Alckmin se reúne com FUP sobre crise de diesel e política de preços da Petrobrás

O Brasil importava um quarto do diesel que consumia
Petroleiros argumentam que essa dependência poderia ter sido reduzida a apenas 5% se refinarias não tivessem sido abandonadas.
Mark

Por que exatamente o Brasil deixou essas refinarias inacabadas? Não era uma decisão de mercado?

Mimi

Não era só mercado. Havia uma escolha política por trás. Quando você atrelaos preços ao mercado internacional, importar fica mais barato que investir em capacidade própria. A Petrobrás deixou de ser vista como instrumento de soberania e virou uma empresa que deveria se comportar como qualquer outra no mercado global.

Mark

E se as refinarias tivessem sido concluídas, o Brasil não teria esse problema agora?

Mimi

Teoricamente não. Os petroleiros calculam que a importação cairia de 25% para 5%. Mas isso exigia uma visão de longo prazo que a política de preços atrelada ao mercado internacional não permitia.

Mark

Alckmin estava ali como candidato ou como alguém genuinamente interessado no problema?

Mimi

Ele fez perguntas técnicas detalhadas durante uma hora e meia. Pode ter sido campanha, mas o encontro resultou em um compromisso formal com advogados. Não parecia superficial.

Mark

Os petroleiros querem nacionalismo energético ou querem algo mais?

Mimi

Querem autonomia. Há uma diferença. Autonomia significa poder escolher sua política de preços sem ser refém do mercado internacional. Nacionalismo é mais sobre quem controla. Para eles, a Petrobrás deveria ser um instrumento de escolha nacional, não de lucro privado.

Mark

E a privatização? Isso era realmente uma ameaça naquele momento?

Mimi

Havia projetos em andamento. Os leilões de campos estavam acontecendo. Para os petroleiros, era o começo de um processo maior. Daí a urgência em formalizar alianças políticas.

  • O Brasil enfrenta risco real de desabastecimento de diesel, importando 25% do que consome — uma dependência que poderia ser de apenas 5% se refinarias não tivessem sido abandonadas.
  • Petroleiros acusam a política de preços atrelada ao mercado internacional de minar a autonomia energética do país e transformar a Petrobrás em refém das flutuações globais.
  • Alckmin ouviu por uma hora e meia, fazendo perguntas detalhadas — sinal de que a crise do diesel pode se tornar eixo central do programa econômico da chapa Lula-Alckmin.
  • A FUP exige o fim dos leilões de campos de petróleo e rejeita projetos de privatização, defendendo a Petrobrás como instrumento de soberania nacional.
  • Advogados do grupo Prerrogativas formalizaram compromisso de colaboração com os petroleiros, transformando o encontro em acordo de trabalho conjunto contra privatizações.

Em um momento em que o Brasil importa um quarto do diesel que consome, Geraldo Alckmin sentou-se com líderes dos petroleiros para ouvir um diagnóstico que vai além da escassez imediata: trata-se de uma escolha histórica sobre soberania energética. A política de preços atrelada ao mercado internacional, herdada do governo Temer, e o abandono de refinarias em construção revelam como decisões passadas moldam vulnerabilidades presentes. O encontro, realizado em 10 de junho, não foi apenas um gesto de campanha — foi o esboço de um compromisso sobre o papel do Estado na economia brasileira.

Na manhã de 10 de junho, Geraldo Alckmin reuniu-se por uma hora e meia com lideranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para discutir um risco concreto: a possibilidade de o Brasil enfrentar uma crise de abastecimento de diesel nos meses seguintes.

Os petroleiros chegaram com um diagnóstico preciso. O país importa hoje 25% de todo o diesel que consome — uma dependência que poderia ser de apenas 5% caso refinarias em construção não tivessem sido paralisadas e abandonadas. A raiz do problema, segundo eles, está na política de preços implementada no governo Temer, que atrelou os combustíveis domésticos ao mercado internacional, retirando da Petrobrás a capacidade de atuar como instrumento de soberania energética.

Além da crise imediata, os petroleiros levantaram bandeiras mais amplas: o fim dos leilões de campos de petróleo em andamento e a resistência a projetos de privatização da estatal. Para a FUP, a solução não está em abrir o setor ao capital privado, mas em reafirmar o compromisso do Estado com a Petrobrás como empresa estratégica.

O encontro encerrou-se com um gesto que ultrapassou o calendário eleitoral: advogados do grupo Prerrogativas, presentes ao lado de Alckmin, formalizaram um compromisso de colaboração com a FUP em defesa da Petrobrás. A crise do diesel, assim, abriu uma janela para um debate mais profundo — sobre o modelo energético do Brasil e o lugar do Estado na economia.

Na sexta-feira 10 de junho, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e então candidato a vice-presidente na chapa de Lula, sentou-se com lideranças da Federação Única dos Petroleiros para uma conversa que duraria uma hora e meia. O tema era urgente: o risco real de o Brasil enfrentar uma crise de abastecimento de diesel nos meses seguintes.

Os petroleiros vieram com um diagnóstico claro e uma acusação histórica. O país, disseram, havia deixado apodrecer seu próprio potencial de produção. Refinarias que estavam em construção foram simplesmente abandonadas, deixando o Brasil dependente de importações para suprir sua demanda interna. Naquele momento, o país importava um quarto de todo o diesel que consumia. Se as refinarias tivessem sido concluídas, essa dependência poderia ter caído para apenas 5%.

A raiz do problema, segundo os petroleiros, estava em uma política de preços que havia sido implementada anos antes, ainda no governo de Michel Temer. Essa política atrelava o preço dos combustíveis no mercado doméstico ao preço internacional do petróleo. Para os petroleiros, era uma escolha que minava a autonomia energética do país, tornando-o refém das flutuações globais e impedindo que a Petrobrás pudesse funcionar como instrumento de soberania nacional. Alckmin, durante o encontro, fez perguntas detalhadas, buscando compreender as engrenagens do problema.

Os petroleiros também levantaram outras bandeiras. Queriam o fim dos leilões de campos de petróleo que estavam em andamento e protestavam contra projetos de privatização da empresa. Para eles, a solução não passava por abrir mais o setor ao mercado privado, mas por reafirmar o compromisso do Estado com a Petrobrás como empresa estratégica.

O encontro teve um desfecho simbólico. Advogados do grupo Prerrogativas, que acompanhavam Alckmin, formalizaram um compromisso de colaboração com a FUP. Não era apenas uma conversa de campanha; era um acordo de trabalho conjunto em defesa da Petrobrás contra as pressões privatizantes. A questão do diesel, portanto, abria uma janela maior: a disputa sobre o modelo energético do Brasil e o papel do Estado na economia.

A política de preços da Petrobrás prejudica a busca de autonomia do Brasil no setor petrolífero
— Petroleiros da FUP
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