Num momento em que as ruas do Irã se enchem de protestos contra o regime e a crise econômica, Teerã acusa Washington de transformar manifestações pacíficas em violência, em coordenação com Israel, sem apresentar provas. A acusação, levada ao Conselho de Segurança da ONU, ecoa uma história antiga de desconfiança entre potências, em que cada gesto de força alimenta a narrativa do inimigo externo. Enquanto isso, o custo humano já se conta em dezenas de vidas, e a dúvida sobre até onde a disputa pode ir paira sobre todos.
Irã acusa EUA de transformar protestos pacíficos em violência e cita coordenação com Israel
Ao menos 45 manifestantes e dois policiais mortos desde 28 de dezembro
Qual é o ponto central da carta de Iravani?
Ele responsabiliza os Estados Unidos por transformar protestos pacíficos em violência e diz que Washington age junto com Israel para desestabilizar o Irã.
E há prova disso? Preciso saber o que é fato e o que é acusação.
Nenhuma foi apresentada. A coordenação com Israel é uma afirmação do diplomata, não algo confirmado pela reportagem.
Por que Trump entra nessa história?
Ele ameaçou o Irã com um "inferno a pagar" se houver repressão violenta e disse que os EUA também atirariam se o regime começasse a atirar.
Isso é uma ameaça verbal. Não há ação concreta descrita no texto.
E os mortos?
Ao menos 45 manifestantes e dois policiais até quinta, segundo a Iran Human Rights.
É o número de uma única ONG, e a contagem vai só até o dia 8. Pode ter mudado.
O que observar agora?
A conduta das forças de segurança e se o Conselho de Segurança responde à carta.
Der Puls
- Os protestos já atingem as 31 províncias do Irã e acumulam pelo menos 45 manifestantes e dois policiais mortos até 8 de janeiro.
- O embaixador iraniano na ONU acusa EUA e Israel de incitar violência, em carta enviada ao Conselho de Segurança sem apresentar provas.
- Donald Trump ameaça um "inferno a pagar" caso a repressão avance, e diz que os americanos responderiam se os iranianos começassem a atirar.
- O líder supremo Khamenei responde com linha dura, classificando os manifestantes como mercenários de estrangeiros e a crise como obra de vândalos.
- Tudo indica uma escalada: a vigilância agora se volta para a reação das forças de segurança e para o silêncio ou ação do Conselho de Segurança.
Num momento em que as ruas do Irã se enchem de protestos contra o regime e a crise econômica, Teerã acusa Washington de transformar manifestações pacíficas em violência, em coordenação com Israel, sem apresentar provas. A acusação, levada ao Conselho de Segurança da ONU, ecoa uma história antiga de desconfiança entre potências, em que cada gesto de força alimenta a narrativa do inimigo externo. Enquanto isso, o custo humano já se conta em dezenas de vidas, e a dúvida sobre até onde a disputa pode ir paira sobre todos.
Na sexta-feira (9), o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, enviou uma carta ao Conselho de Segurança acusando os Estados Unidos de corresponsabilidade pela escalada dos protestos. Segundo ele, Washington teria contribuído para transformar manifestações pacíficas em atos violentos e de vandalismo, agindo junto com Israel. Não houve apresentação de provas dessa coordenação.
O pano de fundo é a ameaça de Donald Trump, que prometeu um "inferno a pagar" se a repressão for violenta e avisou que os americanos também atirariam caso os iranianos começassem. A ameaça vem poucos dias após um ataque dos EUA contra a Venezuela e cerca de sete meses depois da ofensiva contra instalações nucleares iranianas.
Nas ruas, o preço já é alto. Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 45 manifestantes e dois policiais morreram na onda de protestos até 8 de janeiro. Os atos, iniciados em 28 de dezembro contra o regime e a crise econômica, já alcançam as 31 províncias.
Diante disso, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, adotou tom duro: Teerã não tolerará cidadãos agindo como mercenários de estrangeiros, e um "bando de vândalos" teria destruído um prédio público. Resta saber como as forças de segurança vão agir e se o Conselho de Segurança reagirá à carta.
Na sexta-feira (9), o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, enviou uma carta ao Conselho de Segurança com uma acusação direta: os Estados Unidos seriam corresponsáveis pela escalada dos protestos no país. Segundo o diplomata, Washington contribuiu para a "transformação de manifestações pacíficas em atos violentos, subversivos e de vandalismo generalizado".
No texto, Iravani criticou o que chamou de conduta contínua, ilegal e irresponsável dos americanos. Afirmou que os EUA agem em conjunto com Israel para interferir nos assuntos internos iranianos, por meio de ameaças, incitação e estímulo deliberado à instabilidade e à violência. A Folha registra que ele não apresentou provas dessa coordenação.
O embaixador foi além e disse que essas práticas minam a Carta fundadora da ONU, violam princípios básicos do direito internacional e colocam em risco as bases da paz e da segurança internacionais.
O pano de fundo é o recado recente do presidente americano, Donald Trump. Nos últimos dias, ele ameaçou autoridades iranianas, dizendo que haverá um "inferno a pagar" se as manifestações forem reprimidas com violência. Na sexta, falando a jornalistas na Casa Branca, acrescentou que era melhor os iranianos não começarem a atirar, porque os americanos também começariam.
A ameaça veio poucos dias depois do ataque dos EUA contra a Venezuela e cerca de sete meses após a ofensiva conduzida por Washington e Israel contra instalações nucleares iranianas, o que dá peso ao tom da troca de acusações.
Nas ruas, o custo já é alto. De acordo com a ONG norueguesa Iran Human Rights, ao menos 45 manifestantes e dois policiais morreram na atual onda de protestos até quinta-feira (8). Os atos contra o regime e contra as dificuldades econômicas começaram a crescer em 28 de dezembro e vêm ganhando força desde então. Hoje, atingem as 31 províncias do país.
Diante disso, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, optou pela linha dura. Na sexta, afirmou que Teerã "não irá tolerar cidadãos agindo como mercenários para estrangeiros". Sobre a noite anterior na capital, disse que "um bando de vândalos e arruaceiros" destruiu um prédio pertencente ao Estado e ao povo, "só para agradar o coração do presidente dos EUA". E completou que Trump deveria cuidar do próprio país.
O quadro reúne uma repressão que já deixou mortos, ameaças explícitas de Washington e um regime que atribui a crise a forças externas. Resta observar como as forças de segurança iranianas vão agir nos próximos dias e se o Conselho de Segurança da ONU vai reagir à carta.
Bemerkenswerte Zitate
O Irã não tolerará cidadãos agindo como mercenários para estrangeiros.— Ali Khamenei, líder supremo do Irã
É melhor não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar.— Donald Trump, presidente dos EUA