WEG divide analistas após 2T: Itaú BBA recomenda compra enquanto Goldman mantém venda

O pior momento da companhia ficou para trás
Avaliação do Itaú BBA após resultados acima das expectativas no segundo trimestre de 2026.
Mark

Por que dois bancos chegam a conclusões tão diferentes sobre a mesma empresa no mesmo momento?

Mimi

Porque estão lendo a mesma notícia de formas diferentes. O Itaú vê o resultado como confirmação de que a recuperação começou. O Goldman vê como redução de incerteza, mas não como prova de que a empresa voltará ao crescimento que o mercado espera.

Mark

O que o Itaú sabe que o Goldman não sabe?

Mimi

Nada. Ambos têm acesso aos mesmos dados. A diferença é como cada um projeta o futuro. O Itaú é mais otimista sobre o câmbio, sobre a demanda internacional e sobre quando a transmissão e distribuição começará a gerar receita. O Goldman é mais cauteloso.

Mark

E as margens? O Goldman mencionou preocupação com margens.

Mimi

Exatamente. O resultado foi bom, mas não está claro se a empresa conseguirá manter essas margens enquanto expande. É a diferença entre um trimestre bom e uma trajetória sustentável.

Mark

Então qual dos dois está certo?

Mimi

Provavelmente ambos estão vendo partes diferentes da verdade. O Itaú está certo que a WEG tem características raras no Brasil agora. O Goldman está certo que há riscos reais na execução. A resposta virá nos próximos trimestres.

Mark

E o investidor? O que ele faz?

Mimi

Depende de quanto risco está disposto a correr e de quanto tempo tem. Se acredita na recuperação e tem paciência, o Itaú oferece uma tese. Se quer segurança, o Goldman oferece cautela.

  • Os resultados do 2T26 superaram as expectativas, mas a euforia inicial de 9% nas ações durou pouco: uma queda de 3% a 4% no pregão seguinte revelou que o mercado ainda não está convencido.
  • Itaú BBA aposta na virada, projetando crescimento de 15% a 20% nos próximos anos e enxergando na WEG uma raridade no Brasil pré-eleitoral: exposição ao dólar, resiliência e ligação com IA e eletrificação.
  • Goldman Sachs reconhece a redução de incertezas, mas mantém venda com alvo de R$ 37,30, sinalizando que a visibilidade sobre o segmento de transmissão e distribuição ainda é insuficiente para justificar otimismo.
  • A divergência entre os dois bancos — preço-alvo de R$ 50 contra R$ 37,30 — traduz uma aposta sobre o tempo: a recuperação já começou, ou os riscos de margem ainda vão se materializar?

A WEG encerrou seu segundo trimestre de 2026 com resultados acima do esperado, mas o mercado não chegou a um consenso sobre o que isso significa. Enquanto o Itaú BBA enxerga o momento como uma virada, com crescimento à vista e exposição a temas estruturais como eletrificação e inteligência artificial, o Goldman Sachs permanece cauteloso, preocupado com margens e com a lentidão da expansão em transmissão e distribuição. A divergência entre os dois bancos revela uma pergunta mais profunda sobre o tempo — se o pior já passou ou se ainda está por vir.

A WEG saiu da teleconferência de resultados do segundo trimestre com uma divisão clara entre seus principais analistas. Os números superaram as expectativas do mercado, mas isso foi suficiente para convencer apenas parte de quem acompanha a companhia.

O Itaú BBA mudou o tom. Para o banco, a empresa está pronta para retomar o crescimento a partir do segundo semestre de 2026, com expansão entre 15% e 20% nos anos seguintes. O que torna a WEG especialmente atrativa neste momento é um conjunto de atributos escassos no Brasil: exposição ao dólar, resultados defensivos e ligação estrutural com eletrificação e inteligência artificial — tudo isso em um ano eleitoral, quando a volatilidade cambial tende a se intensificar. O banco trabalha com câmbio de R$ 5,10 por dólar, cenário que pode se mostrar conservador, e vê potencial não precificado na expansão de capacidade em transmissão e distribuição. Sua recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 50.

