Na noite de sábado, no Nubank Parque em São Paulo, Xuxa Meneghel desceu dos céus numa nave rosa para iniciar sua turnê de despedida — um gesto que condensou décadas de imaginário coletivo numa única imagem. O espetáculo, batizado de 'O Último Voo da Nave', reuniu gerações de brasileiros que cresceram ao som de suas canções, convocando-os não apenas à nostalgia, mas a uma reflexão sobre inclusão, natureza e afeto. É o encerramento de um ciclo que moldou a infância de um país inteiro.
Xuxa faz despedida de diva pop com nave que voa e homenagem aos fãs LGBTQIA+
O brilho de vocês me faz uma estrela
Por que uma nave? Por que não um palco convencional para uma despedida?
A nave não é apenas cenário — é a própria história dela. Xuxa voou sobre a infância de milhões de pessoas. Trazer a nave de volta, agora com ela dentro dela, é fechar um círculo. É dizer: eu estive aqui, vocês viram, e agora estou indo.
Ela dublou a maioria das músicas. Isso não diminui o show?
Não para quem estava lá. As pessoas não foram ouvir uma cantora — foram dançar. Xuxa foi clara sobre isso desde o começo. O que importava era o brilho, o movimento, a lembrança. A voz dela nos telões, nos discursos, era o suficiente.
E os discursos sobre LGBTQIA+, natureza, violência — isso não parecia fora de lugar num show de diva pop?
Talvez. Mas Xuxa sempre foi assim. Ela não separava o entretenimento da responsabilidade. Num show de despedida, fazia sentido deixar claro o que importava para ela além dos voos e das coreografias.
A plateia era principalmente adulta. Como foi ver crianças que cresceram com ela dançando "Cabeça, Ombro, Joelho e Pé" novamente?
Havia algo de tocante nisso. Pessoas que aprenderam aquelas coreografias aos cinco anos agora estavam ali aos trinta, quarenta. Xuxa pediu que acreditassem em seus sonhos no final. Talvez o sonho dela fosse ver que ela tinha importado.
As paquitas não vieram todas. Como ela lidou com isso?
Com leveza. "Não vieram todas, umas porque não quiseram, outras porque não puderam, mas não importa." Ela não precisava delas para validar nada. Elas eram parte da história, mas a história era dela.
E agora? Há uma segunda apresentação em 31 de julho. É realmente o fim?
Xuxa disse que seriam alguns de seus últimos voos. A palavra "alguns" deixa espaço. Mas a intenção era clara — ela estava se despedindo de algo que a definiu. Se houver mais voos depois, serão diferentes. Este foi o adeus.
Le Pouls
- A nave rosa suspensa por cabos desceu sobre uma plateia de adultos que, por duas horas, voltaram a ser crianças — a tensão entre despedida e celebração pairou sobre cada número do show.
- Xuxa assumiu de saída que não é cantora e dublou 20 das 31 músicas, apostando tudo no espetáculo visual e na memória afetiva do público para sustentar o palco.
- Discursos contra homofobia, racismo e sexismo interromperam a festa e lembraram que a apresentadora quer deixar mais do que coreografias — quer deixar um legado de posicionamento.
- As paquitas subiram ao palco incompletas, algumas ausentes por escolha, outras por impossibilidade, e Xuxa tratou a lacuna com a leveza de quem já fez as pazes com o tempo.
- Quando as coreografias clássicas começaram, celulares e copos foram abandonados — o público não queria registrar o momento, queria habitá-lo.
- A segunda apresentação, marcada para 31 de julho, pode ser um dos últimos voos da nave que se tornou símbolo de uma era da televisão brasileira.
Na noite de sábado, no Nubank Parque em São Paulo, Xuxa Meneghel desceu dos céus numa nave rosa para iniciar sua turnê de despedida — um gesto que condensou décadas de imaginário coletivo numa única imagem. O espetáculo, batizado de 'O Último Voo da Nave', reuniu gerações de brasileiros que cresceram ao som de suas canções, convocando-os não apenas à nostalgia, mas a uma reflexão sobre inclusão, natureza e afeto. É o encerramento de um ciclo que moldou a infância de um país inteiro.
A nave rosa desceu lentamente do teto do Nubank Parque numa noite de sábado, com Xuxa suspensa por cabos sobre o gramado de São Paulo. Era o começo de 'O Último Voo da Nave', turnê de despedida de um dos símbolos mais duradouros de sua carreira. O show abriu com 'Doce Mel' e 'Xuxalelê', enquanto telões imensos emolduravam a apresentadora que havia estudado as turnês de Beyoncé, Madonna e Cher para montar um espetáculo à altura das grandes divas pop.
Desde o início, Xuxa foi direta: 'Todo mundo sabe que não sou cantora'. Ela gravou novas versões de 20 das 31 canções da setlist e dublou a maior parte delas, reservando a própria voz para os discursos entre os números. E esses discursos foram muitos — uma versão computadorizada dela mesma nos telões pregou contra homofobia, racismo e sexismo; no palco, ela pediu ao público que saísse pensando em sua relação com a natureza e defendeu o fim da violência contra a população LGBTQIA+, com 'Arco-Íris' como trilha.
