Vorcaro relatou cobranças por pagamentos a resort ligado a Toffoli

Paga tudo hoje, respondeu o banqueiro à lista de transferências
Vorcaro aprovou pagamentos urgentes ao resort Tayayá em troca de mensagens com seu cunhado.
Mark

Como essas mensagens chegaram à Polícia Federal? Elas foram obtidas legalmente?

Mimi

A PF extraiu o material do celular de Vorcaro. Os diálogos foram depois publicados pelo O Estado de S. Paulo. A Procuradoria-Geral da República está analisando o conteúdo agora.

Luke

Mas a gente não sabe ainda os detalhes de como a PF obteve acesso ao telefone ou se houve autorização judicial. Isso importa para saber se o material pode ser usado em processos.

Mark

Toffoli nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. Como ele explica os R$ 35 milhões?

Mimi

Ele diz que recebeu dividendos da empresa familiar que tinha participação no resort, mas que não recebeu repasses diretos do banqueiro. Ele também afirma que sua participação foi encerrada antes de ele ficar responsável pelo caso do Banco Master.

Luke

O problema é que as mensagens mostram pressão de Vorcaro para fazer os pagamentos ao resort onde Toffoli tinha interesse. Mesmo que o dinheiro não tenha ido direto para o ministro, há uma questão de conflito de interesse que fica clara.

Mark

Por que Toffoli deixou a relatoria?

Mimi

Após a divulgação das mensagens e a pressão dos outros ministros, ele pediu para se afastar do caso. Isso aconteceu na quinta-feira, depois de uma reunião com os dez outros ministros.

Luke

Ele deixou porque quis ou porque foi forçado? A reportagem diz que foi "a pedido", mas o contexto sugere que não havia muita escolha depois que as mensagens vieram à tona.

  • Mensagens de celular mostram Vorcaro cobrando com urgência os repasses ao resort Tayayá — em maio escreveu 'Estou em situação ruim' e ordenou 'Paga tudo hoje', revelando pressão intensa sobre seu cunhado pastor.
  • O total transferido chegou a R$ 35 milhões em ao menos duas parcelas, e quando soube que o dinheiro havia ido a um intermediário, Vorcaro reagiu com frustração: 'Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?'
  • A Polícia Federal encaminhou ao STF um relatório com esses diálogos, intensificando a pressão sobre Toffoli, que acumulava a relatoria de casos diretamente ligados ao Banco Master controlado por Vorcaro.
  • Após reunião com os dez demais ministros da Corte, Toffoli deixou a relatoria do caso Master — movimento interpretado como resposta direta à exposição pública das mensagens.
  • A Procuradoria-Geral da República analisa o conteúdo das conversas, e o caso agora pende entre a negação do ministro de qualquer relação irregular e as evidências documentais que os investigadores continuam a examinar.

No cruzamento entre o poder financeiro e a toga, mensagens extraídas pela Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro pressionou repetidamente por transferências de R$ 35 milhões a um resort no Paraná com vínculos societários ao ministro do STF Dias Toffoli. O episódio, que levou Toffoli a abandonar a relatoria de processos do Banco Master após reunião com os demais ministros, recorda uma tensão permanente nas democracias: a linha tênue entre o interesse privado e a imparcialidade que a função pública exige. A Procuradoria-Geral da República agora examina as conversas, e o desfecho desse escrutínio poderá definir não apenas destinos individuais, mas a confiança institucional em uma das mais altas cortes do país.

Mensagens de celular obtidas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pressionou seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, para realizar transferências ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná — empreendimento no qual o ministro do STF Dias Toffoli e sua família tiveram participação societária. Os repasses somaram R$ 35 milhões, segundo os próprios diálogos publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ao longo de 2024, as conversas revelam um padrão de urgência. Em maio, Vorcaro perguntou se o aporte ao fundo Tayayá havia sido resolvido e declarou estar 'em situação ruim'. Quando Zettel encaminhou uma lista de pagamentos com a indicação 'Tayaya - 15', o banqueiro respondeu com brevidade: 'Paga tudo hoje'. Em agosto, ao descobrir que o dinheiro havia passado por um intermediário, Vorcaro reagiu com frustração e exigiu um levantamento completo. A resposta de Zettel confirmou os valores: R$ 20 milhões pagos anteriormente e mais R$ 15 milhões na operação seguinte.

O relatório com esses diálogos foi encaminhado pela PF ao STF nesta semana, intensificando a pressão para que Toffoli se afastasse da relatoria de processos envolvendo o Banco Master. Na quinta-feira, após reunião com os demais ministros da Corte, Toffoli deixou o caso. Em nota anterior, o ministro havia negado receber repasses diretos de Vorcaro ou Zettel, e afirmou que sua participação no resort — por meio da empresa Maridt — havia sido encerrada antes de assumir a relatoria.

Toffoli reconheceu nesta semana ser sócio da Maridt, que vendeu sua fatia no Tayayá a fundos de investimento dos quais Zettel era acionista. As mensagens sugerem que Zettel atuava como operador financeiro de Vorcaro — ele é alvo da Operação Compliance Zero, investigação sobre irregularidades no setor bancário. A Procuradoria-Geral da República agora analisa o conteúdo das conversas para determinar se há base para desdobramentos legais adicionais.

Mensagens de telefone extraídas pela Polícia Federal revelam que Daniel Vorcaro, banqueiro controlador do Banco Master, pressionou seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, para realizar transferências de dinheiro a um resort no Paraná. Os diálogos, publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, indicam que os repasses somaram R$ 35 milhões e tinham como destino o empreendimento Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, onde o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e sua família possuíram participação societária.

Os textos trocados entre Vorcaro e Zettel ao longo de 2024 mostram um padrão de urgência e cobrança. Em maio, o banqueiro perguntou ao cunhado se havia resolvido o aporte do fundo Tayayá, escrevendo: "Estou em situação ruim". Zettel respondeu que havia perguntado se o pagamento poderia ser feito na semana seguinte e recebido confirmação. Quando Zettel encaminhou uma lista de pagamentos para aprovação com a indicação "Tayaya - 15", possivelmente referindo-se a R$ 15 milhões, Vorcaro respondeu com brevidade: "Paga tudo hoje".

Três meses depois, em agosto, Vorcaro voltou a questionar o andamento. "Aquele negócio do Tayayá não foi feito?", perguntou. Quando soube que o valor havia sido transferido a um intermediário, reagiu com frustração: "Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?". Zettel explicou que o dinheiro estava no fundo proprietário do resort e que transferiria as cotas. Vorcaro então solicitou um levantamento completo: "Me fala tudo que já foi feito até hoje". A resposta veio em números: "Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões".

Os diálogos constam de um relatório que a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal nesta semana. O documento reforçou pressões para que Toffoli se afastasse da relatoria de processos envolvendo o Banco Master. Na quinta-feira, após reunião com os demais dez ministros da Corte, Toffoli deixou o caso. A Procuradoria-Geral da República agora analisa o conteúdo das mensagens.

As conversas sugerem que Zettel atuava como operador de Vorcaro. Zettel é alvo da Operação Compliance Zero, investigação que examina irregularidades no setor bancário. Toffoli, procurado para comentar, não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Em nota anterior, o ministro negou ter recebido repasses diretos de Vorcaro ou Zettel.

Nesta semana, Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no resort Tayayá. A empresa posteriormente vendeu sua fatia a fundos de investimento que contavam Zettel entre os acionistas. Em manifestação divulgada antes, o ministro afirmou ter recebido dividendos da empresa familiar, mas reiterou que não mantinha relação de amizade com o banqueiro e que sua participação no empreendimento havia sido encerrada antes de ele receber a relatoria da ação envolvendo o Banco Master no STF.

O caso coloca em evidência a sobreposição entre interesses financeiros privados e funções públicas de alto nível. As mensagens, obtidas através de investigação criminal, agora alimentam análise de órgãos de controle que precisarão determinar se houve irregularidades que justifiquem ações legais adicionais.

Estou em situação ruim
— Daniel Vorcaro, em mensagem a seu cunhado sobre o aporte do Tayayá
Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?
— Daniel Vorcaro, questionando o paradeiro dos pagamentos em agosto de 2024
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