Vida alienígena pode estar escondida sob o gelo de Marte, sugere pesquisa

O gelo empoeirado bloqueia a radiação ultravioleta
Explicação de como o gelo marciano poderia proteger organismos fotossintéticos da radiação prejudicial enquanto permite luz solar.
Mark

Então o estudo está dizendo que encontraram vida em Marte?

Mimi

Não, absolutamente não. O que encontraram é um cenário teórico onde a vida poderia existir — mas nenhuma evidência de que realmente existe.

Luke

Certo, e isso é importante deixar claro. Eles usaram simulações de computador, não observações diretas do que está acontecendo sob o gelo marciano agora.

Mark

Mas por que o gelo empoeirado seria melhor que o gelo limpo?

Mimi

Porque a poeira absorve luz solar e aquece, derretendo o gelo por dentro. Ao mesmo tempo, o gelo acima bloqueia a radiação ultravioleta prejudicial. É um equilíbrio.

Luke

E quanto à profundidade? Eles dizem que pode estar entre 5 centímetros e 3 metros. Isso é uma faixa enorme.

Mark

Por que tanta variação?

Mimi

Depende de quanto pó está no gelo. Menos poeira significa zona mais rasa. Mais poeira significa zona mais profunda.

Luke

Mas ninguém sabe realmente quanto pó tem no gelo marciano. Isso é uma estimativa baseada em modelos.

Mark

E eles têm alguma prova de que isso funciona?

Mimi

Encontraram exemplos na Terra — gelo com poeira que contém microrganismos vivos. Então sabem que o conceito funciona em um planeta.

Luke

Mas a Terra é muito mais quente e úmida que Marte. Os análogos são úteis, mas não são provas de que o mesmo acontece lá.

Mark

Então qual é o próximo passo?

Mimi

Khuller disse que estão refinando as simulações para saber exatamente onde procurar. Futuras missões poderiam escavar nessas zonas de latitude média.

Luke

E isso assume que as futuras missões terão a tecnologia e o orçamento para fazer escavações profundas. Ainda é um grande "se".

  • Marte recebe 30% mais radiação ultravioleta do que a Terra, tornando sua superfície hostil a qualquer organismo fotossintético exposto.
  • Simulações computacionais revelam que o gelo empoeirado pode agir como um filtro duplo: bloqueia a radiação letal enquanto deixa passar luz suficiente para sustentar fotossíntese em profundidades de 5 centímetros a mais de 3 metros.
  • Água líquida pode se formar dentro desse gelo por derretimento interno, reunindo simultaneamente dois ingredientes essenciais para a vida — luz e água — num mesmo ambiente subterrâneo raso.
  • Análogos terrestres reforçam a hipótese: microrganismos já foram encontrados em gelos empoeirados na Terra, sobrevivendo em ciclos sazonais de dormência e atividade.
  • As regiões polares marcianas, onde o gelo é abundante, seriam frias demais para esse fenômeno; o foco das próximas missões deve recair sobre as latitudes médias do planeta.
  • A descoberta não confirma vida em Marte, mas redefine onde e como procurá-la, apontando para escavações em zonas de gelo empoeirado como próximo passo concreto.

Há bilhões de anos, Marte perdeu seus oceanos e seu escudo magnético, tornando-se um mundo árido varrido por radiação. Agora, um estudo publicado na Nature Communications Earth & Environment sugere que o gelo empoeirado das latitudes médias do planeta pode abrigar, em suas profundezas, as condições mínimas para a fotossíntese — luz filtrada e água líquida coexistindo a poucos centímetros ou metros da superfície. Nenhuma vida foi encontrada, mas a ciência ganhou um endereço mais preciso para continuar a busca.

Um novo estudo propõe que o gelo empoeirado das latitudes médias de Marte pode criar, em seu interior, condições favoráveis à fotossíntese — o processo pelo qual plantas, algas e cianobactérias convertem luz em energia. A pesquisa, publicada na Nature Communications Earth & Environment, não anuncia a descoberta de vida marciana, mas oferece aos cientistas uma direção concreta para buscá-la.

Aditya Khuller, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explica que esse gelo funcionaria como um filtro duplo: bloquearia a radiação ultravioleta que castiga a superfície — 30% mais intensa em Marte do que na Terra, por ausência de camada de ozônio — enquanto deixaria passar luz solar suficiente para sustentar vida fotossintética em profundidades que variam de 5 centímetros a mais de 3 metros, dependendo da concentração de poeira no gelo.

As simulações computacionais da equipe mostram ainda que o calor solar pode derreter o gelo por dentro, formando água líquida protegida da evaporação pela camada superficial congelada. Luz e água — dois ingredientes fundamentais para a fotossíntese — poderiam assim coexistir nesses ambientes subterrâneos rasos. A teoria encontra respaldo em análogos terrestres: em geleiras empoeiradas da Terra, microrganismos habitam exatamente esse tipo de nicho, dormindo no inverno e despertando quando a luz retorna.