O momento mais revelador veio quando as coreografias clássicas tomaram o palco. 'Soco, Bate, Vira', 'Estátua' e 'Dança da Xuxa' fizeram a plateia adulta largar celulares e copos para lembrar movimentos aprendidos décadas atrás. As paquitas foram convidadas ao palco — nem todas puderam vir, e Xuxa acolheu a ausência sem mágoa, dançando 'Fada Madrinha' com as que estavam presentes. O cachorro Txutxucão também marcou presença, embora o polvo Teddy e a Elefanta Bila Bilú ficassem de fora.
No encerramento, 'Lua de Cristal' e 'Ilariê' — canção que a levou a vários países — soaram como uma despedida dupla: da carreira e do símbolo. Xuxa pediu que o público acreditasse em seus sonhos, voltou ao teto do estádio e a nave fez seu último voo da noite. Uma segunda apresentação está marcada para 31 de julho, possivelmente entre os derradeiros gestos de quem voou sobre gerações inteiras.
A nave rosa desceu lentamente do teto do Nubank Parque, suspensa por cabos, enquanto Xuxa sobrevoava o gramado de São Paulo numa noite de sábado. Era o início de uma turnê que ela havia planejado como despedida de um dos símbolos mais duradouros de sua carreira — aquele voo que marcou gerações. O show "O Último Voo da Nave" começava com "Doce Mel", dos anos 1980, e "Xuxalelê", da década seguinte, enquanto a apresentadora descia do palco pendurada pelos mesmos cabos, cercada por telões imensos.
Xuxa havia estudado as turnês recentes de Beyoncé e Madonna para montar um espetáculo que funcionasse como show de diva pop. Inspirou-se no vigor de Cher, aos 80 anos, que faz múltiplas trocas de figurino, e em Pink, conhecida por cantar pendurada em cordas. O Nubank Parque, que já havia recebido Taylor Swift, Harry Styles e The Weeknd, estava bastante cheio naquele sábado, com uma plateia formada principalmente por adultos. Uma segunda apresentação estava marcada para a sexta-feira seguinte, 31 de julho.
No início do show, Xuxa foi direto ao ponto: "Todo mundo sabe que não sou cantora". Seu objetivo era simples — ver o público feliz. "O brilho de vocês me faz uma estrela", disse, apontando para seu maiô prateado reluzente. Para a apresentação, ela havia gravado em estúdio novas versões de 20 das 31 canções da setlist e dublou a maior parte delas, usando sua voz apenas para discursar durante as pausas.
Os discursos foram vários e carregados de propósito. Uma versão computadorizada de Xuxa nos telões pregou contra homofobia, racismo e sexismo, dando boas-vindas ao público. No palco, ela pediu que as pessoas saíssem pensando em como melhorar sua relação com a natureza. Houve um apelo pelo fim da violência contra a população LGBTQIA+, acompanhado pela música "Arco-Íris". Xuxa reconheceu a dificuldade de montar a seleção de canções — "sei que não vou agradar todo mundo" — e precisou cortar várias pela metade para que coubessem nas duas horas de apresentação.
Quando chegou a hora das coreografias que marcaram a infância de tantos, o público largou celulares e copos de cerveja. "Soco, Bate, Vira", "Estátua", "Cabeça, Ombro, Joelho e Pé" e "Dança da Xuxa" fizeram as pessoas se levantarem para lembrar dos movimentos que aprenderam décadas atrás. Xuxa convidou o cachorro laranja Txutxucão para dançar várias músicas dedicadas a ele, embora outras criaturas famosas de sua carreira — como o polvo Teddy ou a Elefanta Bila Bilú — não tivessem aparecido. As paquitas, dançarinas que a acompanhavam nos programas de TV, também foram convidadas ao palco. "Não vieram todas, umas porque não quiseram, outras porque não puderam, mas não importa", afirmou ela, enquanto dançavam "Fada Madrinha" juntas.
O corpo de bailarinos de Xuxa reproduzia os movimentos rápidos e ousados dos shows de divas pop atuais. Num bloco dedicado ao programa Planeta Xuxa, dos anos 1990, sons de funk remixados pelo DJ Dennis acompanharam "Libera" e "Giro do Planeta", enquanto Xuxa usava um body dourado e peruca comprida. Muitos na plateia nem olhavam para o palco — algo raro em megashows como esse, onde as pessoas costumam buscar incansavelmente o artista em cena. Aqui, o público queria apenas dançar.
No final, Xuxa apresentou "Lua de Cristal" e "Ilariê", uma das canções que mais exportou ao longo de sua carreira, levando-a a vários países. Ela lembrou disso ao público e pediu que acreditassem em todos os seus sonhos. Depois se despediu, voltou ao teto do estádio e a nave fez seu último voo da noite — um gesto que sintetizava tudo o que havia acontecido ali: uma apresentadora que havia voado sobre gerações inteiras, agora se despedindo de um dos símbolos que a definiram.
Citations marquantes
Todo mundo sabe que não sou cantora. Minha intenção aqui é ver vocês felizes.— Xuxa, no início do show
Não vieram todas, umas porque não quiseram, outras porque não puderam, mas não importa.— Xuxa, sobre as paquitas que compareceram