Troca na Petrobras é alinhamento com novo ministro, diz Ciro Nogueira

A política tem que estar completamente alinhada com o novo ministro
Ciro Nogueira justifica a troca de presidente da Petrobras como necessária para sincronizar a empresa com o novo comando ministerial.
Mark

Por que trocar o presidente da Petrobras tão rapidamente, depois de apenas quarenta dias?

Mimi

Não era rapidez sem propósito. O novo ministro de Minas e Energia chegou com uma visão diferente, e a Petrobras precisava estar alinhada com ele. Não é intervenção — é coordenação.

Mark

Mas o governo não está interferindo na empresa quando faz essas trocas?

Mimi

Nogueira nega isso. Ele diz que é uma questão de governança normal, que o presidente anterior tinha mais sintonia com o ministro anterior. Agora há um novo ministro, então há um novo presidente.

Mark

E quanto aos lucros recordes enquanto os preços sobem? Como o governo explica isso?

Mimi

É o dilema que mais angustia o presidente. A Petrobras segue regras de mercado internacional porque não produz todo o petróleo que o Brasil consome. Trinta por cento do diesel é importado. Você não pode obrigar uma empresa privada a comprar caro e vender barato.

Mark

Então a culpa é do mercado internacional?

Mimi

Parcialmente. Mas também há espaço para os estados contribuírem. Eles tiveram um aumento de quase cinquenta por cento na arrecadação de ICMS durante a crise. Nogueira acha que chegou a hora deles reduzirem o imposto sobre combustíveis.

Mark

E quando os preços vão cair?

Mimi

Quando a guerra na Ucrânia terminar e o preço internacional do petróleo cair. Enquanto isso, o governo está tentando fazer pressão por todos os lados — federal, estadual, e esperando que a Petrobras respeite as regras.

  • Caio Mário Paes de Andrade assume presidência da Petrobras após José Mauro Ferreira Coelho permanecer apenas 40 dias
  • Adolfo Sachsida assumiu Ministério de Minas e Energia no dia 11 de maio, substituindo Bento Albuquerque
  • Trinta por cento do diesel consumido no Brasil é importado
  • Governos estaduais tiveram aumento de quase 50% na arrecadação de ICMS durante período de crise

Caio Mário Paes de Andrade assume presidência da Petrobras após José Mauro Ferreira Coelho permanecer apenas 40 dias no cargo. Ministro da Casa Civil nega que trocas frequentes na Petrobras sejam forma de Bolsonaro intervir; atribui mudança ao novo comando ministerial.

Ciro Nogueira afirma que a substituição do presidente da Petrobras visa alinhar a estatal com o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, negando que represente intervenção presidencial.

Na terça-feira de maio, o ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira saiu em defesa de uma decisão que havia deixado marcas visíveis na estrutura da Petrobras: a troca de seu presidente. Caio Mário Paes de Andrade assumiria o cargo que José Mauro Ferreira Coelho havia ocupado por apenas quarenta dias — um período tão breve que levantava questões sobre o que havia dado errado e, mais amplamente, sobre como o governo conduzia a empresa estatal.

Nogueira ofereceu uma explicação direta em entrevista ao SBT News. A mudança, disse ele, não era capricho presidencial nem sinal de instabilidade administrativa. Era, na verdade, uma questão de sincronização. Adolfo Sachsida havia assumido o Ministério de Minas e Energia no dia onze de maio, substituindo Bento Albuquerque. A troca na presidência da Petrobras, portanto, era necessária para que a política energética do país funcionasse em harmonia com o novo comando ministerial. "A política que diz respeito a esse setor no país, apesar de a Petrobras ter a sua independência de gestão, tem que estar completamente alinhada com o novo ministro", explicou.

O ministro reconheceu que Ferreira Coelho era "um grande brasileiro" que havia tentado fazer o possível, mas carregava um alinhamento maior com seu antecessor, Bento Albuquerque. Agora, em um novo momento para o setor de Minas e Energia, era preciso um presidente que caminhasse na mesma direção que Sachsida. Nogueira foi cuidadoso em suas palavras — mencionou que não podia anunciar essas mudanças com antecedência por causa das questões envolvendo ações e a Comissão de Valores Imobiliários — mas deixou claro que a substituição havia sido planejada.

Quando perguntado se essas trocas frequentes no comando da Petrobras representavam uma forma de o presidente Jair Bolsonaro intervir na empresa, Nogueira negou categoricamente. Para ele, o foco deveria estar na mudança ministerial, não em qualquer padrão de interferência presidencial. O ministro então ampliou a conversa para o que realmente angustiava o governo: os lucros recordes da Petrobras convivendo com preços altos de combustíveis. Explicou que a empresa não produzia todo o petróleo consumido no país — trinta por cento do diesel era importado — e que, portanto, a Petrobras precisava respeitar as regras de mercado internacional e suas próprias normas de compliance. Era uma situação complexa que a população comum tinha dificuldade em compreender: como a empresa podia anunciar lucros de quarenta e poucos bilhões de reais e, no dia seguinte, aumentar o preço do diesel?

Nogueira atribuiu essa angústia não a um problema específico do Brasil, mas a uma realidade mundial. O que o presidente da República mais sentia era justamente essa contradição entre lucratividade e preços ao consumidor. O ministro também tocou em outro ponto de pressão: o ICMS, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços. Ele argumentou que havia chegado o momento de os governos estaduais que tiveram um aumento de quase cinquenta por cento na arrecadação durante o período de crise contribuírem com a redução dos preços de combustíveis. A Câmara dos Deputados votaria naquele dia um projeto de lei que estabelecia um teto para a cobrança do ICMS sobre combustíveis e energia.

O foco número um do governo, reiterou Nogueira, era minimizar os preços dos combustíveis. O executivo federal havia feito tudo o que era possível em termos de abrir mão de impostos federais. Agora era a vez dos estados contribuírem. O ministro encerrou observando que seria preciso esperar o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia para que o preço internacional do petróleo diminuísse — um lembrete de que, por mais que o governo brasileiro agisse, havia forças globais além de seu controle que moldavam o cenário dos combustíveis.

A política que diz respeito a esse setor no país, apesar de a Petrobras ter a sua independência de gestão, tem que estar completamente alinhada com o novo ministro
— Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil
O foco número um do governo é como minimizar os preços dos combustíveis
— Ciro Nogueira
Contact Us FAQ