Vovós do TikTok e do Instagram transformam a terceira idade em fama, renda e conexão com jovens

Envelhecer não é tão ruim assim
Mensagem que Lillian Droniak, de 96 anos, diz querer passar aos seguidores jovens no TikTok.
Mark

Por que uma história sobre vovós influenciadoras importa?

Mimi

Porque mostra dinheiro e afeto no mesmo lugar. Droniak paga um lar de US$ 12 mil por mês com os vídeos, e seguidoras jovens dizem que Costello lembra a mãe que não tiveram.

Luke

Vale separar: o valor de US$ 12 mil é a despesa do lar, não o faturamento dela. Quanto ela realmente ganha não aparece na reportagem.

Mark

E o interesse das marcas?

Mimi

Naomi Baker, da We Are Social, diz que esses criadores têm comunidades leais e maior poder aquisitivo.

Luke

É a leitura de uma profissional de agência, não um dado de mercado. Não há números que comprovem isso.

Mark

Elas têm controle sobre o que aceitam?

Mimi

Truran diz recusar propostas grandes se não ama a marca, e Costello pensa antes de pôr o nome. Os netos ajudam: o de Droniak edita o conteúdo, e Matthew sugeriu os vídeos de Nonna Gracie.

Luke

Isso é o que elas afirmam. Os contratos e valores, exceto os milhares de libras da Age UK, não foram divulgados.

Mark

Há algo em comum no que dizem aos jovens?

Mimi

Sim: envelhecer não é tão ruim assim.

  • Uma senhora de 96 anos foi ameaçada de despejo do lar de idosos por dar festas, e o caso viralizou em poucas horas.
  • A renda das redes, que chega a cerca de US$ 12 mil por mês, cobre o custo da casa de repouso e tensiona a própria dignidade de quem depende dela.
  • As criadoras negociam com cautela, recusando marcas que não amam e buscando parcerias locais, de caridade ou de alimentos e beleza.
  • O público jovem, muitas vezes com medo de envelhecer, responde com mensagens de alívio, e o sinal aponta para um espaço crescente para influenciadores idosos.

Num tempo em que a juventude costuma imaginar a velhice como um silêncio à espera do fim, algumas mulheres de oitenta e noventa anos têm desafiado essa imagem diante de milhões de telas. De Connecticut ao País de Gales, passando pela Itália e pelos Estados Unidos, avós que um dia cozinharam, trabalharam e criaram filhos encontraram, já em idade avançada, um público inesperado e, com ele, uma forma de sustento. O fenômeno revela menos uma moda passageira do que um reencontro entre gerações, em que o conforto e a memória de quem viveu muito passam a ocupar um lugar na vida de quem apenas começa a viver.

Em junho, uma mulher de 96 anos de Connecticut viralizou ao contar que seu lar de idosos a ameaçara de despejo por dar festas. Lillian Droniak, a "Vovó Droniak", tem 15 milhões de seguidores no TikTok. A direção confirmou a ameaça, mas chegou a um acordo: as festas continuam, sem bebidas alcoólicas. O que ela ganha nas redes paga a casa de repouso, que custa US$ 12 mil por mês. Parte do dinheiro vai para um fundo universitário dos bisnetos. Ela diz que os jovens imaginam os idosos parados, olhando para a parede, e quer mostrar que envelhecer não é tão ruim. Fora das telas, porém, a fama pesa pouco: os vizinhos do lar não entendem o TikTok.

Droniak não está sozinha. No País de Gales, Viv Truran, de 82 anos, começou a postar no Instagram depois de perder o marido, incentivada por uma vizinha. Hoje grava dois vídeos por dia num quarto transformado em estúdio e mantém um caderno com seguidores e visualizações. Muitos dos seus admiradores são mulheres jovens que confessam medo de envelhecer. Ela aceita poucas parcerias e só fecha acordos com marcas que ama, como a Age UK, que a contratou para uma campanha.

Grace Geramita, de 85 anos, a Nonna Gracie, emigrou da Itália aos 18 anos e trabalhou em vários empregos para criar as filhas. Seis anos atrás, o neto sugeriu filmá-la cozinhando receitas antigas. Ela hesitou, pois mal falava inglês, mas os vídeos fizeram sucesso. Hoje se emociona com as mensagens que recebe do mundo inteiro e quer transmitir a tradição de reunir a família à mesa.

