Em meio a impedimentos legais que tornam sua candidatura formalmente impossível, Jair Bolsonaro permanece o nome central do PL para 2026 — mas apenas enquanto ele próprio não indicar outro. A declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, revela menos uma certeza do que uma estratégia de preservação: manter a coesão de uma sigla que já antevê a necessidade de um herdeiro político. No horizonte, Tarcísio de Freitas cresce como figura capaz de reunir a direita, e o partido tenta posicionar-se para não perder esse movimento.
Valdemar reafirma Bolsonaro como candidato do PL, mas abre espaço para substituto
Bolsonaro ou quem ele, e só ele, escolher
Por que Valdemar precisou fazer essa declaração agora, se Bolsonaro já é o candidato?
Porque a realidade jurídica está fechando as portas. O julgamento no STF é na próxima semana. Tarcísio está ganhando espaço. O partido precisa sinalizar que tem um plano B sem parecer que está abandonando Bolsonaro.
Mas a fórmula "Bolsonaro ou quem ele escolher" não é um pouco vaga?
Exatamente. É vaga de propósito. Mantém Bolsonaro no controle enquanto reconhece que talvez ele não possa estar na chapa. É uma forma de preservar a lealdade dele.
E Tarcísio? Ele está realmente pronto para ser o candidato da direita?
Ele está sinalizando que sim. Lula já o nomeou como adversário. Mas há uma questão: se Tarcísio for candidato, o PL quer que ele migre para a sigla. É uma disputa por quem controla a direita.
E Carlos Bolsonaro? Por que há tanta dificuldade em colocá-lo no Senado?
Porque Santa Catarina não quer. O governador lá negou qualquer acordo. Então o PL está procurando outros Estados. Mas Carlos está reagindo, dizendo que não será intimidado. Há uma tensão familiar nisso tudo.
Qual é o risco real para o PL nesse cenário?
Que a direita se fragmente. Se Bolsonaro não puder ser candidato e o partido não conseguir manter seus eleitores coesos, Tarcísio pode sair do PL e levar votos. A conversa de quinta-feira entre Valdemar e Bolsonaro é sobre evitar exatamente isso.
Der Puls
- Bolsonaro é inelegível até 2030 e enfrenta julgamento no STF por acusação de golpe, tornando sua candidatura presidencial juridicamente inviável mesmo que politicamente sustentada.
- Tarcísio de Freitas avança como alternativa real da direita, com o próprio presidente Lula reconhecendo-o como adversário provável em 2026 e lideranças do Republicanos já citando seu nome abertamente.
- Valdemar tenta segurar a narrativa ao afirmar que só Bolsonaro pode escolher seu substituto, evitando que a sucessão pareça uma imposição externa — ou uma traição.
- A candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado enfrenta resistências em Santa Catarina, e o PL avalia alternativas como São Paulo e Roraima, enquanto Eduardo Bolsonaro, nos EUA e também indiciado, eleva o tom contra qualquer mudança forçada.
- Valdemar visita Bolsonaro em prisão domiciliar nesta quinta-feira para negociar o futuro do partido — uma conversa que definirá se a transição será ordenada ou marcada por fraturas internas.
Em meio a impedimentos legais que tornam sua candidatura formalmente impossível, Jair Bolsonaro permanece o nome central do PL para 2026 — mas apenas enquanto ele próprio não indicar outro. A declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, revela menos uma certeza do que uma estratégia de preservação: manter a coesão de uma sigla que já antevê a necessidade de um herdeiro político. No horizonte, Tarcísio de Freitas cresce como figura capaz de reunir a direita, e o partido tenta posicionar-se para não perder esse movimento.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, publicou nesta semana uma formulação cuidadosa sobre 2026: o candidato presidencial do partido é "Bolsonaro ou quem ele, e só ele, escolher". A frase revela mais do que afirma — é o reconhecimento velado de que o ex-presidente, inelegível até 2030 por condenações no TSE e prestes a ser julgado no STF por acusações de golpe de Estado, pode não ter como concorrer. Manter seu nome é, por ora, uma forma de preservar a unidade da sigla.
