Em São Paulo, Xuxa Meneghel subiu ao palco com um figurino que expôs a virilha e desencadeou um debate que transcende a moda: trata-se da velha tensão entre liberdade corporal e responsabilidade pública. A jornalista Mônica Salgado viu contradição onde Xuxa viu coerência, e a resposta irônica da apresentadora transformou a polêmica em combustível para sua própria turnê. O episódio nos lembra que, quando figuras de grande alcance habitam o corpo publicamente, o gesto nunca é apenas pessoal.
Xuxa ironiza críticas ao figurino com trocadilho: 'Último voo da virilha'
quem não gostou continue divulgando, por favor
Por que você acha que Xuxa respondeu com ironia em vez de defender seriamente sua escolha?
Porque a ironia desarma a crítica. Quando você transforma uma acusação em piada, você tira o peso moral dela. Xuxa estava dizendo: isso não é sério o bastante para merecer uma resposta séria.
Mas Mônica Salgado não estava brincando. Ela falava sobre influência em meninas.
Verdade. E é por isso que a resposta irônica é tão eficaz — e tão problemática. Xuxa recusou o debate que Salgado oferecia.
Você acha que Xuxa tem razão em dizer que as críticas a ajudam?
Comercialmente? Talvez. Mas Salgado não estava criticando para ajudar Xuxa. Ela estava questionando se liberdade corporal é a mesma coisa que responsabilidade.
E são?
Não necessariamente. Você pode ter o direito de fazer algo e ainda assim ter a responsabilidade de pensar nas consequências.
Il Polso
- A escolha do figurino de Xuxa — um body que deixava a virilha à mostra — acendeu imediatamente a crítica nas redes sociais, com a jornalista Mônica Salgado acusando a apresentadora de disfarçar erotização como empoderamento.
- Salgado aprofundou o ataque questionando se exibir partes íntimas do corpo enquanto se prega libertação não seria, paradoxalmente, uma forma de submissão ao olhar masculino.
- Xuxa não recuou: respondeu com ironia no Instagram, agradecendo as críticas e sugerindo que elas funcionam como divulgação gratuita para sua turnê O Último Voo da Nave.
- Com um trocadilho sobre 'o último voo da virilha', a apresentadora transformou a controvérsia em piada e em marketing, esvaziando a seriedade da acusação com humor.
- O episódio deixa no ar uma pergunta sem resposta fácil: quem tem autoridade para traçar a linha entre empoderamento genuíno e exploração — e essa linha muda dependendo de quem a observa.
Em São Paulo, Xuxa Meneghel subiu ao palco com um figurino que expôs a virilha e desencadeou um debate que transcende a moda: trata-se da velha tensão entre liberdade corporal e responsabilidade pública. A jornalista Mônica Salgado viu contradição onde Xuxa viu coerência, e a resposta irônica da apresentadora transformou a polêmica em combustível para sua própria turnê. O episódio nos lembra que, quando figuras de grande alcance habitam o corpo publicamente, o gesto nunca é apenas pessoal.
No sábado, Xuxa Meneghel apresentou sua turnê O Último Voo da Nave em São Paulo usando um body que deixava a virilha à mostra. A escolha não passou despercebida: a jornalista Mônica Salgado publicou um vídeo no Instagram acusando Xuxa de promover 'erotização embrulhada de empoderamento', argumentando que a exposição foi intencional e prolongada o suficiente para não poder ser tratada como acidente.
Salgado foi além da crítica ao figurino. Ela questionou a coerência de vender libertação enquanto se exibe o corpo, sugerindo que isso reproduz exatamente o acesso que homens sempre reivindicaram sobre a mulher. A jornalista também pediu que se pensasse no impacto sobre as garotas que seguem a apresentadora.
Xuxa respondeu pelo Instagram sem se defender diretamente. Agradeceu o carinho dos fãs e, com ironia, sugeriu que quem não gostou deveria continuar divulgando as críticas — talvez isso a ajudasse a levar a turnê a mais cidades. Encerrou com um trocadilho: disse que poderia mostrar 'o último voo da virilha (ops)... da nave', transformando a polêmica em brincadeira e em publicidade espontânea.
O episódio reacende um debate que o tempo não resolve: onde termina o empoderamento e onde começa a exploração? Xuxa parece não ver contradição em sua escolha e usa a controvérsia como amplificador. Salgado insiste que há uma responsabilidade que ultrapassa a liberdade individual. Entre as duas posições, a pergunta permanece aberta.
Xuxa Meneghel subiu ao palco em São Paulo no sábado para apresentar sua turnê O Último Voo da Nave usando um body que deixava a virilha à mostra. A escolha do figurino não passou despercebida. A jornalista Mônica Salgado publicou um vídeo no Instagram criticando duramente a apresentadora, acusando-a de promover o que chamou de "erotização embrulhada de empoderamento". Para Salgado, não havia ambiguidade na decisão: Xuxa usou o look tempo suficiente para que ficasse claro que a exposição era intencional, não um acidente.
A jornalista aprofundou sua crítica questionando a coerência da mensagem. Ela argumentou que mostrar o corpo enquanto se vende a ideia de libertação é, na verdade, uma forma de escravidão. Salgado também levantou uma questão incômoda: o acesso ao corpo feminino não é justamente aquilo que homens sempre reivindicaram? Ela pediu que se pensasse no impacto em garotas que acompanham Xuxa, sugerindo que há uma contradição em exibir partes íntimas do corpo e depois reclamar quando essas partes são comentadas.
Xuxa respondeu através do Instagram com ironia. Agradeceu aos fãs pelas mensagens positivas e, em seguida, virou a crítica a seu favor. Ela sugeriu que quem não gostou deveria continuar divulgando suas "críticas", porque talvez isso a ajudasse a viajar para mais lugares. Depois veio o trocadilho: disse que poderia mostrar o "último voo da virilha (ops)... da nave", transformando o nome de sua turnê em uma brincadeira sobre a polêmica.
O episódio toca em questões que seguem sem resposta clara no debate público: onde termina o empoderamento feminino e onde começa a exploração? Quem define essa linha? A resposta de Xuxa sugere que ela não vê contradição em sua escolha, e que críticas como as de Salgado apenas amplificam sua mensagem. A ironia da apresentadora transforma a controvérsia em marketing, enquanto Salgado insiste que há uma responsabilidade que vai além da liberdade individual de se vestir como se deseja.
Citazioni salienti
Não foi um acidente. Ela usou o look tempo suficiente para a gente concluir que foi proposital— Mônica Salgado, jornalista
O problema é mostrar o corpo vendendo e acreditando que isso liberta, quando, na verdade, isso escraviza— Mônica Salgado, jornalista