DE-CIX revelou que 42% dos portugueses desistiram de atividades online devido a falhas de conectividade — não por falta de vontade, mas por falta de rede. O dado não é apenas técnico: é o retrato de uma sociedade que integrou tão profundamente o mundo digital na sua vida quotidiana que cada interrupção deixou de ser um contratempo e passou a ser uma pequena ruptura existencial. A paciência encolheu, as expectativas cresceram, e a infraestrutura ainda não acompanhou nenhuma das duas.
Em agosto, quatro em cada dez portugueses desistiram de uma atividade online — não por vontade própria, mas porque a rede falhou. Um estudo da Netsonda, encomendado pela DE-CIX e divulgado em setembro, traduz esta realidade em números: 42% dos utilizadores portugueses abandonaram algo que tentavam fazer na internet devido ao mau desempenho da conectividade.
O estudo ouviu 600 utilizadores em Portugal e encontrou um retrato de frustração crescente. Setenta e seis por cento afirmam que é frustrante sofrer falhas durante atividades importantes de trabalho ou lazer, sobretudo quando estão a pagar por um serviço que se apresenta como premium. Os problemas mais comuns têm nomes conhecidos: páginas lentas afetam 51%, quedas de ligação atingem 46%, e falhas no streaming de vídeo chegam a 36%.
O que torna o cenário mais revelador é a mudança na tolerância. Mais de metade dos inquiridos, 53%, afirma ter menos paciência agora do que há cinco anos com serviços digitais lentos. Durante o trabalho, 65% consideram inaceitáveis atrasos ou desconexões. Nas transações online, esse número sobe para 63%. Nas comunicações pessoais em tempo real, 56% não toleram falhas.
Ivo Ivanov, presidente executivo da DE-CIX, sintetizou a mudança: os consumidores já não avaliam a internet apenas pela velocidade, mas pela consistência e capacidade de resposta. Cerca de metade dos inquiridos espera uma resposta em menos de dois segundos para pagamentos, videochamadas e navegação geral. Dois segundos — é o limite que a paciência moderna consegue suportar antes de concluir que algo falhou. O que o estudo expõe, no fundo, é uma desconexão crescente entre o que se paga, o que se promete e o que a infraestrutura consegue efetivamente entregar.
Em agosto, quatro em cada dez portugueses simplesmente desistiram de fazer algo na internet. Não porque não quisessem. Porque a rede falhou. Um estudo da Netsonda, encomendado pela DE-CIX e divulgado numa quarta-feira de setembro, colocou esta realidade sobre a mesa com números que não deixam margem para interpretação: 42% dos utilizadores portugueses abandonaram uma atividade online naquele mês devido ao mau desempenho da conectividade.
O trabalho foi feito junto de 600 utilizadores de internet em Portugal, e o que emergiu foi um retrato de frustração crescente. Não se trata apenas de uma ligação lenta ocasional. Setenta e seis por cento dos inquiridos disseram que é frustrante sofrer falhas de rede durante atividades importantes de trabalho ou lazer, especialmente quando estão a pagar por um serviço de internet que se apresenta como premium. A contradição é clara: o consumidor paga por qualidade e recebe interrupções.
Os problemas mais comuns têm rostos bem definidos. Páginas e aplicações que demoram uma eternidade a carregar afetam 51% dos utilizadores. Quedas de ligação breves, aquelas que duram segundos mas parecem minutos, atingem 46%. O streaming de vídeo — que se tornou tão banal quanto ligar a televisão — falha para 36%. Junta-se a isto o congelamento de áudio e vídeo durante chamadas pessoais, profissionais ou escolares, e os atrasos graves que transformam um jogo online numa experiência frustrante.
O que torna este cenário particularmente revelador é a mudança na tolerância dos consumidores. Mais de metade dos inquiridos, 53%, afirma ter menos paciência agora do que tinha há cinco anos com serviços digitais lentos ou que não respondem. Esta impaciência não é uniforme. Durante o trabalho ou atividades profissionais, 65% consideram inaceitáveis os atrasos, as falhas ou as breves desconexões. Nas transações online, esse número sobe para 63%. Nas comunicações pessoais em tempo real, 56% não toleram problemas.
Ivo Ivanov, presidente executivo da DE-CIX, enquadrou o fenómeno de forma clara: os consumidores já não avaliam a qualidade da internet apenas pela velocidade. À medida que os serviços digitais se tornaram parte integral da vida quotidiana, a consistência e a capacidade de resposta tornaram-se tão importantes quanto a largura de banda. A latência, a qualidade da infraestrutura subjacente, a fiabilidade — tudo isto conta agora.
O estudo identificou ainda quais são os serviços para os quais os utilizadores exigem as respostas mais rápidas. Pagamentos ou transações online, videochamadas e navegação geral na internet ocupam o topo da lista. Cerca de metade dos inquiridos espera uma resposta quase imediata — em menos de dois segundos — em cada um destes cenários. Dois segundos. É o tempo que a paciência moderna consegue suportar antes de considerar que algo falhou.
O que este estudo revela é uma desconexão crescente entre o que os consumidores pagam e o que recebem, e entre o que a infraestrutura promete e o que consegue entregar. Não é apenas uma questão técnica. É uma questão de expectativa, de confiança, de como a vida digital se tornou tão central que qualquer falha deixa de ser um inconveniente e passa a ser uma falha pessoal.
Bemerkenswerte Zitate
Os consumidores estão cada vez mais a considerar outros fatores para além da velocidade quando avaliam a qualidade da sua experiência na Internet— Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX
À medida que os serviços digitais se tornam uma parte maior do quotidiano, a consistência e a capacidade de resposta importam mais do que nunca— Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX