Conheça os 108 suplentes dos senadores eleitos em 2026

É sempre a soma de recursos políticos: finanças, potencial eleitoral
Cientista político explica a lógica por trás da escolha dos suplentes de senadores.
Mark

Como funciona exatamente esse sistema de suplentes? Por que cada senador precisa de dois?

Mimi

A Constituição estabelece que cada senador é eleito com dois suplentes. Se o titular se licencia ou renuncia, o primeiro suplente assume. Se ele também não puder continuar, vem o segundo. É uma forma de garantir que o estado sempre tenha representação.

Luke

Mas quantos suplentes realmente chegam a exercer o mandato? Porque se for raro, parece mais um cargo honorário.

Mimi

Não é raro. Entre 2023 e 2026, 28 suplentes atuaram como senadores. Dez estão no cargo agora. Então é uma possibilidade bem concreta.

Mark

E quem escolhe os suplentes? O senador eleito?

Mimi

Não exatamente. Eles são escolhidos como parte da chapa durante a campanha. É uma decisão estratégica — geralmente para agregar forças políticas, captar recursos ou incluir alguém importante politicamente.

Luke

Então é basicamente um acordo político. O senador traz dois aliados na chapa, e se precisar sair, um deles entra no lugar.

Mimi

Exatamente. Marcos Paulo Campos, cientista político, diz que é "a soma de recursos políticos: finanças, potencial eleitoral, inserção institucional".

Mark

Vi que muitos suplentes são parentes dos senadores. Michelle Bolsonaro tem o irmão como suplente, Bia Kicis tem o filho. Isso é comum?

Mimi

Sim, aparece em várias chapas. Helder Barbalho tem o pai como suplente. Eduardo Braga tem a esposa. É uma forma de manter o poder dentro da família.

Luke

Mas isso não levanta questões sobre nepotismo? Quer dizer, tecnicamente não é ilegal, mas...

Mimi

Não é ilegal, e a fonte não questiona isso. O que a reportagem mostra é que acontece, e que é parte de uma estratégia maior de composição política.

Mark

E os empresários? Vi que alguns suplentes têm patrimônios enormes.

Mimi

Sim. Pastore, suplente em Tocantins, declarou R$ 677 milhões. Vicente Santini, em São Paulo, R$ 41,5 milhões. São pessoas com poder econômico significativo.

Luke

A pergunta é: por que o Senado precisa de suplentes com esse perfil? Qual é o valor agregado de ter um bilionário como suplente?

Mimi

Segundo a análise da reportagem, é sobre agregar recursos — financeiros, políticos, eleitorais. Não é só sobre quem pode exercer o mandato, é sobre quem traz poder para a chapa.

  • 54 senadores eleitos em 2026, cada um com 2 suplentes (108 no total)
  • Mandatos até 2035, com duração de 8 anos
  • 28 suplentes exerceram mandato entre 2023 e 2026; 10 estão atualmente no cargo
  • Parentes de titulares ocupam posições em múltiplas chapas (irmãos, filhos, cônjuges, pais)
  • Suplentes incluem empresários com patrimônios de até R$ 677 milhões

Cada um dos 54 senadores eleitos em 2026 traz dois suplentes que podem assumir a cadeira caso o titular se afaste temporária ou definitivamente durante os oito anos de mandato. Histórico recente mostra que substituições são frequentes: 42 suplentes já exerceram mandato na legislatura atual, com 28 atuando entre 2023 e 2026.

A eleição de 2026 renovou dois terços do Senado com 54 novos senadores, cada um com dois suplentes. Os 108 suplentes incluem políticos experientes, empresários, parentes e lideranças religiosas que podem assumir o mandato em caso de vacância ou licença.

A eleição de 2026 renovou dois terços do Senado Federal. Cinquenta e quatro novos senadores foram escolhidos para mandatos que se estenderão até 2035, e cada um deles carrega consigo dois suplentes — um total de 108 pessoas que podem ocupar uma cadeira na Casa caso o titular se afaste, temporária ou permanentemente, durante os oito anos seguintes.

