Três irmãs brasileiras com 316 anos juntas entram em estudo científico sobre longevidade

Longevidade é combinação de genética, ambiente, comportamento e sociedade
Os pesquisadores buscam compreender como esses fatores interagem no caso das três irmãs.
Mark

Por que exatamente essas três irmãs despertaram interesse científico? Há muitos centenários no mundo.

Mimi

Porque não é apenas a idade delas isoladamente. É o padrão na família — mãe aos 100, tia aos 101, e agora três filhas ultrapassando os 100. Isso sugere algo genético ou ambiental que se repete.

Luke

Mas a gente sabe que longevidade é multifatorial. Como os pesquisadores vão separar o que é gene do que é infância em Sergipe, alimentação caseira, ou simplesmente sorte?

Mimi

Exatamente por isso o projeto compara essas três com outras pessoas centenárias que tiveram declínio cognitivo ou doenças crônicas. A comparação é que revela o padrão.

Mark

E o que elas comiam quando crianças é realmente relevante para a ciência?

Mimi

Pode ser. Alimentos frescos, sem processamento, atividade física constante — nadar e pescar nos rios. Tudo isso deixa marcas no corpo ao longo de décadas.

Luke

Mas elas também tiveram vidas muito diferentes depois. Uma foi artesã, outra enfermeira, outra dona de casa. Como isso se encaixa na análise genética?

Mimi

Não se encaixa de forma simples. É justamente isso que torna o caso interessante — a genética pode ser a base, mas as trajetórias diferentes mostram que outros fatores também contam.

Mark

A validação das idades foi rigorosa?

Mimi

Sim, a LongeviQuest examinou certidões de nascimento, batismo, casamento, documentos profissionais. Não foi apenas relato familiar.

Luke

E mesmo assim, estamos falando de documentos de mais de 100 anos atrás, em uma região rural do Brasil. Há margem para erro?

Mimi

Há sempre margem, mas a validação oficial do Guinness exigiu documentação cruzada. É o melhor que temos.

  • Com 109, 104 e 103 anos respectivamente, Levita, Zoraide e Zulina somam 316 anos de vida e agora carregam o título oficial de trio de irmãs vivas mais longevo do mundo.
  • A longevidade não é anomalia isolada: a mãe das três viveu até os 100 anos e uma tia chegou aos 101, revelando um padrão familiar que acende o interesse da ciência.
  • A validação das idades exigiu documentação histórica minuciosa — certidões de nascimento, registros de batismo, casamento e documentos profissionais — antes que o Guinness reconhecesse o recorde oficialmente.
  • O Projeto DNA Longevo da USP, coordenado pela geneticista Mayana Zatz, incorporou as três irmãs a uma investigação sobre genes protetores que podem preservar saúde física e cognitiva na velhice.
  • A ciência avisa: não há um único gene da longevidade — o que se busca é compreender a interação complexa entre herança genética, ambiente, alimentação e trajetória de vida.

Em algum lugar entre a genética e o cotidiano, três irmãs do Rio de Janeiro acumularam 316 anos de vida compartilhada — e o mundo parou para perguntar por quê. Levita, Zoraide e Zulina, nascidas em Sergipe, foram reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do planeta, após validação rigorosa de suas idades pela LongeviQuest. O que começou como um recorde tornou-se uma questão científica: quando a longevidade atravessa gerações de uma mesma família, a ciência enxerga não coincidência, mas padrão — e padrões merecem ser compreendidos.

Levita tem 109 anos. Zoraide, 104. Zulina, 103. Juntas, as três irmãs cariocas somam 316 anos de vida e agora figuram no Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do planeta — um título que chegou após validação rigorosa da LongeviQuest, organização parceira do Guinness especializada em longevidade extrema, que examinou certidões de nascimento, registros de batismo e casamento, além de documentos profissionais das três.

Mas o recorde é apenas a porta de entrada para uma questão mais profunda. A mãe das três viveu até os 100 anos; uma tia chegou aos 101. Essa concentração familiar de longevidade não passou despercebida: o Projeto DNA Longevo da Universidade de São Paulo, coordenado pela geneticista Mayana Zatz, agora estuda as irmãs como parte de uma investigação sobre envelhecimento saudável. O projeto compara centenários que mantêm boa qualidade de vida com aqueles que enfrentaram maior declínio, buscando identificar características genéticas associadas à preservação física e cognitiva na velhice.