O Goldman Sachs reconhece que o trimestre ajudou a reduzir incertezas, e concorda que este deve ser o último período de queda na receita líquida. Mas a visibilidade sobre quando o segmento de transmissão e distribuição começará a contribuir de forma mais relevante ainda é baixa. A alta de 9% nas ações após o balanço foi seguida por uma queda de 3% a 4% no pregão seguinte — sinal de que o mercado ainda carrega preocupações com margens e com um ritmo de expansão mais lento do que o esperado. O banco mantém recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 37,30.

A distância entre os dois alvos — R$ 50 contra R$ 37,30 — não é apenas numérica. Ela traduz uma aposta sobre o tempo: se a WEG já deixou o pior para trás, ou se ainda há surpresas desagradáveis esperando à frente.

A WEG saiu de sua teleconferência de resultados do segundo trimestre com uma divisão clara entre os analistas que acompanham a companhia. O Itaú BBA vê o pior já passado. O Goldman Sachs, não tão convencido, mantém sua recomendação de venda.

Os números do segundo trimestre superaram as expectativas do mercado, e isso foi suficiente para o Itaú BBA mudar seu tom. O banco acredita que a empresa está pronta para retomar o ritmo de crescimento a partir do segundo semestre de 2026, com expansão entre 15% e 20% nos anos que virão. Essa recuperação, na visão da instituição, deve levar analistas a revisar suas projeções para cima. O banco negocia a ação a 26 vezes o lucro estimado para 2027 e vê espaço limitado para um ponto de entrada significativamente melhor. Sua recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 50.

O que torna a WEG particularmente atrativa para o Itaú BBA neste momento é um conjunto de características que se tornam cada vez mais raras no Brasil. A companhia tem exposição ao dólar, oferece resultados defensivos e está estruturalmente ligada a dois temas em alta: a eletrificação e os investimentos em inteligência artificial. Tudo isso em um ano de eleições, quando a volatilidade cambial tende a aumentar.

O banco também vê assimetria positiva nos números. Seu modelo trabalha com um câmbio de R$ 5,10 por dólar, cenário que pode se mostrar conservador conforme as eleições se aproximam. As operações internacionais em dólares devem crescer em média 15% ao ano nos próximos trimestres. Além disso, há potencial não totalmente precificado na expansão de capacidade no segmento de transmissão e distribuição de energia e na resiliência da demanda por equipamentos elétricos industriais. Quanto às tarifas, o Itaú BBA espera que os impactos no segundo semestre sejam menos severos do que os enfrentados no primeiro semestre.

O Goldman Sachs reconhece que o resultado do segundo trimestre ajudou a reduzir incertezas sobre a trajetória de crescimento da WEG. O banco concorda que este deve ser o último trimestre de queda da receita líquida. Mas há pouca visibilidade sobre quando a expansão em transmissão e distribuição começará a contribuir de forma mais significativa para as receitas. A alta de 9% das ações após a divulgação do balanço refletiu essa redução de riscos percebidos. A queda de 3% a 4% no pregão seguinte, porém, sinalizou preocupações com a evolução das margens e com um ritmo de expansão mais lento do que o esperado pelo mercado.

Essas preocupações foram suficientes para o Goldman Sachs manter sua recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 37,30. A divergência entre os dois bancos reflete uma questão fundamental: se a WEG realmente deixou o pior para trás ou se ainda há surpresas desagradáveis à frente.

A WEG reúne características que tendem a se tornar cada vez mais escassas no Brasil: exposição ao dólar, resultados defensivos e vínculos estruturais com eletrificação e investimentos em inteligência artificial
— Itaú BBA
O resultado do segundo trimestre ajudou a reduzir parte das incertezas em torno da trajetória de crescimento da companhia
— Goldman Sachs
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