Bares especializados como Trinca e Lita Wine Bar servem vermute puro, mudando percepção da bebida além de coquetéis clássicos. Produtores brasileiros criam identidade própria usando frutas locais como jabuticaba e caju, diferente de estilos europeus tradicionais.
Vermute ganha protagonismo na coquetelaria brasileira com bares dedicados e festival
O Brasil tem uma história a ser escrita sobre o vermute
Por que o vermute estava tão invisível no Brasil se as pessoas o tomavam há tanto tempo?
Porque era consumido apenas como Martini Bianco puro no balcão do boteco, sem contexto, sem educação sobre o que era. As pessoas não sabiam que estavam bebendo vermute.
Mas isso é verdade para quantas pessoas? O texto fala de "pessoas mais antigas", mas não diz quantas botecos havia ou qual era o alcance real.
E agora, com esses bares dedicados, o que mudou?
Mudou tudo. Agora o vermute é servido puro, em diferentes estilos, em ambientes que educam o consumidor sobre as categorias — rosso, branco, seco — e suas características.
Mas quantos bares assim existem? O texto menciona três: Trinca, Lita Wine Bar e Casa Tão Longe, Tão Perto. É um movimento real ou ainda muito pequeno?
E os produtores brasileiros, estão realmente criando algo novo?
Sim. Em vez de copiar receitas italianas ou francesas, estão usando frutas brasileiras como jabuticaba e caju como base fermentada, criando uma identidade própria.
Mas quantos produtores brasileiros existem? O texto menciona a Cia. dos Fermentados e a San Basile, mas não dá números sobre quantas marcas nacionais estão operando.
O festival Sur Vermut é um sinal de que isso vai crescer?
Parece ser. Reúne 14 marcas de sete países, e os organizadores acreditam que o Brasil tem potencial de consumo muito maior que o Uruguai.
Potencial é uma coisa. Consumo real é outra. O texto não oferece dados sobre quanto vermute está sendo vendido no Brasil ou qual é a projeção de crescimento.
Il Polso
- Primeira vermuteria do Brasil, o bar Trinca, foi fundado em 2022 em Pinheiros
- Festival Sur Vermut reúne 14 marcas de sete países latino-americanos em São Paulo no domingo, 20 de setembro
- Produtores brasileiros usam frutas locais como jabuticaba e caju em bases fermentadas para criar vermutes próprios
Bares especializados como Trinca e Lita Wine Bar servem vermute puro, mudando percepção da bebida além de coquetéis clássicos. Produtores brasileiros criam identidade própria usando frutas locais como jabuticaba e caju, diferente de estilos europeus tradicionais.
O vermute deixa de ser coadjuvante na coquetelaria brasileira com surgimento de bares dedicados, marcas nacionais e festival de produtores latino-americanos em São Paulo.
O vermute nunca saiu completamente da vida brasileira, mas por décadas permaneceu invisível — uma bebida que as pessoas tomavam sem saber o que estava tomando. Nos botecos das cidades, homens mais velhos pediam Martini Bianco puro com gelo, confortáveis no ritual, alheios ao fato de que aquele vinho fortificado e aromatizado tinha um nome, uma história, uma família de bebidas aparentadas. Agora, porém, algo está mudando. Bares inteiros dedicam-se exclusivamente ao vermute. Produtores brasileiros estão criando rótulos próprios com ingredientes locais. E neste domingo, 20 de setembro, São Paulo recebe a terceira edição do Sur Vermut, um festival que reúne 14 marcas de sete países latino-americanos — Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai — para uma conversa que, até pouco tempo, seria impensável no continente.
O vermute é, em sua essência, um vinho fortificado com álcool e depois aromatizado com especiarias, sendo a artemísia a mais importante delas. Ele serve como base para coquetéis clássicos que qualquer bartender conhece: o dry martíni, o negroni, o Manhattan, e no Brasil, o rabo de galo. As marcas mais famosas — Cinzano, Martini, Carpano — são todas italianas, produtos de uma tradição que remonta séculos. Mas no Brasil, conforme explica Renato Chiapetta, fundador da destilaria San Basile, o contato com a bebida ficou restrito ao ambiente do boteco, onde ela era consumida pura, sem cerimônia, sem que a maioria dos consumidores compreendesse o que estava bebendo. "As pessoas mais antigas tomavam Martini Bianco puro com gelo, no balcão, sem nem saber que Martini e Cinzano são vermutes", diz Chiapetta.
