Mais de uma década após os fatos, a justiça alcançou Verônica Costa — ex-vereadora, empresária e figura conhecida no universo do funk carioca como Mãe Loira — quando agentes a encontraram refugiada numa casa serrana em Petrópolis. Condenada a 10 anos e 8 meses por torturar o ex-marido durante 20 horas em 2011, ela havia escapado de uma primeira tentativa de prisão, tornando-se foragida por um dia. A captura, que envolveu também três familiares igualmente condenados, marca o momento em que um processo longo e contestado finalmente transita da sentença para o cumprimento efetivo da pena.
Verônica Costa, 'Mãe Loira do Funk', é presa em Petrópolis após condenação por tortura
Tortura que durou 20 horas, com gasolina e spray inseticida
Por que esse caso levou tanto tempo para chegar à prisão? Estamos falando de 2011 até agora.
O processo judicial brasileiro é longo. Houve condenação em 2019, mas depois recurso do Ministério Público em 2023 que aumentou a pena. Verônica só se tornou foragida quando tentaram prendê-la na quarta-feira.
Mas por que ela não foi presa logo após a condenação de 2019? O texto não explica isso.
Boa pergunta. O texto não deixa claro se ela estava em liberdade durante todo esse período ou se havia alguma medida cautelar.
E quanto às acusações dela? Ela nega tudo?
Completamente. Ela diz que o marido chegou já machucado, que ele usava drogas e a ameaçava. Sua defesa argumenta que não há base probatória sólida.
A defesa menciona que o ex-marido "fugiu do processo" recusando material genético. Isso é significativo — sugere que havia provas técnicas que poderiam contradizer a acusação.
Então há dúvida real sobre o que aconteceu?
Segundo a defesa, sim. Mas a Justiça acreditou na versão da vítima e condenou. Aumentou até a pena.
O texto não diz se havia outras testemunhas ou apenas o relato de Márcio.
E os familiares dela? Todos foram condenados também?
Sim, quatro familiares foram condenados. Três foram presos agora; um ainda está foragido.
Todos com penas similares, o que sugere que a Justiça considerou que todos participaram.
El Pulso
- Verônica Costa fugiu de uma primeira abordagem policial na Barra da Tijuca, transformando sua prisão numa operação de busca que só se concluiu no dia seguinte, nas montanhas de Petrópolis.
- A violência descrita pela vítima é extrema: 20 horas amarrado e amordaçado na própria cama, com gasolina derramada pelo corpo e spray inseticida jogado no rosto, sob ameaça de ser queimado vivo.
- A pena quase dobrou entre a primeira condenação, em 2019, e o recurso do Ministério Público julgado em 2023, quando o tribunal elevou a sentença de 5 anos e 10 meses para 10 anos e 8 meses em regime fechado.
- A defesa sustenta que a condenação repousa apenas na palavra da suposta vítima e que o ex-marido se recusou a fornecer material genético que poderia confrontar provas técnicas favoráveis à ré.
- Com o trânsito em julgado esgotando os recursos, a juíza determinou a prisão imediata; três familiares foram capturados na mesma operação, enquanto o padrasto de Verônica ainda permanecia foragido.
Mais de uma década após os fatos, a justiça alcançou Verônica Costa — ex-vereadora, empresária e figura conhecida no universo do funk carioca como Mãe Loira — quando agentes a encontraram refugiada numa casa serrana em Petrópolis. Condenada a 10 anos e 8 meses por torturar o ex-marido durante 20 horas em 2011, ela havia escapado de uma primeira tentativa de prisão, tornando-se foragida por um dia. A captura, que envolveu também três familiares igualmente condenados, marca o momento em que um processo longo e contestado finalmente transita da sentença para o cumprimento efetivo da pena.
Na noite de quinta-feira, 24 de setembro, policiais civis encontraram Verônica Costa numa casa no Vale das Videiras, em Araras, distrito de Petrópolis. A ex-vereadora e empresária — conhecida no funk como Mãe Loira — havia escapado de uma tentativa de prisão na véspera, quando agentes foram ao seu endereço na Barra da Tijuca e não a localizaram. Desta vez, não houve escapatória: ela foi presa para cumprir uma condenação de 10 anos e 8 meses por tortura.
O caso remonta a fevereiro de 2011, quando o então marido, Márcio Costa, procurou a polícia relatando ter sido amarrado e amordaçado na própria cama durante 20 horas. Segundo ele, parentes de Verônica jogaram spray inseticida em seu rosto e derramaram gasolina pelo corpo, ameaçando queimá-lo vivo. A primeira condenação veio em 2019; em 2023, após recurso do Ministério Público, o Tribunal de Justiça do Rio quase dobrou a pena e determinou o regime fechado.