As regiões polares marcianas, embora ricas em gelo, seriam provavelmente frias demais para que esse derretimento interno ocorra. Por isso, as latitudes médias do planeta emergem como os alvos mais promissores. Khuller e sua equipe trabalham agora em simulações mais refinadas para identificar onde e quando esse fenômeno pode estar acontecendo hoje — informações que poderão guiar escavações nas próximas missões a Marte.

Um novo estudo sugere que as condições necessárias para a fotossíntese — o processo pelo qual organismos vivos como plantas, algas e cianobactérias convertem luz em energia química — podem existir escondidas sob o gelo do Planeta Vermelho. A pesquisa não afirma ter encontrado vida em Marte, mas oferece aos cientistas uma pista concreta sobre onde procurar.

O trabalho, publicado na quinta-feira na Nature Communications Earth & Environment, propõe que uma camada espessa de gelo marciano funcionaria como um filtro duplo: bloquearia a radiação ultravioleta prejudicial que bombardeia a superfície, ao mesmo tempo que permitiria a passagem de luz solar suficiente para sustentar a fotossíntese em profundidades variáveis. Aditya Khuller, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explicou ao Space.com que as exposições de gelo marciano empoeirado nas latitudes médias do planeta representam os locais mais acessíveis para essa busca hoje.

Marte orbita dentro da chamada zona habitável do Sol — a região onde as temperaturas permitem que água líquida exista na superfície de um planeta. Mas enquanto 71% da Terra é coberta por oceanos, Marte apresenta uma paisagem árida e seca. Dados de rovers como Curiosity e Perseverance, além de observatórios orbitais como o Mars Reconnaissance Orbiter, revelaram que nem sempre foi assim: características geológicas indicam que água líquida correu pelo Planeta Vermelho há bilhões de anos. Os cientistas acreditam que Marte perdeu essa água quando seu campo magnético desapareceu e sua atmosfera foi quase inteiramente arrancada pelo vento solar, deixando pouca proteção contra a evaporação.

A falta de um escudo de ozônio como o da Terra significa que Marte recebe 30% mais radiação ultravioleta na superfície — um obstáculo para qualquer vida fotossintética exposta. Mas é exatamente aqui que o gelo empoeirado entra em jogo. Usando simulações de computador, a equipe de Khuller descobriu que esse gelo pode derreter por dentro, com a camada superficial congelada protegendo a água líquida subterrânea rasa da evaporação. Dois ingredientes-chave para a fotossíntese — luz solar e água — poderiam estar presentes simultaneamente nessas profundidades.

As simulações mostraram que a profundidade dessas zonas habitáveis depende da quantidade de poeira dentro do gelo. Gelo com apenas 0,01% a 0,1% de poeira permitiria que uma zona radiativa existisse entre 5 e 38 centímetros de profundidade. Gelo mais "poluído", com maior concentração de partículas, bloquearia mais luz solar, deslocando essas zonas para profundidades maiores, entre 2,2 e 3,1 metros. As regiões polares de Marte, onde a maior parte do gelo do planeta se concentra, seriam provavelmente frias demais para que esses habitats radiantes funcionassem, pois faltaria o derretimento subterrâneo necessário.

A teoria encontra apoio em análogos terrestres. Khuller descobriu que na Terra existem habitats similares dentro de gelo contendo poeira e sedimentos. Durante o verão, água líquida se forma ao redor das partículas escuras graças ao aquecimento solar, mesmo quando o gelo acima permanece congelado — um efeito possível porque o gelo é translúcido e permite que a luz penetre abaixo da superfície. Microrganismos vivem nesses ambientes, geralmente dormindo no inverno quando não há luz solar suficiente para formar água líquida dentro do gelo empoeirado.

Nada disso prova que vida fotossintética existe atualmente em Marte ou que já existiu. Mas as descobertas abrem uma nova direção para a busca. Khuller e sua equipe estão desenvolvendo simulações aprimoradas para determinar onde, quando e se o gelo empoeirado está derretendo em Marte nos dias de hoje. A próxima geração de missões marcianas pode usar essas informações para orientar escavações em locais específicos — não nas regiões polares, mas nas latitudes médias onde as condições teóricas se alinham.

As exposições de gelo marciano empoeirado nas latitudes médias representam os lugares mais facilmente acessíveis para procurar vida marciana hoje
— Aditya Khuller, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA
Microrganismos geralmente ficam dormentes no inverno, quando não há luz solar suficiente para formar água líquida dentro do gelo empoeirado
— Aditya Khuller
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