A Constituição estabelece esse arranjo há décadas. Quando um senador se licencia ou deixa vago seu cargo, a convocação segue uma ordem rigorosa: primeiro vem o primeiro suplente, depois o segundo, se necessário. Embora os eleitores votem no candidato principal, a eleição para o Senado define também, de antemão, quem poderá representar cada estado caso o titular não complete seu mandato. Esse mecanismo não é meramente teórico. Nos últimos anos, o Senado registrou que 42 suplentes já exerceram mandato durante a legislatura atual — aquela formada pelos senadores eleitos para 2019-2026 e 2023-2030. Dez deles estão atualmente no exercício da função. Entre 2023 e 2026 especificamente, 28 suplentes atuaram como senadores. Desses, seis ocupam a cadeira agora por causa de renúncia ou morte do titular; quatro estão lá porque o titular se licenciou por mais de 120 dias; e outros 18 passaram pela função em algum momento mas já deixaram o cargo.

O perfil dos 108 suplentes eleitos em 2026 é variado. Há políticos com longa trajetória, empresários com patrimônios substanciais, parentes dos titulares, dirigentes de partidos e lideranças religiosas. Há também quem nunca tenha exercido mandato eletivo. Segundo Marcos Paulo Campos, cientista político do Observatório de Política do Nordeste, a escolha dos suplentes segue uma lógica clara: agregar forças políticas, captar mais recursos para a campanha ou incluir um parente do candidato ou de alguém politicamente relevante. "É sempre a soma de recursos políticos: finanças, potencial eleitoral, inserção institucional. No caso das grandes alianças, os suplentes são parte da composição de forças", explicou.

Os laços familiares aparecem em várias chapas. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) tem seu irmão Diego Torres como primeiro suplente, enquanto Bia Kicis (PL) escolheu o filho Samuel Kicis para a mesma posição. No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) mantém a esposa Sandra Braga como primeira suplente — ela já ocupou a cadeira dele em 2015, quando Braga se afastou temporariamente para assumir o Ministério de Minas e Energia. No Pará, Helder Barbalho (MDB) tem o próprio pai, Jader Barbalho, como primeiro suplente; Jader possui longa passagem pelo Congresso e foi eleito senador em diferentes ocasiões. Em Minas Gerais, Pablo Gontijo, segundo suplente de Domingos Sávio, é filho do senador eleito. No Piauí, Dário Castro, segundo suplente de Marcelo Castro (MDB), também é filho do titular. No Rio Grande do Norte, o senador reeleito Styvenson Valentim (Podemos) terá a irmã Kelly Valentim como primeira suplente.

Empresários com grandes patrimônios também compõem o grupo de suplentes. Renato Figueiredo (PL), segundo suplente de Bia Kicis no Distrito Federal, declarou patrimônio de R$ 49,6 milhões. Em Mato Grosso, Odílio Balbinotti (PL), primeiro suplente de José Medeiros, é empresário do agronegócio. Em Tocantins, Pastore (PL), primeiro suplente de Eduardo Gomes, declarou R$ 677 milhões em bens. Em São Paulo, Vicente Santini (Republicanos), primeiro suplente de Guilherme Derrite, declarou R$ 41,5 milhões em patrimônio e é advogado que serviu como secretário nacional de Justiça e assessor especial da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro. O segundo suplente de Derrite, Julio Serson (PP), é empresário do setor hoteleiro e ex-secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo.

Há também casos de suplentes com experiência prévia no Senado. No Rio Grande do Sul, Ireneu Orth (PP), primeiro suplente de Sanderson (PL), já assumiu temporariamente o mandato de Luis Carlos Heinze. Orth é produtor rural, presidente da Aprosoja-RS e ex-prefeito de Tapera. No Mato Grosso do Sul, a composição de Reinaldo Azambuja (PL) inclui Nelsinho Trad (PSD), que abriu mão da candidatura à reeleição para ocupar a primeira suplência.

Os 108 suplentes agora esperam nos bastidores. Alguns nunca serão convocados e completarão os oito anos sem exercer o mandato. Outros podem ser chamados em questão de semanas ou meses. O histórico recente do Senado sugere que a probabilidade de atuação é real — mais de um terço dos suplentes da legislatura anterior já passaram pela cadeira. Para cada um deles, a suplência representa uma oportunidade que pode ou não se concretizar, mas que já os coloca, formalmente, na estrutura de poder do Senado Federal.

É sempre a soma de recursos políticos: finanças, potencial eleitoral, inserção institucional. No caso das grandes alianças, os suplentes são parte da composição de forças.
— Marcos Paulo Campos, cientista político do Observatório de Política do Nordeste
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