Num fim de tarde em Washington, entre medidas para o carvão e perguntas sobre outros assuntos, Donald Trump lançou a promessa de que os Estados Unidos vão "cuidar de Cuba" depois de encerrar a crise com o Irã. Como tantas falas de poder, ela deixa mais perguntas do que respostas: não se sabe o que significa cuidar, nem quando. Enquanto as palavras flutuam, a pressão real já se move por outro caminho, em que empresas estrangeiras precisam decidir até sexta-feira se ficam numa ilha que vive uma crise antiga e cada vez mais dura.
Trump diz que EUA vão ‘cuidar de Cuba’ após resolver crise com o Irã
Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã
Trump disse que vai "cuidar de Cuba". O que isso quer dizer?
Ele não explicou. Falou que isso viria depois de terminar com o Irã e que talvez fosse possível investir na ilha. Foi uma resposta a perguntas, num evento sobre carvão.
Vale separar: o que ele afirmou é que os cubanos "querem terrivelmente" isso. É uma afirmação dele, sem dado que a sustente no texto.
E as sanções, são o lado concreto?
Sim. Empresas estrangeiras têm até sexta-feira para sair de negócios ligados ao conglomerado militar cubano, que controla cerca de metade da economia.
Por que são chamadas de secundárias?
Porque atingem empresas e bancos de fora dos EUA. Antes, a proibição valia sobretudo para empresas americanas.
As penas citadas são riscos: perda de visto, congelamento de ativos, perda de acesso a bancos americanos. O texto não diz quem será punido nem quando.
E o efeito sobre Cuba?
Mais desemprego e menos recursos para o governo, numa crise já grave.
Isso é uma projeção, não um resultado já medido. E não sabemos se Trump ligará esse plano à crise com o Irã.
The Pulse
- Trump promete "cuidar de Cuba" sem detalhar o que isso significa nem em que prazo, deixando o anúncio no ar.
- Empresas estrangeiras têm até sexta-feira para deixar empreendimentos ligados ao conglomerado militar cubano, que controla cerca de metade da economia.
- Sanções secundárias ameaçam vistos, ativos congelados e acesso a bancos americanos, atingindo também companhias fora dos EUA.
- A saída em massa de empresas tende a elevar o desemprego e reduzir a receita do governo cubano, aprofundando uma crise já grave.
Num fim de tarde em Washington, entre medidas para o carvão e perguntas sobre outros assuntos, Donald Trump lançou a promessa de que os Estados Unidos vão "cuidar de Cuba" depois de encerrar a crise com o Irã. Como tantas falas de poder, ela deixa mais perguntas do que respostas: não se sabe o que significa cuidar, nem quando. Enquanto as palavras flutuam, a pressão real já se move por outro caminho, em que empresas estrangeiras precisam decidir até sexta-feira se ficam numa ilha que vive uma crise antiga e cada vez mais dura.
Numa quinta-feira, 4, em um evento na Casa Branca voltado ao setor de carvão, Donald Trump desviou o assunto para Cuba. Disse que a população da ilha "quer terrivelmente" que Washington cuide do país e prometeu fazer isso. "Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá", afirmou. Ao tratar do tema, disse que Cuba "não seria nada sem a ajuda da Venezuela", mas não explicou o que significaria cuidar do país nem em quanto tempo.
A pressão concreta, porém, vem de outro lado. Empresas estrangeiras têm até sexta-feira para se retirar de qualquer empreendimento administrado pelo conglomerado militar cubano, que controla cerca de metade da economia. Quem ficar pode perder o visto para viajar aos Estados Unidos, ter ativos congelados e sofrer sanções que cortam o acesso a bancos americanos.
As chamadas "sanções secundárias" marcam uma escalada, por atingirem empresas e instituições financeiras estrangeiras, e não apenas americanas. O efeito esperado é um êxodo que deve aumentar o desemprego e reduzir os recursos do governo cubano.
O prazo de sexta-feira é o próximo ponto concreto a acompanhar. Já o que Trump quis dizer com cuidar de Cuba segue sem definição.
Numa quinta-feira, 4, em um evento na Casa Branca marcado para anunciar medidas voltadas à indústria do carvão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desviou o assunto para Cuba. Disse que a população da ilha, que já foi comandada por Fidel Castro, "quer terrivelmente" que Washington cuide do país, e prometeu que fará isso. "Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá", afirmou.
A frase veio depois que Trump falou das medidas para o setor de energia e passou a responder perguntas sobre outros temas. Ao tratar de Cuba e da Venezuela, ele disse que Cuba "não seria nada sem a ajuda da Venezuela". O presidente não detalhou, nas falas relatadas, o que significaria cuidar de Cuba, nem em que prazo isso ocorreria. Vinculou o tema ao desfecho da crise com o Irã, que chamou de guerra no Oriente Médio.
Enquanto isso, a pressão econômica sobre a ilha avança por outra via. Empresas estrangeiras têm até sexta-feira para se retirar de qualquer empreendimento em Cuba administrado pelo conglomerado militar cubano, que controla cerca de metade da economia do país.
Quem permanecer corre riscos concretos. Líderes empresariais cujas companhias continuarem na ilha podem perder o visto para viajar aos Estados Unidos e ter ativos congelados. As próprias empresas podem ser sancionadas, com consequências como a perda de acesso a bancos americanos.
Os Estados Unidos já proíbem há muito tempo que a maioria das empresas americanas negocie com Cuba. As novas regras, chamadas de "sanções secundárias", representam uma escalada significativa porque miram empresas e instituições financeiras estrangeiras, e não apenas as americanas.
O efeito esperado é um êxodo crescente de empresas, que deve elevar o desemprego e reduzir os recursos financeiros do governo cubano, agravando uma crise econômica descrita como cada vez mais insustentável.
No mesmo evento, Trump comentou outros temas externos. Sobre a Índia, disse que o país "se aproveitou dos EUA por muitos anos sem pagar tarifas" e que agora os americanos querem um acordo, referindo-se às tarifas impostas ao país asiático. Sobre a guerra na Ucrânia, afirmou que Moscou e Kiev terão de fazer compromissos e chegar a um meio-termo. "Acabei com oito guerras, posso acabar com a nona e a décima", declarou.
O prazo de sexta-feira para as empresas estrangeiras é o próximo ponto concreto a observar: dele dependem as primeiras saídas e a eventual aplicação das sanções. Já o que Trump quis dizer com cuidar de Cuba segue sem definição.
Notable Quotes
Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá.— Donald Trump, presidente dos EUA
Cuba não seria nada sem a ajuda da Venezuela.— Donald Trump, presidente dos EUA