A operação foi além de Verônica: seu irmão Bruno Chaves Ribeiro recebeu a mesma pena, enquanto a irmã Tatiane e o cunhado Bruno Marcelo foram condenados a 10 anos cada. Todos foram capturados na mesma ação. O padrasto de Verônica, também condenado a 10 anos, permanecia foragido.
Desde o início, Verônica negou as acusações, afirmando que o ex-marido usava drogas, a ameaçava há anos e chegou à sua casa já ferido naquela noite. Sua defesa argumentou que a condenação se baseava apenas na versão da vítima e que o ex-marido se recusou a fornecer material genético que poderia confrontar provas técnicas. O advogado de Márcio, por sua vez, descreveu a prisão como a 'cristalização da justiça', ressaltando o caráter coletivo e bárbaro do crime. Com o esgotamento dos recursos, o caso que se arrastava há mais de uma década avançou, enfim, para o cumprimento efetivo da pena.
Na noite de quinta-feira, 24 de setembro, a polícia encontrou Verônica Costa em uma casa no Vale das Videiras, em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A ex-vereadora e empresária, conhecida nos círculos do funk como Mãe Loira, havia se tornado foragida um dia antes, quando agentes da Polícia Civil tentaram cumprir um mandado de prisão em seu endereço na Barra da Tijuca e não a encontraram. Desta vez, a captura foi bem-sucedida. Verônica Costa foi presa para cumprir uma condenação de 10 anos e 8 meses de prisão por tortura.
O caso que levou à sua prisão começou em fevereiro de 2011, quando seu então marido, Márcio Costa, procurou a polícia com denúncias de agressão. Segundo seu relato à Polícia Civil, ele foi amordaçado e amarrado na cama de seu próprio quarto durante 20 horas. Parentes de Verônica, conforme contou, jogaram spray inseticida em seu rosto e derramaram gasolina pelo corpo, ameaçando queimá-lo vivo. A primeira condenação veio em 2019, mas em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a pena após recurso do Ministério Público, elevando-a de 5 anos e 10 meses para 10 anos e 8 meses. Os desembargadores também determinaram que a pena fosse cumprida em regime fechado e mantiveram a perda do mandato de vereadora.
A operação que resultou na prisão de Verônica envolveu mais do que apenas ela. Três familiares foram capturados na mesma ação: seu irmão Bruno Chaves Ribeiro, condenado aos mesmos 10 anos e 8 meses; sua irmã Tatiane Chaves Ribeiro; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado de Verônica. Tatiane e Bruno Marcelo receberam condenações de 10 anos de reclusão. Um quarto familiar, Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Verônica, também foi condenado a 10 anos, mas permanecia foragido no momento da operação. Todos deveriam cumprir suas penas em regime fechado conforme decisão de 2023.
Desde o início, Verônica negou as acusações. Em seu depoimento de 2011, ela afirmou que o marido usava drogas e a ameaçava há anos. Segundo sua versão, Márcio chegou à sua casa naquela noite de 21 de fevereiro já muito machucado, nervoso e gritando, querendo agredi-la como costumava fazer. Ela não sabia, disse, como ele havia sofrido os ferimentos. Verônica também apresentou uma queixa contra o marido por furto, alegando que ele levou computadores, máquinas fotográficas, filmadoras e dinheiro mesmo estando ferido. Quando a pena foi aumentada em 2023, sua defesa argumentou que a condenação se baseava apenas na versão da suposta vítima, sem base probatória sólida, e apontou que o ex-marido havia fugido do processo recusando-se a fornecer material genético que poderia confrontar provas técnicas favoráveis à defesa.
O advogado de Márcio Costa, Leandro Bessa, descreveu a prisão como a "cristalização da justiça". Ele afirmou que o crime cometido contra seu cliente foi "bárbaro" e que a tortura não foi perpetrada apenas por Verônica, mas envolveu seus familiares. A prisão foi determinada pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, após o trânsito em julgado do processo, quando se esgotam todas as possibilidades de recurso. Com a captura de Verônica e seus familiares, o caso que permanecia em aberto há mais de uma década finalmente avançou para a fase de cumprimento de pena.
Citas Notables
A condenação, baseada em versão da suposta vítima sem base probatória, certamente será revertida em novos recursos ante sua fragilidade— Defesa de Verônica Costa, 2023
Na realidade, o crime cometido contra meu cliente foi bárbaro. Ele sofreu tortura, não só pela Verônica— Leandro Bessa, advogado do ex-marido