Em um momento de tensão política aguda no Brasil, a Universidade Federal Fluminense levou à Polícia Federal evidências de ameaças de incêndio criminoso circuladas em grupo bolsonarista — um gesto que ecoa o medo coletivo instalado após as chamas que consumiram um prédio da UFPE em Recife. A fronteira entre discurso e violência, entre brincadeira e crime, raramente foi tão difícil de traçar quanto agora, quando o patrimônio público e a vida universitária se tornam palco de disputas que extrapolam o debate de ideias.
UFF denuncia à PF ameaça de incêndio criminoso e reforça segurança
lista de presença com o título "incendiar UFF de madrugada"
Por que a UFF levou essas mensagens à Polícia Federal em vez de simplesmente aumentar a segurança interna?
Porque ameaça de incêndio criminoso é crime federal. Além disso, havia um incêndio real acontecendo na UFPE na mesma semana — não era possível tratar como brincadeira.
Mas a PF ainda não confirmou se vai investigar. Sabemos que recebeu o material, mas não sabemos se abriu inquérito.
As mensagens parecem vir de um grupo organizado ou são só pessoas soltas falando coisas?
O grupo "Juntos com Bolsonaro" existe, mas não é oficial. O que assusta é que alguém criou uma lista de presença com o título específico "incendiar UFF de madrugada" — isso sugere algo mais coordenado que apenas conversa aleatória.
Sugerindo, sim. Mas não sabemos quantas pessoas realmente responderam, se alguém confirmou participação, ou se o grupo tem qualquer capacidade real de executar algo assim.
E o incêndio na UFPE — foi confirmado como criminoso?
Ainda não. A investigação está em andamento. Mas o timing é o que deixa tudo mais tenso — um incêndio real em universidade federal, depois ameaças explícitas em outra.
Exato. Não sabemos se há conexão entre os dois. Pode ser coincidência, pode ser inspiração, pode ser nada. A reportagem não encontrou evidência de ligação.
A universidade está fazendo o suficiente?
Pediu reforço à prefeitura e vai aumentar vigilância interna. É o que pode fazer sem ser polícia.
Mas não sabemos se a prefeitura vai responder, nem qual é o estado atual da segurança no campus. A nota da UFF é tranquilizadora, mas genérica.
The Pulse
- Mensagens em grupo chamado 'Juntos com Bolsonaro' continham uma lista de presença com o título explícito de incendiar a UFF de madrugada, revelando um nível de organização que vai além do discurso impulsivo.
- O incêndio que destruiu laboratórios da UFPE na noite anterior transformou o que poderia ser retórica em ameaça com precedente concreto e imediato.
- Outras mensagens do mesmo grupo convocavam para bater em petistas e infiltrar manifestações para 'esfaquear o líder da baderna', pintando um quadro de violência política coordenada.
- Quando confrontado por um estudante, o autor da ameaça de incêndio recuou para a defesa da 'brincadeira' — argumento que não apaga o registro nem dissolve o contexto.
- A UFF pediu reforço de segurança à Prefeitura de Niterói e anunciou vigilância interna reforçada, mas a Polícia Federal ainda não confirmou se abrirá investigação.
Em um momento de tensão política aguda no Brasil, a Universidade Federal Fluminense levou à Polícia Federal evidências de ameaças de incêndio criminoso circuladas em grupo bolsonarista — um gesto que ecoa o medo coletivo instalado após as chamas que consumiram um prédio da UFPE em Recife. A fronteira entre discurso e violência, entre brincadeira e crime, raramente foi tão difícil de traçar quanto agora, quando o patrimônio público e a vida universitária se tornam palco de disputas que extrapolam o debate de ideias.
Na quinta-feira, 8 de outubro, a Universidade Federal Fluminense encaminhou à Polícia Federal um dossiê com mensagens que continham ameaças explícitas de incêndio criminoso ao seu campus. O material havia circulado em um grupo chamado 'Juntos com Bolsonaro', ligado ao candidato Flávio Bolsonaro. Em uma das mensagens, um participante verificou se havia estudantes da UFF no grupo e, após receber resposta negativa, compartilhou uma lista de presença intitulada 'incendiar UFF de madrugada'.