Para a agência de marketing We Are Social, esse apelo vem da confiança: avós virtuais oferecem conforto num mundo incerto, e criadores mais velhos têm comunidades leais e poder de compra. Barbara Costello, ex-professora de 77 anos, é um exemplo. Seus seguidores dizem que ela lembra as mães e avós que perderam, e uma universitária lhe contou que seu livro de receitas a ajudou no primeiro ano longe de casa. Para Costello, o melhor momento é ver ex-alunos chegarem às sessões de autógrafos com os próprios filhos: "É um fechamento de ciclo."

Em junho, uma mulher de 96 anos de Connecticut, nos Estados Unidos, viralizou ao contar que seu lar de idosos a havia ameaçado de despejo por dar festas. Lillian Droniak, conhecida como "Vovó Droniak", tem 15 milhões de seguidores no TikTok. O lar confirmou a ameaça, mas disse ter chegado a um acordo com ela: as festas continuam, sem bebidas alcoólicas.

Droniak transformou a própria personalidade em negócio. O que ganha nas redes cobre as despesas da casa de repouso, que chegam a US$ 12 mil (cerca de R$ 60 mil) por mês. Seu neto começou a ajudá-la a postar vídeos em 2020, inicialmente por tédio, e hoje edita o conteúdo patrocinado, que inclui parcerias com marcas de alimentos e beleza. Parte do dinheiro vai também para um fundo universitário dos bisnetos. "Eu sempre soube que tinha potencial para ser famosa, só não imaginava que isso aconteceria aos 90 anos", diz ela. Segundo Droniak, os jovens acham que idosos ficam parados olhando para a parede, e ela quer mostrar que envelhecer não é tão ruim. Fora das telas, a fama pesa menos: no lar, os vizinhos não a entendem, porque não usam o TikTok.

Droniak é uma entre várias mulheres mais velhas que encontraram público inesperado online, em boa parte jovem, com idade para ser neto delas. Falam de moda, gastronomia, encontros amorosos e tarefas domésticas.

No País de Gales, Viv Truran, de 82 anos, de Cardiff, começou a postar no Instagram depois de perder o marido, por sugestão de uma vizinha que a aconselhou a filmar seus looks coloridos. Hoje grava dois vídeos por dia no quarto transformado em estúdio, onde exibe roupas, 22 pares de óculos e duas gavetas de lenços. Não desce as escadas antes de terminar o vídeo da manhã e mantém um caderno com seguidores e visualizações, já no quinto volume. Estranhos, muitos deles mulheres de 20 e 30 anos, dizem a ela que têm medo de envelhecer; ela responde que não é tão ruim assim.

Truran faz alguns posts patrocinados por mês, priorizando marcas locais e instituições de caridade. A Age UK lhe pagou milhares de libras por uma campanha recente. Ela diz que seria tola se não fechasse acordos, mas já recusou propostas grandes: precisa amar a marca.

Naomi Baker, da agência de marketing de influenciadores We Are Social, explica o interesse comercial: criadores mais velhos costumam ter comunidades profundamente estabelecidas e muito leais, com maior poder aquisitivo, o que agrega valor considerável.

Grace Geramita, de 85 anos, a Nonna Gracie, tem milhões de seguidores que a veem cozinhar receitas feitas há décadas. Mudou-se da Itália para os EUA aos 18 anos e trabalhou em vários empregos ao mesmo tempo para sustentar as duas filhas. Hoje ganha mais do que jamais ganhou antes. Há seis anos, o neto Matthew sugeriu filmá-la; ela hesitou, pois não sabia de redes sociais e não fala inglês muito bem. Os vídeos fizeram sucesso. "Eu sempre choro quando as pessoas me enviam mensagens de todo o mundo", diz. Ela afirma querer transmitir a tradição de reunir a família à mesa.

Baker diz que isso faz parte do apelo das "vovós do TikTok": oferecem conforto em um mundo incerto e podem funcionar como uma "avó virtual". É o caso de Barbara Costello, ex-professora de 77 anos, que publica vídeos de culinária, limpeza e tarefas domésticas na conta Brunch with Babs. Seguidores dizem que ela lembra suas mães e avós; alguns a chamam de "a mãe que eu nunca tive". Uma universitária a abordou num restaurante para dizer que seu livro de receitas a ajudou no primeiro ano morando sozinha. Costello trabalha com marcas, mas pondera se quer pôr seu nome em cada uma. Para ela, o melhor é ver ex-alunos em suas sessões de autógrafos com os próprios filhos: "É um momento de fechamento de ciclo."

Eles pensam que os idosos só ficam sentados olhando para a parede, mas eu estou mostrando que envelhecer não é tão ruim assim.
— Lillian Droniak
Criadores mais velhos têm comunidades profundamente estabelecidas e altamente leais, com maior poder aquisitivo.
— Naomi Baker, We Are Social (paráfrase)
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