As três cresceram em Cedro de São João, Sergipe, em uma família de oito filhos. A infância foi marcada por alimentos produzidos em casa — leite de vacas e cabras, frutas e verduras do quintal, milho preparado manualmente para o cuscuz. Sem geladeira, tudo era consumido fresco. Zulina lembra de nadar e pescar nos rios da região; Zoraide aponta a amamentação como possível fator de saúde. Cada uma seguiu depois um caminho próprio: Levita trabalhou como artesã e em televisão, Zoraide tornou-se enfermeira e criou cinco filhos, Zulina dedicou-se à família como dona de casa e mãe de seis.

Os pesquisadores reconhecem que não existe um único gene responsável por tantos anos de vida. A longevidade emerge da combinação entre genética, ambiente, comportamento e história familiar — e é justamente essa teia complexa que a ciência, agora com as três irmãs como guia, tenta aprender a ler.

Levita de Deus Nunes tem 109 anos. Sua irmã Zoraide tem 104. A mais jovem das três, Zulina, completou 103. Juntas, as três mulheres do Rio de Janeiro acumulam 316 anos de vida — e agora ocupam um lugar no Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do planeta.

Mas o recorde internacional é apenas o começo da história. O que realmente chamou a atenção dos pesquisadores foi algo mais profundo: a concentração extraordinária de longevidade que atravessa a família. A mãe das três chegou aos 100 anos. Uma tia alcançou 101. Não se trata de casos isolados de vida longa, mas de um padrão familiar que sugere algo mais sistemático em jogo — algo que a ciência quer entender.

Antes de figurarem nos registros oficiais do Guinness, as idades de Levita, Zoraide e Zulina passaram por validação rigorosa. A LongeviQuest, organização especializada em confirmar casos de longevidade extrema e parceira oficial do Guinness, examinou documentos históricos das três: certidões de nascimento, registros de batismo e casamento, documentos profissionais e identificações. Apenas com essa documentação comprovada é que o reconhecimento internacional se tornou oficial.

Essa validação abriu as portas para algo maior. O Projeto DNA Longevo, da Universidade de São Paulo, coordenado pela geneticista Mayana Zatz, agora estuda as três irmãs como parte de uma investigação mais ampla sobre envelhecimento saudável. O projeto compara pessoas com 90 e 100 anos que mantêm boa qualidade de vida com indivíduos que enfrentaram maior comprometimento de saúde ao envelhecer. O objetivo é identificar características genéticas que possam estar relacionadas à capacidade de chegar à velhice preservando força física e capacidades cognitivas — e, inversamente, entender por que algumas pessoas desenvolvem fragilidade, doenças crônicas e declínio mental.

O caso das três irmãs é particularmente valioso porque a longevidade não aparece isolada. Mas isso não significa que exista um único gene responsável por seus anos de vida. A longevidade é resultado de uma combinação complexa: fatores genéticos, ambientais, comportamentais e sociais. É justamente essa interação que os pesquisadores procuram desvendar.

Antes de se tornarem centenárias reconhecidas internacionalmente, as três cresceram em Cedro de São João, em Sergipe, em uma família com oito filhos. A infância ocorreu em contexto radicalmente diferente do atual. Boa parte dos alimentos era produzida em casa: leite de vacas e cabras criadas pelo pai, frutas e verduras do quintal. O milho era preparado manualmente para fazer cuscuz. Sem geladeira, a família consumia alimentos frescos, colhidos próximo ao momento de comer. Zulina recorda-se de uma infância ativa — nadava e pescava nos rios da região, atividades que faziam parte do cotidiano. Zoraide aponta a amamentação como um dos elementos que pode ter contribuído para sua saúde ao longo da vida.

Apesar da origem compartilhada e da longevidade comum, cada irmã seguiu trajetória profissional distinta. Levita trabalhou como artesã e depois passou por uma emissora de televisão. Zoraide tornou-se enfermeira e criou cinco filhos. Zulina dedicou-se principalmente à família como dona de casa, responsável pela criação de seis filhos. A história das três reúne, portanto, muito mais que um recorde de idade. A combinação de genética, hábitos, alimentação, ambiente e trajetória familiar oferece aos pesquisadores uma oportunidade rara de observar diferentes elementos associados ao envelhecimento — e talvez, em algum ponto, compreender por que algumas pessoas conseguem viver tanto, tão bem.

A concentração de longevidade na mesma família tornou o caso especialmente interessante para estudos sobre envelhecimento saudável
— Pesquisadores do Projeto DNA Longevo
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