A mudança começou com bares que decidiram colocar o vermute no centro do palco. Em 2022, Alê Bussab cofundou o Trinca, em Pinheiros, que se apresenta como a primeira vermuteria do Brasil — um espaço onde a bebida é servida pura, em diferentes estilos, direto de torneiras. Outros estabelecimentos seguiram o caminho: o Lita Wine Bar, também em Pinheiros, e a Casa Tão Longe, Tão Perto, na Barra Funda, oferecem experiências semelhantes. Nesses lugares, o vermute deixa de ser ingrediente e passa a ser protagonista. Bussab explica as categorias principais: o rosso, que é doce com notas herbais e amargas; o branco, geralmente mais doce; e o seco, com menor teor de açúcar e notas florais mais pronunciadas. Na Europa mediterrânea, onde o vermute nasceu, o consumo varia por país. A Espanha é o maior consumidor mundial, preferindo versões mais adocicadas tomadas puras. Os italianos o usam como digestivo e aperitivo. Os franceses o incorporam em coquetéis.
Mas o que está acontecendo agora na América Latina é diferente. Produtores locais não estão tentando replicar os estilos europeus. Leonardo Andrade, cofundador da Cia. dos Fermentados, usa uma analogia simples para explicar como funciona a composição: o vermute é como um sanduíche. A base vínica é o pão de baixo. No meio, o recheio — floral, frutado ou herbal — vem dos botânicos escolhidos. No topo, o açúcar, em quantidade variável, é o pão de cima. Quando tudo se une, forma-se uma bebida complexa e equilibrada. Para os produtores brasileiros, isso significa abandonar a receita europeia tradicional. "Nós fazemos uma composição de botânicos que faz mais sentido para a nossa realidade brasileira do que reproduzir um estilo francês ou espanhol com especiarias como artemísia, cravo, canela e cardamomo", diz Andrade. Em vez disso, a Cia. dos Fermentados aplica suas técnicas em bases fermentadas de frutas brasileiras — jabuticaba e caju — criando algo que não existe em Torino ou Barcelona.
O festival Sur Vermut, que acontece no bar HiFi Community, na Vila Leopoldina, a partir das 12h30, é o ponto de encontro dessa transformação em andamento. As duas edições anteriores ocorreram no Uruguai, um país com tradição vermuteira apesar de sua população pequena. Mas Chiapetta e seus colegas decidiram trazer o evento para o Brasil porque enxergam algo que o Uruguai não possui: potencial de consumo infinitamente maior. "Resolvemos trazer o festival para o Brasil porque é um país com potencial de consumo infinitamente maior e que está precisando tomar um banho de cultura vermuteira", afirma Chiapetta, que é coprodutor do encontro. O evento oferecerá degustações das 14 marcas participantes, além de workshops e oficinas. O ingresso custa 50 reais.
Para Andrade, o festival representa mais do que um encontro comercial. É uma oportunidade de incentivar produtores brasileiros a criar uma identidade própria, usando ingredientes de suas regiões em vez de copiar receitas estrangeiras. O fato de o Brasil estar começando sua história com o vermute — diferentemente da Europa, onde a bebida já tem séculos — é visto como uma vantagem. "O fato de o Brasil ter uma história a ser escrita sobre o vermute é ótimo para as marcas e produtores, pois há muito a ser feito", diz Chiapetta. Enquanto isso, nos botecos e nos bares especializados, o vermute continua sua jornada de transformação: de bebida invisível a protagonista.
Citazioni salienti
As pessoas mais antigas tomavam Martini Bianco puro com gelo, no balcão, sem nem saber que Martini e Cinzano são vermutes— Renato Chiapetta, fundador da destilaria San Basile
Nós fazemos uma composição de botânicos que faz mais sentido para a nossa realidade brasileira do que reproduzir um estilo francês ou espanhol— Leonardo Andrade, cofundador da Cia. dos Fermentados