O cenário externo pressiona. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ganhou força nos últimos dias como possível candidato da direita. O presidente Lula reconheceu pela primeira vez que Tarcísio será seu adversário em 2026. Marcos Pereira, do Republicanos, citou o governador publicamente. Valdemar já sinalizou que, se Tarcísio decidir disputar o Planalto, deveria migrar para o PL — uma tentativa de o partido capturar o nome mais forte que emerge no campo conservador.
Outra negociação delicada envolve Carlos Bolsonaro, vereador do Rio. Valdemar reafirmou apoio à sua candidatura ao Senado por Santa Catarina ou por qualquer Estado que ele preferir, mas há resistências locais e o partido mapeia alternativas. Carlos reagiu negando impasses e afirmando que não se deixará intimidar. Eduardo Bolsonaro, irmão de Carlos e indiciado nos EUA, foi mais duro: disse que qualquer substituição do pai "não será feita pela força nem com base em chantagem".
Nesta quinta-feira, Valdemar visita Bolsonaro em prisão domiciliar para discutir esses temas. A conversa será delicada: de um lado, a necessidade prática de preparar o partido para um cenário sem Bolsonaro na chapa; de outro, a lealdade que o ex-presidente espera de seus aliados. O que está em jogo é quem herdará o eleitorado bolsonarista em 2026 — e se essa herança chegará de forma pacífica ou acompanhada de fraturas que podem enfraquecer a direita.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, deixou claro nesta semana que Jair Bolsonaro segue como o candidato presidencial do partido para 2026 — mas com uma ressalva que abre caminho para mudanças. Em publicação na rede social X, o dirigente afirmou que o candidato à Presidência é "Bolsonaro ou quem ele, e só ele, escolher". A formulação cuidadosa revela a tensão interna do partido diante de um cenário político em transformação.
Bolsonaro permanece inelegível até 2030 por duas condenações do Tribunal Superior Eleitoral, e enfrenta julgamento no Supremo Tribunal Federal por acusações de golpe de Estado marcado para a próxima terça-feira. Essa realidade jurídica coloca o ex-presidente numa posição paradoxal: formalmente o candidato, mas legalmente impedido de concorrer. Valdemar, ao reafirmar seu nome enquanto abre espaço para substitutos, tenta manter a coesão da sigla enquanto reconhece a possibilidade concreta de que alguém precise ocupar seu lugar na chapa.
O timing da declaração não é casual. Nos últimos dias, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas ganhou força como possível candidato da direita. O próprio presidente Lula afirmou pela primeira vez, nesta terça-feira, que Tarcísio será seu adversário em 2026. O governador, internamente, já admite disputar o Planalto. Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, citou publicamente Tarcísio como possibilidade para sua sigla. Valdemar, por sua vez, já sinalizou que caso Tarcísio concorra, ele deveria migrar para o PL — uma forma de o partido tentar capturar o nome mais forte que emerge na direita.
Outra frente de negociação envolve Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro. Valdemar reafirmou que o partido apoiará sua candidatura ao Senado por Santa Catarina ou "qualquer Estado que desejar". Mas há resistências locais em Santa Catarina, e o PL mapeia alternativas. São Paulo e Roraima estão no radar, embora Eduardo Bolsonaro, irmão de Carlos, permaneça nos Estados Unidos. O próprio Carlos reagiu às notícias sobre impasses, negando haver qualquer problema e afirmando que não se deixará "intimidar". Eduardo, indiciado junto com Bolsonaro por negociações com autoridades americanas, também elevou o tom, afirmando que qualquer substituição do pai "não será feita pela força nem com base em chantagem".
Valdemar visitará Bolsonaro em prisão domiciliar nesta quinta-feira para discutir esses temas. A conversa promete ser delicada: de um lado, a necessidade prática de preparar o partido para um cenário em que Bolsonaro não possa ser candidato; de outro, a lealdade que o ex-presidente espera de seus aliados. O que está em jogo é quem herdará os eleitores bolsonaristas em 2026 — e se essa herança será pacífica ou marcada por fraturas que podem enfraquecer a direita.
Bemerkenswerte Zitate
Nosso candidato a presidente da República é Jair Bolsonaro ou quem ele, e só ele, escolher— Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL
Se houver necessidade de substituir JB, isso não será feito pela força nem com base em chantagem— Eduardo Bolsonaro, deputado federal