O contexto tornava a denúncia ainda mais grave. Na noite anterior, um incêndio havia destruído um prédio da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, consumindo laboratórios de fármacos, informática e genética. A Polícia Federal ainda investigava se o caso foi acidental ou criminoso, enquanto estudantes e grupos de esquerda relatavam receber ameaças nas redes sociais.
No mesmo grupo, outras mensagens convocavam para agredir manifestantes petistas e propunham infiltração em atos para 'esfaquear o líder da baderna' — um conjunto de registros que sugeria planejamento de confronto físico. Quando um estudante da UFF confrontou o suposto autor da ameaça de incêndio, ele alegou tratar-se de 'mera brincadeira'.
A universidade respondeu com medidas imediatas: solicitou reforço de segurança à Prefeitura de Niterói e anunciou intensificação da vigilância interna, afirmando agir com 'agilidade e responsabilidade' para proteger sua comunidade e o patrimônio público. A Polícia Federal, porém, não confirmou publicamente se investigaria as ameaças — deixando a comunidade universitária à espera tanto de proteção quanto de uma resposta institucional clara.
Na quinta-feira, 8 de outubro, a Universidade Federal Fluminense, em Niterói, encaminhou à Polícia Federal um dossiê de mensagens denunciando uma suposta ameaça de incêndio criminoso que poderia atingir seu campus. O material havia circulado em um grupo de mensagens chamado "Juntos com Bolsonaro", um espaço não oficial ligado ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro.
O conteúdo das mensagens revelava um padrão perturbador. Um participante perguntou se havia estudantes da UFF no grupo. Após receber uma negativa, enviou uma lista de presença com o título explícito "incendiar UFF de madrugada", solicitando que outros membros adicionassem seus nomes. A reportagem tentou contato com dois números de telefone atribuídos a participantes do grupo, mas não obteve resposta. A Polícia Federal, procurada por email, não confirmou se investigaria o caso.
O contexto tornava a denúncia ainda mais urgente. Na noite de quarta-feira, 7 de outubro, um incêndio havia destruído um prédio no campus da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife. O edifício abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética. A investigação da Polícia Federal ainda estava em andamento para determinar se o incidente havia sido acidental ou criminoso. Nas redes sociais, estudantes e grupos de esquerda relatavam estar recebendo ameaças.
No mesmo grupo onde circulava a ameaça de incêndio, outras mensagens revelavam um clima de violência política direcionada. Um participante escreveu: "manifestação em frente à UFF hoje 19h, vamos bater nos petistas". Outro trecho, ainda mais explícito, dizia: "Vamos infiltrados e esfaquear o líder da baderna". Essas mensagens pintavam um quadro de planejamento coordenado de confronto físico.
Em uma captura de tela posterior que chegou à reportagem, um estudante da UFF questionou o suposto autor da ameaça de incêndio. Quando confrontado, o autor alegou que tudo havia sido "mera brincadeira" — uma negação que não apagava o registro das mensagens anteriores nem o contexto de um incêndio real ocorrido em instituição federal vizinha.
A universidade respondeu com medidas imediatas. Em nota oficial, a UFF informou que havia solicitado reforço de segurança nos campi à Prefeitura de Niterói e que também intensificaria a vigilância interna. A instituição afirmou estar "atenta à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público".
O que permanecia em aberto era a resposta das autoridades federais. A Polícia Federal não havia confirmado publicamente se abriria investigação sobre as ameaças. Enquanto isso, a UFF e sua comunidade aguardavam tanto o reforço de segurança quanto uma definição sobre se as mensagens seriam tratadas como crime ou descartadas como brincadeira.
Notable Quotes
Seguimos atentos à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público— Nota oficial da Universidade Federal Fluminense
Mera brincadeira— Suposto autor da ameaça de incêndio, quando confrontado por estudante da UFF