Ordem presidencial exige substituição do EMALS por catapultas a vapor no USS Doris Miller, já em construção, com prazo de 60 dias para apresentar plano de implementação. Especialistas alertam que mudança é altamente incomum, exigirá reprojeto custoso e pode adicionar bilhões ao orçamento, além de atrasar entrada em serviço prevista para 2034.
Trump ordena volta a catapultas a vapor em porta-aviões, podendo custar bilhões
Quando um pouco de água toca os ímãs, eles param de funcionar
Por que Trump está tão convencido de que as catapultas a vapor são melhores se os especialistas dizem o oposto?
Ele tem uma experiência pessoal com o sistema eletromagnético que o marcou. Chamaram o navio de volta duas vezes porque as catapultas não funcionavam. Para ele, isso é prova de que a tecnologia é falha. Mas especialistas argumentam que esses foram problemas iniciais, não defeitos fundamentais.
E quanto ao custo? Por que adicionar bilhões faz sentido para alguém?
Não faz sentido para os especialistas. Mas Trump vê a mudança como uma correção de um erro anterior. Para ele, é melhor gastar agora em algo que funciona do que continuar com algo que ele acredita ser problemático.
Qual é o maior obstáculo prático agora?
Ninguém nos EUA fabrica mais catapultas a vapor. A infraestrutura desapareceu. Seria preciso reconstruir tudo do zero — fábricas, conhecimento, processos. Isso leva anos e custa dezenas de milhões só para começar.
Então a Marinha fica vulnerável enquanto isso?
Exatamente. Se o USS Doris Miller atrasa até o final dos anos 2030 e os navios Nimitz antigos são desativados, há uma lacuna real na capacidade. A Marinha teria menos porta-aviões disponíveis em um período crítico.
Kelly, o senador, parece furioso. Por quê?
Ele é piloto de testes com mestrado em engenharia. Viu de perto como o EMALS funciona. Para alguém com esse conhecimento, a decisão parece não apenas errada tecnicamente, mas também uma intrusão política em decisões militares que deveriam ser técnicas.
El Pulso
- Memorando presidencial ordena substituição do EMALS por catapultas a vapor no USS Doris Miller, com prazo de 60 dias para plano
- Mudança pode adicionar bilhões ao orçamento e atrasar entrada em operação de 2034 para final dos anos 2030
- Nenhum fabricante de catapultas a vapor permanece ativo nos EUA; infraestrutura foi desativada desde 2009
Ordem presidencial exige substituição do EMALS por catapultas a vapor no USS Doris Miller, já em construção, com prazo de 60 dias para apresentar plano de implementação. Especialistas alertam que mudança é altamente incomum, exigirá reprojeto custoso e pode adicionar bilhões ao orçamento, além de atrasar entrada em serviço prevista para 2034.
Trump determina que Marinha abandone sistema eletromagnético moderno e retorne a catapultas a vapor em novo porta-aviões, decisão que pode custar bilhões e atrasar projeto até final dos anos 2030.
Na quinta-feira, a Casa Branca divulgou um memorando que reescreve os planos para um dos navios mais caros que a Marinha americana já construiu. O presidente Donald Trump ordenou o abandono do sistema de lançamento eletromagnético — tecnologia moderna instalada no porta-aviões USS Gerald R. Ford — em favor de um retorno às catapultas a vapor, o método que equipava navios décadas atrás. O navio em questão, o USS Doris Miller, ainda está em construção. A mudança pode adicionar bilhões de dólares ao projeto e empurrar sua entrada em operação para o final dos anos 2030, quando estava previsto para cerca de 2034.
O memorando ordena que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, apresente um plano em até 60 dias para instalar os sistemas de catapulta a vapor. A Casa Branca argumenta que a medida resolverá "problemas críticos de longo prazo" nos programas de construção e reparo naval. Mas especialistas navais ouvidos pela CNN descrevem a decisão como altamente incomum. Bryan Clark, pesquisador sênior do Hudson Institute, explicou que o reprojeto do USS Doris Miller — que já está em andamento — custará "provavelmente na casa dos bilhões". Os dez porta-aviões mais antigos da Marinha, da classe Nimitz, ainda usam catapultas a vapor, enquanto o USS Gerald R. Ford foi o primeiro a receber o sistema eletromagnético, conhecido como EMALS.
A obsessão de Trump com essa questão não é nova. Em julho, durante a Cúpula de Defesa e Inovação, ele argumentou que a tecnologia eletromagnética é complexa demais e difícil de consertar. "Quando um pouco de água toca os ímãs, eles param de funcionar", disse Trump, descrevendo cenários de ondas gigantes no Atlântico e no Pacífico. "Tivemos que chamar o navio de volta duas vezes porque as catapultas não funcionavam." Clark oferece uma perspectiva técnica diferente: o sistema eletromagnético funciona como um trem de alta velocidade e é "muito mais simples". A catapulta a vapor, por outro lado, possui muito mais componentes — válvulas, reguladores de pressão, pistões. Segundo Clark, a Marinha economizou 100 milhões de dólares por ano em operação e manutenção com o porta-aviões da classe Ford graças ao EMALS.
Chris Cavas, jornalista veterano que acompanhou lançamentos com ambos os sistemas, descreveu o memorando como reflexo de "uma mentalidade muito antiga, muito ultrapassada". Cavas afirmou que o movimento do EMALS é mais suave e causa muito menos estresse sobre a aeronave — algo que ele pode atestar por experiência própria. Mas há um problema prático que vai além da engenharia: ninguém mais fabrica catapultas a vapor nos Estados Unidos. A Marinha costumava fabricá-las internamente, mas essa infraestrutura desapareceu. O último porta-aviões equipado com catapultas a vapor, o George H. W. Bush, entrou em serviço em 2009. "Faz muito tempo, e toda aquela infraestrutura já não existe mais", disse Cavas. Clark acrescentou que seria necessário retomar uma linha de produção inteira — um processo que custaria dezenas de milhões de dólares apenas para começar e levaria anos para ser reiniciado.
O atraso no USS Doris Miller, combinado com a desativação planejada de porta-aviões da classe Nimitz, pode deixar a Marinha americana com uma "capacidade de transporte muito reduzida" na próxima década, alertou Clark. O senador democrata Mark Kelly, capitão da Marinha na reserva com mestrado em engenharia aeronáutica e experiência como piloto de testes, criticou o memorando na rede social X. "Decolei da proa de porta-aviões centenas de vezes", escreveu Kelly, "mesmo assim, eu não sugeriria à Marinha como projetar sistemas específicos em seus navios." Ele encerrou com uma provocação: "Donald Trump deveria se ater ao que conhece melhor: salões de baile, falência e besteira." A decisão agora aguarda o plano que Hegseth deve apresentar nos próximos dois meses — um documento que pode redefinir a trajetória da construção naval americana pelos próximos dez anos.
Citas Notables
Provavelmente chegará à casa dos bilhões, e a mudança poderia atrasar o porta-aviões até o final da próxima década— Bryan Clark, pesquisador sênior do Hudson Institute
Decolei da proa de porta-aviões centenas de vezes, tenho mestrado em engenharia aeronáutica e sou piloto de testes; mesmo assim, eu não sugeriria à Marinha como projetar sistemas específicos em seus navios— Senador democrata Mark Kelly, capitão da Marinha na reserva